O delegado André David, candidato ao Senado por Sergipe pelo Republicanos e líder nas pesquisas eleitorais, gravou um vídeo nesta sexta-feira (18) para responder à Operação Pecúnia, deflagrada mais cedo pela Polícia Civil. Embora nem a nota oficial nem o vídeo distribuído pela corporação citem seu nome, a repercussão na imprensa e mensagens que circularam nas redes associando o candidato à investigação levaram André David a se manifestar publicamente.

“Vou te mostrar os fatos, um por um, com prova. E no final, você decide”, afirma o delegado logo na abertura do vídeo, gravado em tom firme e sem cortes de edição. André David chama atenção para o momento em que a operação foi deflagrada: 15 dias antes da eleição e dois dias depois de a Polícia Federal apreender R$ 500 mil com um ex-prefeito aliado do governo do Estado, ligado a contratos com a Secretaria de Saúde. “É coincidência? Ou é cortina de fumaça?”, questiona no vídeo, associando a operação a uma tentativa de desgaste eleitoral de última hora contra a candidatura que lidera as pesquisas ao Senado.
Vazamento
O candidato também destaca que, segundo ele, nenhum documento do inquérito o relaciona a atos investigados, e que seu nome não consta na nota nem no vídeo oficiais da Polícia Civil. Ainda assim, afirma que, por volta das 6h da manhã — antes de qualquer divulgação oficial —, um radialista já disparava mensagens em sua lista de transmissão associando a operação a ele e a uma parente. “Se não há meu nome no inquérito, por que meu nome apareceu primeiro nas redes?”, questiona.
O ponto mais duro do vídeo é a contestação de uma informação divulgada pela própria Polícia Civil. Segundo a corporação, um contrato de R$ 1.730.631,50 teria sido assinado “poucas horas antes” da apreensão de dinheiro ocorrida em 23 de junho, num suposto indício de irregularidade. André David apresenta o documento — o Contrato nº 0029/2026, oriundo do Processo nº 129.816/2025 e do Pregão Eletrônico nº PE0096/2025 — e afirma que ele foi assinado pela secretária de Educação em 25 de junho, às 12h01, ou seja, dois dias depois da apreensão, e por meio de processo licitatório regular. “Inverteram a ordem dos fatos”, diz o delegado, que também questiona por que a operação cita “contratos firmados de forma direta” quando o próprio contrato mencionado passou por pregão eletrônico.
Solidariedade
André David expressou solidariedade à prefeita Emília Corrêa, cuja gestão também estaria sendo atingida pela operação, já que o contrato apontado como suspeito foi firmado, dentro da lei, pela Secretaria de Educação do município administrado por ela. “Quero deixar aqui minha solidariedade à prefeita Emília Corrêa e a toda a sua equipe. Esse mesmo contrato, apontado como se fosse irregular, foi assinado dentro da lei pela Secretaria de Educação da gestão dela. A gestão da prefeita também está sendo salpicada por uma acusação que não se sustenta nos próprios documentos oficiais. Ela merece respeito e respostas, não insinuação”, afirma o delegado.
Perguntas sem resposta
No vídeo, André David cobra da Polícia Civil esclarecimentos sobre o motorista que, segundo a investigação, entregou o dinheiro apreendido em 23 de junho a bordo de um veículo BYD. Ele questiona por que o motorista não foi identificado publicamente, por que não teve o celular apreendido e por que o carro não foi retido no momento do flagrante.
“Essa eleição não vai ser decidida por quem grita mais alto ou vaza mais rápido — vai ser decidida pela verdade”, disse, ao final do vídeo.
POR ASCOM/ANDRÉ DAVID
Foto: Italo Amorim



