Pandemia reduz mais de 290 mil procedimentos médicos do SUS em Sergipe

Com a necessidade de concentrar esforços no enfrentamento à pandemia da covid-19, mais de 290 mil procedimentos ambulatoriais eletivos deixaram de ser realizados em Sergipe no ano passado, conforme levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

O dado leva em consideração procedimentos que não são de emergência, como exames e consultas, a partir do volume de atendimentos registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS), realizados entre março (primeiro mês da pandemia no Brasil) e dezembro de 2020, com o mesmo período de 2019.

Na rede pública sergipana, o número caiu de 839.838 para 549.784, resultando numa diminuição de 290.054 procedimentos. Em termos percentuais, a redução foi de 35%.

Sergipe teve a terceira maior queda da região Nordeste, embora tenha sido o Estado que menos deixou de realizar procedimentos, em termos absolutos. No Brasil, o sistema foi impactado, ao todo, com quase 27 milhões de procedimentos a menos. Das 27 Unidades Federativas, apenas Amapá e Distrito Federal registraram aumento no intervalo analisado.

Pandemia reduz mais de 290 mil procedimentos médicos do SUS em Sergipe

O CFM aponta que, de forma geral, o impacto negativo foi mais drástico durante os dois primeiros meses após a decretação de calamidade pública. “Em abril e maio do ano passado, a pandemia baixou pela metade os atendimentos eletivos oferecidos pelas mais diversas especialidades médicas”, explica.

Entre os serviços mais impactados pela redução, o CFM indica procedimentos oftalmológicos e de diagnóstico por imagem, além de exames de monitoramento de doenças respiratórias e metabólicas e outros preventivos contra o câncer, como mamografia e Papanicolau.

Necessidade de realocar leitos para tratar a nova doença e medo da contaminação em ambiente hospitalar, para Gleydson Borges, mestre do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), esses foram os principais motivos que levaram à queda na quantidade de procedimentos.

Porém, o isolamento prolongado sem assistência médica também piorou a condição de saúde de muitos pacientes. Com o retorno gradual aos atendimentos, os médicos precisam lidar com o agravamento de casos que, inicialmente, eram considerados simples. “Vários pacientes que deveriam ser tratados no momento certo não foram e estão nos procurando com quadros mais graves”, relata em entrevista ao Diário do Nordeste.

Com o represamento, o cirurgião também nota o descompasso da capacidade de o sistema absorver a demanda. Borges estima que a normalização dos serviços a um fluxo regular ainda demore de quatro a seis meses, reforçando que os profissionais de saúde “têm consciência” das situações em que esse prazo possa ser diminuído.

 

*Com informações do Diário do Nordeste

Edição de texto: Monica Pinto

 

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