POR CARLOS BATALHA: O CARNAVAL, O VÍRUS, E O VAZIO!

Quem me conhece sabe como sou carnavalesco. Desde a minha infância e adolescência em Salvador, sempre participei ativamente dos carnavais, brincando em bloco e curtindo as ruas e avenidas. Hoje fiz uma viagem pelo túnel do tempo.

Reinaldo Moura e o irmão WilsonNa foto: Batalha, o “bigodon” Reinaldo Moura e o irmão Messias Moura

Hoje acordei com um vazio imenso no peito. Um vazio inexplicável. Uma tremenda vontade de chorar.
Fiquei a me perguntar o porque deste vazio.
Fiz uma viagem pelo túnel do tempo para ver se encontrava o motivo de um vazio angustiante.
Comecei pela noite anterior e me lembrei que dormir bem a noite inteira.
Lembrei-me do dia de ontem e cheguei a conclusão que fora tranquilo.
E a semana como foi? Positiva respondi para mim mesmo.
E a saúde como vai ? Vai bem, também respondi.
Será algum problema de relacionamento familiar? Meu subconsciente respondeu que não.
Então porque do vazio?
Fui fazer uma retrospectiva no trabalho.
Só encontrei fatos positivos.
Mas o danado do vazio continuava ali me perturbando.
O vazio só aparece dentro de si quando lhe falta algo.
Crise conjugal, estremecimento familiar, desemprego, dificuldades financeiras são as causas, mas como já falei, está tudo dentro dos conformes.
E o vazio como descobrir o motivo?
Saio caminhando,vagando dentro de casa, e de repente meus olhos se detém em um calendário (coisa que praticamente não existe mais). Vou conferir a data de hoje e tomo um susto. 13 de fevereiro.

Estava ali nesse calendário, a razão do meu vazio.
O calendário marca, mas pela primeira vez na vida um calendário é desobedecido.
25 de dezembro é Natal
01 de janeiro é Ano Novo
24 de junho é São João
7 de setembro é independência.
Hoje 13 de fevereiro carnaval. Achei o motivo do vazio.

O meu coração dispara, e de repente, como que entrando em transe volto mais uma vez ao passado. Me vejo vestido com uma fantasia dos Internacionais, ouço nitidamente o som do Chiclete, mais atrás o batuque do Olodum, os clarins dos filhos de Gandi.
Termino meu desfile onde distribuir dezenas de fitinhas e agitei a minha mamãe sacode diante dos aplausos de milhares de foliões que aplaudiam a nossa passagem em pé sobre bancos e cadeiras distribuídos ao longo da Avenida Sete.
Cansado, mas ainda desfilando com um orgulho no peito, volto para os bancos da loja “A Norma”, acompanhado dos meus primos Eduardo e Genarinho.

No detalhe: mãe de Carlos Batalha de viseira

Iríamos agora ouvir os elogios de quem era o melhor bloco, a melhor fantasia, o melhor cantor. Enfim os comentário e sobre a festa.
Lá estavam minha mãe Nelia, minhas tias Perpétua, Idene e Candeias, minhas irmãs Sheila, Ana, Tamara e Tarita, primas como Leninha, Lucinha e Celina e alguns outros convidados. Uma sensação indescritível.
O vazio tinha passado.


De repente, a viagem ao passado acaba, minha família não está mais lá, o banco também não e chego a conclusão que esse passado não voltará jamais.

O vazio volta, as lágrimas correm no meu rosto, porque além do passado não voltar mais, hoje o calendário está sendo desobedecido, porque não posso ouvir os trios, não consigo ver os artistas, os ambulantes não venderão suas cervejas, os músicos não ganharão seus cachês, porque um miserável vilão, um virus foi mais forte do que tudo e todos, vencendo essa querra de momento,e conseguiu afastar das avenidas e ruas a alegria e um mundo mágico de fantasia que duraria até quarta-feira.
Só me resta agora procurar preencher este imenso vazio e cantar com o poeta
“Eu queria que essa fantasia fosse eterna, sabe um dia a paz vence a guerra, e viver será só festejar”.

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