Visita ao Centro POP revela a urgente necessidade do “olhar humano” para a população em situação de rua de Aracaju

Emília Corrêa garante que Prefeitura de Aracaju irá atuar em tempo rápido para alcançar à dignidade desse grupo social


Em mais um passo no processo de diagnóstico do município de Aracaju, a prefeita do Município, Emília Corrêa, visitou, na tarde desta segunda-feira, 6, o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP, localizado na Rua Itabaianinha, no Bairro São José. A prefeita esteve acompanhada dos secretários de Assistência Social, Simone Valadares, de Saúde, Débora Leite, de Infraestrutura, Sérgio Guimarães, e da presidente da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho – Fundat, Mellisa Rollemberg.

Cerca de aproximadamente 30 moradores em situação de rua estavam no Centro no momento da vista. A apresentação do espaço, bem como as informações sobre os serviços prestados pelo Centro, foi emitida pelo coordenador de Assistência Social de Proteção Especial, Edilberto Filho, ocupante do cargo há 7 anos. A cada direção do prédio, uma cena de desrespeito à cidadania surgia. No refeitório, além de um odor de comida podre, um casal estava deitado, no chão, sobre algo que parecia ter sido um dia um colchão.


Com quase nenhum acesso à ventilação natural – e nem mesmo eletrônica -, o local tem uma luz de tom mórbido, com espaços pequenos e desconfortáveis, paredes sujas e banheiros sem portas. “Nesse primeiro contato, já percebemos que este lugar não está apropriado para receber a população em situação de rua. Outra questão é quanto à alimentação. Os usuários só recebem duas. Ninguém se sustenta com apenas duas refeições por dia. É nítida a necessidade de manutenção desse prédio, ou, quem sabe, a mudança do Centro para outro lugar mais apropriado, já que esse prédio não é da prefeitura. Eu garanto uma coisa, o que pudemos fazer, em um tempo rápido, para alcançar a dignidade para essas pessoas, nós iremos fazer”, assegura Emília Corrêa.

OLHAR HUMANO

A expectativa de uma gestão com um olhar humano voltado para a proteção e dignidade da população de rua, motivou o coordenador estadual do Movimento Nacional da População de Rua, Alisson Oliveira. À frente da coordenadoria desde 2021, Alisson revela que o diálogo com a gestão passada era uma “ponte quase intransponível”. De acordo com ele, ver a presença tão rápida dessa nova gestão e um equipamento público de assistência “traz uma esperança maior para o diálogo e para a construção de um atendimento melhor à população mais vulnerável da sociedade”.

Na véspera de completar 46 anos de idade, Adailton Alves de Aquino, usuário do Centro Pop há seis anos, tempo também de vida pelas ruas de Aracaju, sonha com um espaço mais confortável para ter como abrigo. “Em muitos locais de atendimento é difícil encontrar vagas para homens. Precisamos muito de cuidado e de uma melhor atenção. O que eu mais queria nessa vida é ter uma casa própria, mas se eu não puder ter que, ao menos, eu consiga um aluguel social para abrigar a minha família”, almeja Adailton.

Atenta a cada canto do Centro POP e às reivindicações dos usuários, a secretária de Assistência Social, Simone Valadares, disse que essa primeira visita é um ponto de partida para traçar um diagnóstico e buscar soluções. “É prematuro ainda dizer o que nós iremos fazer, mas o que posso garantir com toda certeza é que essa gestão vai olhar para os mais necessitados e vamos, realmente, atuar para uma melhor dignidade de vida dessas pessoas”, afirma Simone.

De acordo com informações da Coordenadoria de Assistência Social de Proteção Especial, o Centro POP, até então, é mantido com 80% de recursos do município e os outros 20% oriundos do Governo Federal e Estadual. No Centro, a população em situação de rua deve ter acesso – ao menos é assim que recomenda o Ministério de Assistência Social – à alimentação, espaço para higiene pessoal, encaminhamento para serviços públicos, regularização de documentos e fortalecimento da autonomia.

Mas, na prática, a determinação não era cumprida. “Aqui não há ensino para jovens e adultos. Só vi, uma única vez, o pessoal da Fundat aqui. Fomos vistos como invisíveis. Mas agora estou confiante que haja um trabalho intersetorial que coloque em prática os nossos direitos”, conclui Alisson Oliveira, coordenador estadual do Movimento Nacional da População de Rua.

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