O popular ditado ‘não tem onde cair morto’, em um contexto triste e lamentável, se encaixa perfeitamente para a população do município de Cristinápolis, distante 125 km de Aracaju, localizado no Sul Sergipano. A cidade que faz fronteira com a Bahia tem apenas um cemitério público, localizado na Praça da Bandeira, no centro do município, onde já não há mais espaço para sepultar os cidadãos cristinapolenses. Quem morre na cidade, depende de jazigos das famílias ou de alguma exumação de última hora para poder ser sepultado. Caso contrário, o enterro é feito em cidades vizinhas.
O morador do município, Ian Souza, conta que o cemitério da cidade tem sido uma dor de cabeça há anos para as famílias que precisam sepultar algum familiar. “É uma situação que há muito tempo vem se agravando. Desde 2008 estamos nessa problemática, com falta de espaços, e piora a cada dia. É um cemitério que foi construído em 1897, ampliado em 1974. Houve nova reforma em 1993, e hoje já não tem mais espaço. Hoje é fazendo exumação para poder realizar outros sepultamentos”, conta o estudante universitário.

O problema também já é de conhecimento da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) que, a pedido do Ministério Público de Sergipe, realizou uma inspeção no local e identificou uma série de irregularidades no cemitério, como inumações diretamente no solo; gavetas abertas; disposição irregular de resíduos oriundos das exumações e dos sepultamentos, aumentando assim a proliferação de vetores; resíduos de construção das carneiras; vegetação próxima aos jazigos, o que não é recomendável devido à capacidade das raízes provocarem danos aos túmulos, dificultando sua conservação; obstrução da passagem entre as lápides, impossibilitando a circulação por conta da proximidade entre elas; e inumações feitas diretamente no solo sem a impermeabilização recomendada pela legislação CONAMA.
No relatório de fiscalização, a Adema também informou que por se tratar de uma atividade com alto impacto ambiental, seria necessário o impedimento de novos sepultamentos, para construção de novas sepulturas, relocação de jazigos e exumação de corpos. A situação seria discutida em reunião extrajudicial no Ministério Público de Sergipe no mês de junho, mas o encontro foi remarcado, por causa dos pontos facultativos das datas festivas do período junino. Por meio de nota, a Adema informou que encaminhou ao MPSE e à Prefeitura de Cristinápolis, o Relatório de Fiscalização Ambiental (RFA), juntamente com todo o check list necessário para fazer a regularização ou a ampliação do cemitério.
Nossa reportagem conversou com o secretário de Obras do município de Cristinápolis, que reconheceu os problemas no cemitério da cidade. O gestor afirmou que está em andamento um projeto para ampliação do cemitério. De acordo com o engenheiro responsável pelo projeto, Matheus Donato, a nova área terá 970 m² e será apenas para sepultamentos em vertical, com construção de três blocos somando 516 novas gavetas. A expansão compreende o avanço do cemitério para a rua Paulo de Menezes. Ainda segundo o engenheiro, o Município está em fase de preparo da documentação para protocolar o processo na Adema.
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