“Foi necessário eu perder minha esposa para que eles pudessem tomar providências”. Essa foi a fala proferida por Jamisson Silva, esposo de Nadja Maria Silva Bispo Aranha, uma das vítimas que vieram a óbito após um icêndio atingir a ala destinada ao tratamento de pacientes com a Covid-19 do Hospital Nestor Piva.
A situação, que aconteceu no dia 28 de maio, foi tomada como um incêndio culposo e qualificada pelo resultado de morte de um total de 5 pessoas e por outros 60 feridos. E quase 5 meses depois, duas pessoas foram indiciadas pela ocorrência nesta última quarta-feira, 20.
Nadja era uma vendedora de lanches de 49 anos, que estava internada no hospital municipal por conta de problemas cardíacos e não resistiu diante do incêndio.
E para a família da mulher, apesar do sentimento de Justiça vigorar no momento, a responsabilização das pessoas pelo acidente não preenche o vazio deixado pela perda da ente querida. Durante participação no programa Alerta 99, da rádio Fan FM, o esposo dela comentou sobre o caso.

“O que a gente observou foi a irresponsabilidade administrativa do Nestor Piva, hoje todas as providências com relação a incêndios já foram tomadas, mas deveria ter existido uma responsabilidade e fiscalização dos equipamentos instalados. A falta que a minha esposa está fazendo só eu sei. Hoje a casa ficou vazia só comigo e meu filho, vou ter que viver minha vida, mas a lacuna é imensa. Meu filho teve início de depressão”, relatou Jamisson.
Conforme o laudo produzido pela Criminalística, no entendimento da Polícia Civil, os responsáveis pelo incêndio são o proprietário da empresa prestadora de serviço de eletricidade, que montou a estrutura elétrica da unidade, assim como uma sócia-administradora do centro médico responsável pela gestão do Hospital.
O crime prevê pena de até quatro anos para os indiciados e o inquérito policial será agora submetido ao Ministério Público de Sergipe (MPSE), que poderá oferecer denúncia à Justiça.




