Alta da energia preocupa governo e reacende debate sobre adiar reajustes

Com a alta de alimentos e transportes provocada pela disparada do petróleo, o governo se prepara para lidar com mais um golpe sobre a renda das famílias: o reajuste das tarifas de energia elétrica.

Para evitar o impacto negativo que esse aumento na conta de luz pode trazer sobre o sentimento dos consumidores — que também são eleitores —, medidas para postergar o reajuste já entraram na pauta.

Uma delas seria a concessão de crédito para as distribuidoras, como forma de bancar os custos mais altos e permitir que as concessionárias deixem o repasse apenas para o ano que vem.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que, seguindo o padrão dos últimos anos, a conta de luz do brasileiro fique cerca de 8% mais cara neste ano — enquanto a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) está em 4,71%, segundo a última pesquisa Focus.

Essa conta considera os custos mais elevados de geração e transmissão de energia, além do peso dos tributos que compõem a tarifa.

Algumas distribuidoras já aprovaram reajustes bem mais altos. É o caso da Roraima Energia (24,13%), da Enel Rio (15,6%) e da Light (8,6%).

O tema ampliou a lista de preocupações do governo em um ano em que a inflação ameaça estourar o teto da meta. E em que o IPCA mais elevado impõe um indesejado processo de compressão orçamentária, especialmente nas famílias de menor renda: segundo pesquisa encomendada pelo Instituto Pólis, 36% das famílias brasileiras gastam mais da metade do orçamento mensal com energia elétrica e gás de cozinha.

Mas o que preocupa nessa história toda é que empurrar o reajuste para frente não resolve o problema. Ao contrário: tende a torná-lo maior adiante — e mais caro para o consumidor.

Para Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, já houve três experiências de postergação de reajustes de tarifas de energia, todas com desfecho negativo para o consumidor:

 

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lucinda-pinto/economia/macroeconomia/alta-da-energia-preocupa-governo-e-reacende-debate-sobre-adiar-reajustes/#goog_rewarded

 

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