Yandra Moura: “O aracajuano quer o básico bem feito. E eu sei como fazer isso”

Quem está olhando para a deputada federal Yandra Moura, União Brasil, no seu projeto de disputar a Prefeitura Municipal de Aracaju e visualiza nisso mais o pai dela, o ex-deputado federal André Moura, do que a ela mesma, pode estar incorrendo numa alta imprudência política. Num ato falho.

Não se quer, com isso, dizer que o projeto de Yandra não seja o de André também. O é. Quer-se, com isso, alertar que Yandra Moura pegou gosto pela coisa, tem lá sua musculatura política própria, por vezes até tromba com o próprio pai, e jogou nas ruas de Aracaju a nau das suas intenções eleitorais com um gosto e um planejamento que nenhuma das outras demais pré-candidaturas conseguiu fazê-lo até agora.

No terreno da sucessão de Aracaju, a impressão que Yandra Moura e o seu planejamento passam para observadores mais atentos é a de que quando as demais pré-candidaturas começarem a dar passos mais largos, ela já estará fazendo o caminho de volta. Já terá se inserido e prospectado muita coisa. Talvez o essencial para um sucesso.

E faz isso através de uma iniciativa política e comunitária chamada de Novos Caminhos para Aracaju. E que são, na verdade, novos cominhos para ela e para o seu projeto político-eleitoral. No começo desta semana, Yandra já tinha emplacado eventos-estudos em 11 bairros. É um tête-à-tête bem intimista.

Com essas andanças e prospecções, Yandra quer chegar à beira das convenções e da campanha propriamente dita cheia de conteúdos. “O que eu tento, o que eu pretendo e o que eu estou fazendo é uma política diferenciada”, avisa a moça que vai fazer 30 anos no dia 25 deste mês.

“Devo dizer que quando falam por aí que eu sou jovem demais, não acho que isso me entristeça. Ao contrário: isso me encoraja. Eu sou jovem demais, mas com responsabilidade suficiente para saber que a gente precisa fazer de diferente pela cidade e pelas pessoas”, reforça.

“E fazer diferente pela cidade e pelas pessoas não é apenas lançar um nome e dizer “eu vou fazer isso e aquilo” e tirar esse isso e aquele aquilo da minha cabeça. Porque de fato o que eu quero fazer por Aracaju é um mandato participativo como tenho feito no meu mandato de deputada federal”, diz Yandra.

Yandra Moura não se conforma, por exemplo, que a cidade de Aracaju esteja há menos de um ano de fazer os seus 170 de existência e nunca tenha tido uma mulher prefeita. “Não é algo normal. Que democracia é essa em que eu não me vejo representada? Mas anote aí: no 17 de março do ano que vem, quando a Aracaju fará os seus 170 anos, já teremos uma mulher prefeita”, avisa.
Ela diz que mesmo antes de fechar a prospecção geral do que tem sentido do aracajuano nesse tête-à-tête do Novos Caminhos para Aracaju já sente que as pessoas querem o básico. O elementar.

“O aracajuano não está querendo nada extraordinário, de anormal. Ele quer o básico bem feito. E eu sei como fazer isso. Eu estou pronta para atender a isso. Sou uma jovem que tem responsabilidade, que sei reconhecer e sei ouvir o que está bom e o que não está bom, e estou preparada para garantir que continuaremos com as políticas públicas que o aracajuano entenda como boas, como satisfatórias. Porque entendo que o que está feito o foi com dinheiro público e precisa continuar. A gente não precisa interromper o ciclo do que é bom”, diz ela.

Na manhã deste 2 de abril, Yandra Moura teve uma breve conversa com a Coluna Aparte sobre ela mesma, sobre sucessão, sobre o que pensa de política e de gestão de Aracaju e de outras ciosas mais. É recomendável que quem sabe ler que a leia.

Yandra Moura no Santo Antônio: aracajuano não quer nada de anormal

Aparte – O que é que esta iniciativa Novos Caminhos para Aracaju tem lhe mostrado do ponto de vista das realidades da capital sergipana?
Yandra Moura – 
Primeiro, é preciso dizer que a gente fez diversos projetos desde que assumimos o mandato de deputada federal nessa linha. Levando alegria e outras atividades para os bairros aracajuanos. Mas acho que esse formato do Projeto Novos Caminhos para Aracaju é o mais humano de todos, porque dá vez e voz para as pessoas, para que elas se sintam donas desse sentimento de pertencimento. Que elas sintam assim: “eu faço parte de um projeto. Eu estou construindo, também, um projeto. Quero falar, quero ter vez e voz nele”.

Aparte – E a prospecção final de tudo isso vai dar em quê?
YM –
 Bom, depois que a gente passar por todos os bairros, nós vamos entregar para a sociedade um documento com aquilo que as pessoas aracajuanas esperam para a Aracaju do amanhã. O que no Bugio se espera? Quais são as prioridades do Bugio? Quais as do Santo Antônio? As da Farolândia? Quais são as necessidades de cada comunidade? Preciso informar que na última segunda-feira nós completamos a visita ao 11º bairro de Aracaju nesta fase do Novos Caminhos para Aracaju.

Aparte – E o que a sociedade espera que a senhora incorpore como programa de pré-candidata, de candidata e, eventualmente, de um governo seu?
YM – 
Olha, posso lhe dizer que estou sentindo muitas coisas nesses bairros pelos quais já passei com os Novos Caminhos para Aracaju. É óbvio que não passei por todos, mas onde já estivemos as pessoas falam o que está bom, o que não está bom, não está satisfatório e o que precisa melhorar, e deu para perceber que o aracajuano não quer nada extraordinário. Quer uma educação bem feita, uma saúde que funcione, uma infraestrutura básica. O aracajuano quer uma mobilidade urbana que não o desgaste ao sair de casa. O aracajuano quer o básico bem feito.

Yandra Moura no tête-à-tête com os moradores da Farolândia: mobilidade sem embaraço

Aparte – Quem nasceu primeiro, foi a sua pré-candidatura a prefeita ou a iniciativa do Novos Caminhos para Aracaju?
YM –
 Foi a Novos Caminhos, não tenha dúvida. Desde o início, quando as pessoas falavam em uma pré-candidatura, meu discurso e a minha conversa sempre foram os mesmos: não sou pré-candidata. Estou indo aos bairros para entender o que as pessoas esperam.

Aparte – Mas a senhora acha que ter tido esse estalo de ir ao encontro dos aracajuanos e dos problemas deles lhe coloca em vantagem perante as demais pré-candidaturas do ponto de vista de estar próximo da comunidade?
YM – 
O que eu tento, o que eu pretendo e o que eu estou fazendo é uma política diferenciada. Devo dizer que quando falam por aí que eu sou jovem demais, não acho que isso me entristeça. Ao contrário: isso me encoraja. Eu sou jovem demais, mas com responsabilidade suficiente para saber o que a gente precisa fazer de diferente pela cidade e pelas pessoas. E fazer diferente pela cidade e pelas pessoas não é apenas lançar um nome e dizer “eu vou fazer isso e aquilo” e tirar esse isso e aquele aquilo da minha cabeça. Porque de fato o que eu quero fazer por Aracaju é um mandato participativo como tenho feito no meu mandato de deputada federal. No mais, não sou eu que tenho que dizer ou entender se isso me coloca em vantagem ou não perante outros pré-candidatos. O que posso dizer é que eu acredito que estou sendo bem pé no chão.

Yandra Moura no Bairro América: fala que eu te escuto

Aparte – A senhora acredita nessa conversa geral do discurso de gênero, de que os aracajuanos querem uma mulher prefeita? Ou acha que não basta ser mulher?

YM – No que diz respeito a isso, acredito que sim. Acredito que o aracajuano quer uma mulher prefeita. Digo mais: não acredito que seja somente o aracajuano. O Brasil inteiro está nesse movimento. É um movimento de país. Por que? Porque todo mundo está entendendo que com a mulher na política os direitos humanos são mais bem postos à mesa. A mulher é senhora de uma sensibilidade maior para as coisas que realmente importam. Por exemplo: a gente tem um dado lá no Observatório da Mulher na Política em que os municípios que são geridos por mulheres têm uma saúde pública mais bem avaliada. Porque a mulher é mais sensível. A mulher não precisa passar por uma dor e por sofrimento para entender que aquilo ali é importante. Ela entende do cuidar de uma maneira original.

Aparte – A cidade de Aracaju fez recentemente 169 anos sem ter tido uma mulher prefeita. Isso é algo normal?
YM – 
Não é algo normal. Que democracia é essa em que eu não me vejo representada? Mas anote aí: no 17 de março do ano que vem, quando a Aracaju fará os seus 170 anos, já teremos uma mulher prefeita.
Aparte – Mas a senhora acha que, eventualmente eleita a prefeita, a senhora tem entourage, tem grupo, para fazer um governo? Ou você vai ter que puxar dos grupos tradicionais nomes técnicos para a composição desse eventual governo?
YM – 
A gente já tem formado pessoas. Para poder esboçar esse Novos Caminhos para Aracaju e o que vem de fruto dele, a gente tem uma boa equipe técnica por trás. As pessoas dizem o que precisam e essa nossa equipe já está estudando para a viabilidade do processo e do que vai acontecer. Já deu para perceber que há o que as pessoas esperam e existem as finanças de Aracaju e suas capacidades. E veja o que é bom nisso: graças a Deus, o que as pessoas esperam está dentro das reais possibilidades de Aracaju. Então a gente já tem a equipe técnica na compreensão disso. Obviamente que a gente vai sempre procurar os melhores nomes para compor um governo frutífero.

Sensatez: Yandra Moura reconhece Emília Correa na liderança hoje: mas a eleição não é hoje

Aparte – Por que a senhora acha que merece o voto de prefeita do aracajuano e da aracajuana?
YM – 
Primeiro, porque eu sou uma jovem que tem responsabilidade, que sei reconhecer e sei ouvir o que está bom e o que não está bom, e estou preparada para garantir que continuaremos com as políticas públicas que o aracajuano entenda como boas, como satisfatórias. Porque entendo que o que está feito foi com dinheiro público e precisa continuar. A gente não precisa interromper o ciclo do que é bom. E tenho responsabilidade suficiente para estudar, sentar na cadeira de prefeita e sair com novos projetos que sejam bons para o que o aracajuano espera de transformação. O aracajuano, como eu disse, não está querendo nada extraordinário, de anormal. Ele quer o básico bem feito. E eu sei como fazer isso. Eu estou pronta para atender a isso.

Aparte – A senhora não acha que o aracajuano está querendo mais a Emília Corrêa do que a sua pessoa?
YM –
 Neste momento, acho sim. Neste momento, segundo as pesquisas, ela lidera. Mas a eleição não é neste momento, e lá na frente certamente esta realidade será mudada.

 

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