A sucessão municipal de Aracaju deste ano de 2020 está servindo de laboratório para centrifugar, ou moer, a biografia de uma das figuras mais proeminentes da jovem política sergipana de menos de uma década e meia.
Esta figura é a de Antonio Carlos Valadares Filho, PSB, que no último dia 1º de outubro fez 40 anos e desde os 26 está no tablado eleitoral do Estado, quando se elegeu deputado federal com 85.450 lá em 2006, como o quarto mais votado, perdendo apenas para um secretário de Estado da Saúde, Eduardo Amorim, um ex-prefeito de Aracaju, Jackson Barreto, e um ex-governdor de Estado, Albano Franco. Mas já obteve 95.680 em 2010, na reeleição.
Em apenas 12 anos – de 2006 a 2018 -, Valadares Filho amealhou nada menos do que 1.178.933 votos entre os sergipanos, isso istribuído em oito votações das quais tomou parte em seis eleições – três de deputado federal, que lhe deram 249.329 votos, e três na disputa por um mandato de Executivo, de prefeito de Aracaju e de governador de Sergipe, nas quais ele foi votado cinco vezes, posto que em duas vezes foi a segundo turno.
Em 2012, Valadares Filho perdeu logo no primeiro turno para João Alves Filho, mas obteve 113.932 votos entre os aracajuanos. Em 2016, obteve 99.071 e 134.271 em primeiro e segundo turnos para perder para Edvaldo Nogueira, e em 2018 foi credor de 212.169 e 370.161 votos na derrota sofrida para Belivaldo Chagas na intenção de ser governador de Sergipe. Mas lideranças não só os vencedores.
De modo que esse arsenal de votos – repita-se: um milhão, cento e setenta e oito mil – e essa biografia toda de Valadares Filho não rimam com o espaço reservado a ele agora em 2020, que é o de candidato a vice-prefeito ao lado da Danielle Garcia, Cidadania, uma jovem senhora que nunca recebeu um voto sequer dos sergipanos nem pela disputa de uma Inspetoria de Quarteirão.
Esse não rimar não é apenas pelo antevisto fracasso que a candidatura de Danielle Garcia prenuncia. Ela poderia estar pontuando com até 70% nas intenções de votos, com garantia de liquidar a fatura num primeiro turno, e nem assim o arsenal de votos e a biografia toda de Valadares Filho rimariam com a dimensão que ele tem nesse 2020.
E essa situação fica bem mais grave – gravíssima – quando se percebe o que o esquema arquitetado pelo senador Alessandro Vieira e por Danille Garcia faz de Valadares Filho e de sua montanha de significados político e eleitoral: simplesmente escondem-no, asfixiam-no, sob o tapete da sucessão. Tiram-lhe o fôlego e o brilho.
Independentemente de se você gosta ou odeia Valadares Filho, pelo peso e pelo significado dele era para ser 100% aproveitado no casco da campanha da Danielle – da propaganda eleitoral do rádio e da TV às manifestações públicas e onde mais houvesse demada de ordem política e eleitoral.
Mas não é assim. O protaganonismo é 100% de Danielle Garcia, que o desempenha num estilo meio canastrão. Rudimentar, pouco sensível às sinuosidades gerais da política. Para ela e Alessandro, o Valadares Filho que ja foi destinatário desses 1.178.933 votos entre os sergipanos que fique na cristaleira, na prateleira, nas gôndolas do esquecimento. Do ostracismo.
Há observadores mais maldosos do que esse analista que aqui escreve vendo nessa atitude de Alessandro e de Danielle um ato propositado para queimar Valadares Filho em definitivo e muito mais em projetos futuros. Se de fato for isso, péssimo para quem arquiteta esse propósito. E mais péssimo se Danielle e ele forem suprimidos de um segundo turno pelo gauche e troncho Rodrigo Valadares, PTB.
Valadares Filho não é um mau político e muito menos uma má pessoa. Ademais, ele é novo e tem muito a dar ainda. Mas ao se entregar em segundo plano a essa aliança de 2020 deu uma demostração de fraqueza, de cansaço e talvez de solidão política.
Independetemente do resultado da eleição no dia 15 de novembro – ainda que Danielle e ele se elegesssem ou se elejham – Valadares Filho errou. E da forma como tratam-no agora, colocando-no glacialmente num freezer, se Danielle virasse prefeita, óbvio que jamais lhe dariam qualquer mérito.
De tudo isso, depreende-se que é como se tivesse faltado aconselhamentos mais maduros e precisos a Valadares Filho na hora de resdesenhar seu projeto de 2020. Pelo que submeteram a biografia dele, talvez fosse mais eficaz e proveitoso ter se lançado candidato a vereador de Aracaju, arriscar arrebatar de 30 mil a 40 mil votos, eleger-se e a mais meia dúzia de vereadores do seu partido e atalhar seu destino dois anos depois, em 2022, rumo a Brasília, que é onde ele se sentiu bem nos três mandatos de deputado federal por 12 anos.
Mas agora, o leite já é derramado e o estrago certamente não lhe será dos melhores – porque uma coisa é perder duas eleições de prefeito e uma de governador. Mas encurta muito seu histórico e seu horizonte quando a derrota é numa disputa de vice-prefeito.




