Strongman: sergipano com currículo ‘força bruta’ treina de olho no Brasileiro

O nome do atleta já é prenúncio de uma modalidade que exige bastante força. Vagner de Aço, de 36 anos, é um dos poucos sergipanos que se aventuram na prática do ‘strongman’, ou atletismo de força. Então se você se deparar com alguém carregando um pneu de trator, bolas de concreto de 150 kg, ou até levantando um veículo com as próprias mãos pelas ruas de Aracaju, provavelmente você trombou com o Vagner de Aço. “Esse é um esporte de extrema força. Nas competições, o atleta tem várias provas onde ele precisa provar sua força bruta, mas também velocidade, repetições, força total, arremesso de barris, tracionamento de veículos e até vagões de trem”, explica Vagner.

A paixão pelo atletismo de força nasceu de maneira improvável, após participar de algumas competições de fisiculturismo. “Eu disputei dois torneios de fisioculturismo e cheguei a ser vice-campeão sergipano. Mas eu percebi que não era aquilo que eu queria. Então comecei a treinar normalmente até surgir um campeonato de supino. Busquei apoio, peguei algumas técnicas e decidi participar. Eu saí do fisioculturismo, que é um treinamento de hipertrofia, para um treinamento de força”, lembra Vagner.

Desde então o atleta passou a dedicar alimentação e treino para o atletismo de força. A rotina de um atleta de strongman inclui treinos semanais de até três horas de duração, com ingestão prévia de boas doses de carboidrato e proteína, para dar energia para o treino. É comum também o uso de suplementação pelos atletas.

Já no primeiro ano de carreia, Vagner de Aço conquistou os primeiros títulos. “Em 2016 eu fui campeão do Norte-Nordeste e, logo em seguida, campeão brasileiro na minha categoria, acima de 105 kg, na Paraíba”, conta o sergipano. O título nacional fez com que Vagner de Aço fosse representar o Brasil em um torneio Sul-Americano na Argentina, onde mais uma vez saiu com desempenho positivo. “Foram cerca de 17 participantes na categoria absoluta (acima de 105 kg) e eu consegui ficar no top 4, ganhando o troféu de destaque da competição”, detalha.

Vagner traciona vagão de trem de 125 toneladas

As competições seguiram nos anos seguintes para o sergipano de Aço, como ficou conhecido. Em sua segunda participação em um Sul-Americano, desta vez no Brasil, em 2018, Vagner conseguiu o lugar mais alto do pódio na sua categoria. O título o credenciou para disputar um torneio internacional, no Uzbequistão. Lá ele encarou adversários de países considerados da elite do strongman, como Ucrânia, Irlanda, Austrália e Estados Unidos. “Havia provas que eu ainda não tinha tanta técnica. Mas foi uma experiência muito boa. Lá eu consegui tracionar um vagão de trem que pesava 125 toneladas. Acabei a competição no top 7”, lembra.

A pandemia freou as competições da modalidade, mas nem por isso o Vagner deixou de treinar. Na companhia de dois alunos iniciantes na modalidade, o atleta vem tentando driblar a falta de incentivos no esporte para manter a modalidade viva em Sergipe. Os treinos acontecem com equipamentos doados ao Vagner, na rua onde o próprio atleta mora, no bairro Porto Dantas. “É engraçado porque muitas pessoas param para assistir os nossos treinos, e realmente chama a atenção”, brinca.

Sem federação em Sergipe para organizar competições e torneios, os atletas vão treinando por conta própria de olho em competições em outros estados. Segundo Vagner, o objetivo, se a pandemia não atrapalhar, é participar do torneio nacional que está previso para acontecer em São Paulo, no final do mês de novembro. É força bruta para treinar, e mais ainda para manter viva a prática da modalidade em Sergipe.

Por Ícaro Novaes

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