Mercado Livre de Energia: com proposta sustentável e econômica, modalidade vive expansão entre empresas

Já neste início de 2021 muitas empresas de médio e grande porte iniciaram uma corrida para migrar do Mercado Cativo de Energia (regulado) para o Mercado Livre (MLE), já que essa modalidade de consumo enérgico praticamente se consolidou nos últimos anos e deve viver uma expansão mais robusta ao longo dos próximos meses. A sustentabilidade e a economia na ponta do lápis são os principais benefícios que fazem do Mercado Livre um aliado dos empresários que pagam mais de R$ 60 mil com energia elétrica no final do mês.

De acordo com a engenheira especialista em Gestão Ambiental da LJ Soluções em Engenharia, Layse Silva, quem tem migrado para o MLE tem obtido economia que varia de 20% a 60% com energia em suas empresas, considerando os gastos característicos do Mercado Cativo, ou seja, energia fornecida pelas distribuidoras convencionais de cada região.

“No mercado convencional, o consumidor paga pela distribuição, pela transferência, pelo imposto e pela própria tarifa da energia. Já no Mercado Livre, todos os três primeiros itens deixam de ser custo, porque o consumidor negocia a energia diretamente com o gerador, definindo preço e prazo, moldando o perfil do cliente de acordo com o consumo, pagando apenas pela tarifa”, explica Layse.

Além da economia no orçamento da empresa, o Mercado Livre de Energia, por regra, só negocia energias renováveis de usinas eólica, solar e de biomassa – estimulando a sustentabilidade no setor e na relação de consumo com as principais empresas do país.

Energia solar é uma das fontes renováveis negociadas dentro do Mercado Livre de Energia

Como funciona

O Mercado Livre de Energia é operado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Segundo a entidade, de 2019 para 2020, o MLE registrou crescimento de 2,8%, enquanto o Mercado Cativo, das distribuidoras convencionais, registrou queda de 3,4%.

Para migrar para a MLE, por enquanto, a empresa precisa ser do chamado grupo A, de alto consumo energético, acima de 500 kW. “A partir daí é preciso saber se o consumo de energia da empresa será local ou remota, analisar a margem de lucro, saber quanto à empresa paga hoje para o Mercado Cativo e então definir o percentual de desconto no novo mercado”, detalha Layse.

A engenheira esclarece que como a negociação é feita direto com o gerador da energia, a melhor alternativa para as empresas consumidoras é que busquem um serviço de consultoria para migrar para o Mercado Livre de Energia. “Existem várias empresas que hoje fazem esse trabalho de consultoria de migração para o MLE, como é o caso da LJ Soluções em Engenharia ou o proprietário pode se tornar um agente da CCEE e se habilitar para participar dos leilões, mas requer mais conhecimento técnico sobre o assunto. A melhor alternativa é negociar com os agentes comercializadores da CCEE, que são empresas que participam dos leilões para os clientes e fazem as compras da melhor forma para seu grupo consumidor”, detalha Layse.

Engenheira em Gestão Ambiental da LJ, Layse diz que modelo de mercado livre de energia ‘veio para ficar’

No MLE, o consumidor pode comparar e aceitar a proposta que ofereça o melhor custo-benefício, obtendo um contrato personalizado conforme o perfil de carga e a sazonalidade necessários. Em geral, o fornecimento é de até cinco anos. O pagamento é feito por meio de uma fatura emitida pelo comercializador. Se a empresa não usar toda a energia que comprou, pode obter autorização da Aneel para comercializar o excedente com outros agentes também inseridos no mercado livre.

A distribuição da energia adquirida pela empresa consumidora requer apenas um medidor de energia ao padrão especificado pela CCEE, com instalação de sistema de telemetria para medição remota dos dados. A distribuição é feita pela estrutura já existente e utilizada pelo setor convencional.

Para Layse, essa é uma modalidade de consumo energético que veio para ficar. “A grande vantagem é essa união entre sustentabilidade e economia. Se no mercado cativo as empresas têm que comprar da concessionária da região, no mercado livre a aquisição fica à escolha do fornecedor, com livre negociação de preço e prazo, diretamente com o gerador. Quem entra no mercado livre, não quer sair mais”, frisa.

Expansão

A expectativa é que ainda em 2021 o Projeto de Lei do Senado (PLS) 232/2016, no Congresso, intitulado de “marco do setor elétrico”, torne o mercado livre ainda mais amplo. A expectativa é que empreendimentos de menor porte e até residências, no futuro, possam optar pelo mercado livre de energia.

 

Home

Deixe uma resposta