Centro de Aracaju: modernização ou maquiagem que esconde um risco anunciado

Centro de Aracaju: modernização ou maquiagem que esconde um risco anunciado?

Emanuel Rocha*

Entre painéis e silêncio: quem fiscaliza e quem responderá se o pior acontecer no centro de Aracaju?

 

O centro de Aracaju não estaria vivendo hoje uma contradição evidente? De um lado, a força do comércio e a busca por modernizar fachadas. Do outro, uma ausência de padronização que chama atenção nas ruas Laranjeiras, João Pessoa e arredores, onde o número de envelopamentos cresce sem que se perceba, ao menos de forma clara, critérios técnicos uniformes. Estaria cada comerciante decidindo por conta própria como intervir na estrutura dos prédios?

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Essa liberdade não levantaria um alerta? Considerando que muitos desses imóveis são antigos, alguns com sinais visíveis de desgaste, infiltrações e limitações estruturais, a instalação de grandes painéis metálicos não estaria acrescentando cargas que talvez não tenham sido previstas? E o fechamento das fachadas não poderia reduzir a ventilação, favorecendo a umidade e acelerando processos internos que passam despercebidos por quem circula?

A forma de instalação não estaria agravando ainda mais o problema? Sem uma fiscalização rigorosa, essas estruturas não estariam sendo fixadas de maneira improvisada? Em períodos de chuva e vento, esses painéis não passam a funcionar como superfícies de forte pressão, com risco de se desprender ou até comprometer partes inteiras da edificação? E, diante disso, não estaríamos todos expostos a um perigo real que permanece oculto sob uma aparência moderna?

E se, diante desse cenário, uma estrutura viesse a ceder? Se um painel desabasse ou parte de um prédio fosse comprometida, especialmente com vítimas, quem seriam os responsáveis? A responsabilidade recairia apenas sobre o proprietário ou comerciante? Poderia alcançar também quem executou o serviço? Ou ainda, haveria espaço para questionar a atuação do poder público?

Órgãos como a Defesa Civil e a EMURB estariam realizando fiscalização efetiva diante desse cenário? Existiriam normas claras sendo aplicadas com rigor ou o que se vê nas ruas indicaria uma possível ausência de controle? Caso haja falhas, isso poderia ser interpretado como negligência?

No fim, a questão que permanece é inquietante: o centro de Aracaju estaria convivendo com um risco silencioso que só será plenamente reconhecido quando deixar de ser hipótese e se transformar em tragédia?

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