Sergipe e a hora do futuro

Na sexta-feira, 27, Fábio Mitidieri recebeu a presidente da Petrobras, Magda Chambriard: um grande passo pra Sergipe

Há momentos em que a história de um Estado parece condensar-se em poucos dias. Isso é feito às vezes sem alarde excessivo, mas com força simbólica suficiente para revelar que algo mudou de patamar. A semana em que o governador Fábio Mitidieri anunciou novos investimentos da Eneva e, em seguida, recebeu a presidente da Petrobras para a assinatura do protocolo de intenções voltado à venda antecipada do gás do projeto Sergipe Águas Profundas foi um desses momentos.

Não se tratou apenas de uma sucessão de agendas administrativas. O que se viu foi a afirmação de uma direção. Sergipe começa a consolidar, de forma cada vez mais nítida, uma vocação estratégica que pode redesenhar sua economia: transformar sua riqueza energética em base concreta para o desenvolvimento, a industrialização e a geração de empregos.

Esse é o ponto central. Durante décadas, o Brasil acostumou-se a conviver com territórios abundantes em potencial, mas pobres em capacidade de conversão. Havia recurso, havia localização, havia oportunidade e, ainda assim, faltava o elo decisivo entre promessa e realização. Porque desenvolvimento não nasce automaticamente da existência de ativos. Ele depende de visão pública, de coordenação institucional, de confiança econômica e, sobretudo, de liderança política capaz de compreender o tempo histórico.

É precisamente aí que Sergipe parece viver uma inflexão. Os novos investimentos anunciados pela Eneva não representam apenas a ampliação de um empreendimento energético. Representam algo maior: o fortalecimento de uma plataforma produtiva capaz de irradiar efeitos sobre a construção civil, a logística, a prestação de serviços, a cadeia de fornecedores, a qualificação de mão de obra e a atração de novos negócios.

Grandes investimentos nunca se encerram em si mesmos. Quando bem inseridos em uma estratégia estadual, eles se tornam centros de gravidade econômica. Organizam fluxos, movimentam o mercado, reconfiguram expectativas e criam ambiente para novos ciclos de expansão.

Na mesma linha, o avanço das tratativas em torno do gás do SEAP projeta Sergipe para um lugar ainda mais relevante no mapa energético nacional. O Estado deixa de ser apenas detentor de um ativo promissor para afirmar-se como território competitivo, capaz de participar das grandes decisões que moldarão a economia da energia no Brasil nos próximos anos. E energia, neste caso, não é um tema setorial. É infraestrutura do desenvolvimento. É base para a indústria. É fator de atração de capital. É elemento de soberania econômica regional.

Mas nenhum ciclo virtuoso se sustenta apenas pela presença do investimento privado. O capital observa oportunidades, mas também exige chão firme. E é justamente nesse aspecto que o atual momento sergipano revela sua consistência. O que está em curso não é apenas a chegada de empreendimentos robustos, mas a construção prévia de um ambiente favorável à sua instalação e expansão.

Isso inclui, de forma decisiva, os investimentos públicos em infraestrutura. Um Estado que melhora suas condições logísticas, amplia sua capacidade operacional, cuida de suas conexões territoriais e organiza seus corredores de circulação não está apenas realizando obras: está diminuindo custos, aumentando eficiência e enviando ao mercado um sinal de maturidade. Infraestrutura, no fundo, é linguagem econômica. Ela comunica seriedade, preparo e visão de longo prazo.

Outro momento marcante pra Sergipe: Fábio Mitidieri e Lino Cançado, presidente da Eneva, exibem projeto de nova Usina Termelétrica de R$ 7 bi

Inclui também a aposta na qualificação profissional. Porque não existe projeto genuíno de desenvolvimento quando a população local permanece à margem das oportunidades que são criadas. O verdadeiro êxito de um ciclo econômico não se mede apenas pelo volume investido, mas pela capacidade de fazer com que esse investimento encontre, no próprio território, trabalhadores aptos a ocuparem os novos espaços produtivos.

É aí que a ação do Estado ganha profundidade social. Ao investir em qualificação, Sergipe não apenas prepara pessoas para o mercado. Prepara o mercado para incorporar sua própria gente. E inclui, ainda, um aspecto que raramente ganha o destaque merecido no debate público, mas que é absolutamente central: a solidez fiscal.

Em um ambiente nacional frequentemente marcado por incertezas, um Estado que preserva equilíbrio nas contas, transmite previsibilidade institucional e demonstra capacidade de planejamento torna-se, naturalmente, mais atrativo. A confiança não é um detalhe da economia; ela é uma de suas condições fundamentais. Não há investimento duradouro onde reina improviso. Não há transformação estrutural onde falta credibilidade.

Por isso, o protagonismo do governador Fábio Mitidieri neste processo merece ser reconhecido. Não por personalismo, mas por aquilo que a boa análise institucional recomenda: compreender o papel da liderança na produção de contextos favoráveis. Há governantes que administram a rotina. Outros procuram interpretar o seu tempo e organizar o Estado em torno de oportunidades concretas.

Ao articular grandes players do setor energético, manter o foco em responsabilidade fiscal, fortalecer a infraestrutura e apostar na qualificação profissional, Fábio Mitidieri ajuda Sergipe a construir uma narrativa de futuro ancorada em bases materiais reais. E isso faz toda a diferença.

Porque, ao fim, não estamos falando apenas de gás, usinas ou protocolos. Estamos falando do tipo de economia que Sergipe deseja ser. Estamos falando da possibilidade de consolidar uma matriz de crescimento mais sofisticada, com maior densidade produtiva, mais capacidade de atração industrial e melhores condições de geração de emprego e renda. Estamos falando de um Estado que pode deixar de ser apenas promissor para tornar-se decisivamente estratégico.

Há, sem dúvida, uma janela histórica diante de Sergipe. Aproveitá-la, exigirá continuidade, inteligência institucional e capacidade de alinhar investimento, planejamento e inclusão produtiva. Mas o fato essencial é que os sinais já estão dados. O Estado começa a demonstrar que tem ativos, tem direção e tem governo. Em tempos de descrença fácil, isso não é trivial.

Sergipe vive, talvez, uma de suas horas mais promissoras. E o que torna esse momento verdadeiramente relevante não é apenas a escala dos números envolvidos, mas a qualidade do horizonte que se abre. Quando energia, infraestrutura, equilíbrio fiscal e qualificação convergem sob uma mesma estratégia, o desenvolvimento deixa de ser abstração. Ganha corpo. Ganha lastro. Ganha sentido social. E aí então o futuro deixa de parecer distante. Passa a ter endereço, método e começo.

 

 

 

https://jlpolitica.com.br/articulista/27/sergipe-e-a-hora-do-futuro

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