Em nome “da pátria, da família, da liberdade” e de Bolsonaro, Ismael Silva quer um lugar na Câmara Federal

Com um discurso de extrema direita, no qual pontuam promessas de cuidados com a pátria, a família, a liberdade, e batendo continência para o capitão presidente Jair Bolsonaro, PL, o ex-deputado estadual de três mandatos, alguns pelo PT, engenheiro Ismael Silva anuncia que vai ser candidato a deputado federal este ano, de novo.

Diz-se “candidato a deputado federal e de novo”, porque Ismael Silva vinha sustentando que seria candidato ao Senado, mas afirma agora que cede com alegria para o suposto projeto de candidatura da ministra Damares Alves ao Senado por Sergipe e, de novo, porque em 2018 ele disputou a Câmara Federal pelo PV.

Ali naquela eleição Ismael Silva jurava de pés juntos e com ótimos cálculos que seria o dono da oitava vaga de federal sergipana, mas obteve mirrados 745 votos, ficando num sugestivo 69º lugar. “Estou de volta! Pelo Brasil e por Sergipe! Por nossos filhos e netos!”, proclamou ele nesta segunda-feira, 28, em texto distribuído em suas mídias sociais.

Para isso, Ismael se filiou ao Patriotas, um partido direitista de fundo religioso. E promete voltar com um projeto graúdo. “Por respeito, disciplina e coerência, só me restava buscar apoiar com regozijo a candidatura da ministra na hipótese de confirmação e procurar outros caminhos, onde eu pudesse, com o meu compromisso patriótico e minha experiência, ajudar o projeto de Brasil do Governo Federal e a reeleição do nosso presidente Bolsonaro”, diz ele.

Mas Ismael Silva revela outra preocupação com sua eleição a deputado federal: “Ao tempo em que irei qualificar a bancada sergipana na Câmara Federal que, aliás, de há muito vem deixando a desejar, para recolocar Sergipe no lugar de destaque que sempre esteve frente aos outros Estados nordestinos. Chega de PIB negativo, que envergonha e humilha nosso povo nas oportunidades e no IDH social. Sergipe sempre foi, e com muito empenho voltará a ser, o oásis do desenvolvimento nordestino, graças às nossas incomensuráveis riquezas e potencialidades”, diz ele.

Na pauta do pré-candidato Ismael Silva, do Patriotas, a uma vaga no Congresso Nacional, não poderia falta o ódio bem comum aos direitistas renascidos das entranhas de Olavo de Carvalho nesses tempos bicudos. Por ódio, entenda a necessidade suprema de regular, senão banir, o Supremo Tribunal Federal – o STF – do universo social do país.

Em nome “da pátria, da família, da liberdade” e de Bolsonaro, Ismael Silva quer um lugar na Câmara Federal

“Não escondi de ninguém que a minha determinação seria um projeto de pré-candidatura a senador. Por uma razão muito grave: precisamos fazer uma maioria altiva naquela Casa para barramos os crimes praticados pelo STF. Inclusive, com impeachment de alguns ministros, flagrados em rasgar literalmente a lei maior do país”, diz ele.

Nesse desejo de Ismael Silva de esmagar o STF e seus ministros, ele faz acusações graves. “O que assistimos é um compadrio entre senadores corruptos e ministros do STF, uns acobertando os crimes dos outros, e vice-versa. Tentei amigos. Tentei, tentei e tentei uma vaga para disputar o Senado. Porém o bloqueio a bolsonaristas independentes é muito grande”, lamenta ele.

“Depois veio a notícia apresentada por várias fontes de que a ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, seria candidata a senadora por Sergipe. A mesma ministra que ainda esse mês, respondendo a indagação feita a mim, pelo brilhante jornalista Jozailto Lima de “Por que Bolsonaro deve ser reeleito?”, em meu texto de resposta está contido elogios a vários ministros, entre eles a ministra Damares, pelo excelente trabalho realizado à frente da sua pasta”, diz ele.

(Ismael assinou um texto de Opinião aqui nesta Coluna, no dia 21 de fevereiro deste ano, no qual fundamentava as razões pelas quais ele acha que Jair Bolsonaro deveria ou deverá ser reeleito presidente da República).

Mas Ismael Silva, que um dia lá em 1996 arrastou multidões de esquerdistas em nome de uma disputa pela Prefeitura de Aracaju em segundo turno com João Augusto Gama – ele pelo PT, com 86.367 votos, e Gama pelo PMDB, com 99.816 -, não tem o menor pudor de arrotar conservadorismo político atualmente.

Bem ao contrário. Ele se autodefine um “pré-candidato a deputado federal, pelo partido Patriota, que tem uma ideologia conservadora, clara e definida a favor das liberdades e do desenvolvimento”. Mas como diz ele mesmo, “cada cidadão responde por seus atos”. “Eu respondo apenas pelos meus”, justifica. Que assim seja.

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