No meio das incertezas trazidas pela pandemia da Covid-19, a Érika Gomes e Júlia Thainá decidiram abrir uma loja online de comércio e varejo de acessórios masculino, feminino e infantil, através do aplicativo instagram. As sócias admitem que não tiveram tanto planejamento na hora de colocar o negócio em prática, mas acabaram se beneficiando da crescente no comércio eletrônico e logo conquistaram espaço no mercado.
“Nós decidimos fazer, colocamos a loja no ar, e fomos planejando na medida em que os dias iam passando. A experiência tá sendo ótima. Como a gente não teve experiência de venda antes da pandemia, nós ainda não sabemos se após a pandemia, vamos melhor ainda mais em vendas. Mas tá dando muito certo”, conta Julia.
Entre tantos males provocados pela pandemia, um ponto destoa dessa curva e surge como algo positivo dentro da economia brasileira, que é justamente o crescimento do comércio eletrônico. Segundo o Movimento Compre&Confie, que reúne várias lojas do varejo brasileiro para a transformação do mercado digital, o e-commerce foi ampliado em 56,8% no ano passado se comparado aos primeiros meses de 2019. A América Latina foi, pela primeira vez, a região de maior destaque em relação ao crescimento do comércio eletrônico, registrando um aumento de 36,7%, de acordo com dados levantados neste ano pela eMarketer.

A explosão de novas lojas focadas no comércio eletrônico fez com que o Sebrae, em Sergipe, estendesse suas ações de suporte e consultoria para empresários desse segmento. “A gente acelerou a criação de conteúdo, porque antes a gente tinha serviço enquanto consultoria, ou seja, uma loja que queria vender no digital, tinha consultoria personalizada pra ela. Mas, com a pandemia, muitos precisaram aprender sobre o comércio digital com o carro andando. Ou vendia ou fechava a loja. Então a gente começou a produzir conteúdo de apoio”, explica o analista de dados e tecnologia e gestor de transformação digital do Sebrae/SE, Carlos Castro.
O especialista explica que apesar de consolidado e com grande potencial, o comércio digital exige certa preparação dos empresários. “É preciso avaliar investimento sempre, saber mensurar resultado, alavancar postagens no ponto certo, para que não gastar mais que o suficiente naquela publicação, ter um designer bem feito. Esses são diferenciais para alcançar e atrair clientes”, pontua Castro.
As cifras envolvidas no comércio eletrônico já indicam que em breve, o online será o principal meio de compra do brasileiro. Um estudo da E-bit|Nielsen, empresa de mensuração e análise de dados, demonstra que em 2021 as vendas online tendem a continuar em crescimento. O levantamento prevê que o e-commerce deve crescer 26%, atingindo um faturamento de R$ 110 bilhões. Só no Sebrae em Sergipe, a procura de empresas por consultoria para sites, e-commerce e aplicativos saltou de 65 para 178, entre 2019 e 2020, quando registrado o início da pandemia, um aumento de 273%.
Para Érika e Júlia, que decidiram empreender já no ramo digital, a vontade de ter uma loja física ficou no passado. “No momento não temos a pretensão de investir em loja física. Eu costumo dizer que quem não está na internet, não está em lugar nenhum. É como se fosse uma lista telefônica de antigamente, que quando queríamos alguma coisa, nós íamos procurar o telefone de determinada loja, e acredito que o instagram funciona dessa forma. Quando quero procurar loja de algum segmento específico, vou para essa plataforma. É por essa percepção que não tenho pretensão de abrir loja física”, finaliza Érika Gomes.
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