Advogada, 42 anos, mãe três vezes e já avó, Luciana não é apenas uma rostinho bonito a carregar o sobrenome Déda e a ter pretensões políticas para este ano eleitoral. Ela é uma técnica que tem deixado há oito anos boas impressões digitais por onde passa no serviço público estadual sergipano.
E passou por áreas ásperas e carrancudas, marcadas por mandos e atitudes masculinas, como a Secretaria de Estado da Justiça na função de adjunta, onde visitava o sistema prisional, o Detran, no qual chegou a ser a primeira mulher a presidi-lo, até chegar à Presidência do Instituto Parreiras Horta, instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde.
Luciana é uma Déda bisneta e sobrinha de políticos. É bisneta do múltiplo Zeca Déda – deputado constituinte na metade do século passado, jornalista, xilogravurista e um dos primeiros rábulas de Sergipe -, e sobrinha carnal do ex-deputado e ex-governador Marcelo Déda.
Luciana Déda não tem negado a ninguém que pensa em neste 2022 tentar dar umas braçadas num mar em que a família dela nada muito bem – o da política. O da disputa eleitoral. Aliás, frente aos fatos políticos, à teorização da política e da importância da prestação dos serviços públicos, ela é uma figura bem desenvolta. É muito senhora de si – meio parecida com o tio.
“A política para mim é um meio de exercitar a cidadania completa. Eu não seria uma cidadã completa se não fosse um ser na plenitude política. Eu luto por uma sociedade correta e mais humana para todos, inclusive para os meus filhos e para os filhos e netos de outras mães e avós que lutam sozinhas também. Eu vejo a política como um meio de garantir o bem para todos”, teoriza.
Pela vivência na área, pelos serviços que têm prestado, Luciana Déda se coloca disponível, dentro do grupo governista, a ser testada nas urnas. “Se o grupo precisar de mim para disputar a Vice-Governadoria, estou à disposição. Se o grupo precisar de mim para disputar mandato de deputada estadual, estou à disposição. Eu não tenho uma ambição específica por este ou aquele mandato. A minha visão é a de somar com o grupo. Minha pretensão é a de servir ao povo de Sergipe, sendo leal a um grupo que sempre foi leal a mim”, diz ela.
“Meu nome está à disposição do grupo liderado pelo governador Belivaldo Chagas. Sou uma soldado desse grupo e creio que tenho muito a acrescentar, no sentido de que tenho serviço prestado. Eu tenho pretensão de estar no cenário político deste 2022 naquilo que o grupo achar melhor para o projeto coletivo. Acho que posso fazer a diferença em relação a ter uma visão humanizada dos problemas da população, de ser uma mulher aguerrida que presta serviços”, afirma a moça.
“Tenho DNA político. Sou bisneta de Zeca Déda, sobrinha de Marcelo Déda, filha de Edson Ulisses de Melo, que foi e é um aguerrido em favor dos direitos humanos, e de Maria do Carmo Déda, uma advogada militante. Quando ela e meu pai começaram a namorar, tio Marcelo era um jovem e na formação dele tem muito da participação dos meus pais”, reforça Luciana Déda. Ela é tida na família como muito determinada. Obstinada, às vezes.
Marcelo Déda visto por Luciana Déda: “Eu sou dedista, porque ele foi um dos meus inspiradores”Essa tal “visão humanizada dos problemas da população” Luciana Déda admite que tem angariado bem nos espaços públicos que ocupou na grade dos serviços do Estado. “Eu passei pela Secretaria de Estado da Justiça como secretária adjunta, onde visitava os presos – sempre gostei de ser atuante e nunca exerci cargos a partir da própria sala de trabalho. Depois fui para o Detran como diretora de Atendimento, onde fiquei por quatro anos, fui a primeira mulher sergipana presidente do Detran, e a seguir recebi um convite para ser diretora geral da Fundação Parreiras Horta”, revela. E lá está.
Em todas as ações desenvolvidas nesses espaços, pontua Luciana Déda, ela teria sido uma voz bem acolhida e respeitada. “Veja que eu trabalhei em órgãos de predominância extremamente masculina, o nosso sistema prisional e o Detran, onde sofri para galgar o respeito que tive dos servidores. O governador Belivaldo Chagas me deu confiança e liberdade totais, principalmente durante a pandemia do coronavírus, ainda mais não sendo eu pessoa da área de saúde – sou uma advogada e gestora, mas gasto sobremaneira do serviço público”, diz.
“Fizemos um trabalho excelente de parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e o Ministério da Saúde, mas eu sentia plena confiança do governador nas decisões que eu tomava, pelo que agradeço, mesmo porque lealdade conta muito – eu aprendi de casa, desde menina e penso que uma pessoa que não é leal não serve para nada”, reforça Luciana.
Apesar dessa origem política e dos parentescos famosos, a advogada Luciana Déda nunca foi filiada a partido político algum. E tem uma justificativa plausível para isso. “Talvez se seu estivesse filiada a algum partido poderiam fazer uma ligação das minhas funções a uma quota política, quando nunca houve”, afirma.
“Eu sei da dificuldade da mulher no serviço público. Eu sou dedista, porque ele foi um dos meus inspiradores. Já que tenho sobrenome Déda, eu não queria associar a minha presença nesses órgãos de tanta importância a um viés político. Eu fui e sou uma gestora técnica que sempre quis respeitar a população, fazendo um trabalho de forma humana, aproximando a gestão das necessidades da população. Mas haverá uma filiação, sim. Temos esta semana para fazer uma filiação partidária. Eu tenho muito orgulho desse grupo político que me acolheu e me respeitou como técnica, como mulher, e que ouviu minhas opiniões”, diz ela.
E, portanto, é “a esse grupo político” que ela quer seguir nesse momento. “Nada mais justo de que neste momento em que recebi tanta credibilidade desses políticos que eu possa ouvir a opinião deles e estar à disposição deles. Há oito anos eu pertenço ao grupo governador Belivaldo, que sempre confiou bastante em mim e tem sido muito correto comigo”, afirma.
“Esta semana final de março é crucial para as conversas com o grupo, que hoje eu considero nas pessoas de Belivaldo Chagas e Fábio Mitidieri, que é o nosso pré-candidato ao Governo, do prefeito Edvaldo Nogueira, que é um nome forte, e de Laércio Oliveira, entre tantos. Considero que o nosso grupo têm vários nomes de peso, para os quais eu me coloco, respeitosamente, à disposição. São pessoas experientes, homens que entendem de política e, da minha parte, acho que tenho feito e fiz um serviço que eles reconheceram – e todos sabem a dificuldade da ação da mulher na política”, diz.
“Nunca me senti em segundo plano e agora eu estou à disposição o grupo no que eles decidirem. Tenho que somar neste projeto de construir um Sergipe bem melhor. Eu tenho tido orientações dessas pessoas que trazem muita experiência e o meu nome pode ser hoje um fiel de balança por eu ter esse histórico, por ter serviços prestados, por ser uma mulher e por estar a serviço do grupo seja para qualquer tipo de mandato. Eu entrego nas mãos de Deus o que seja melhor para minha vida, mas sobretudo para a vida da população”, afirma.
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