STF deixa julgamentos de temas polêmicos de fora da pauta no primeiro semestre

Após atos criminosos ocorridos em 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicou a pauta de julgamentos do primeiro semestre sem temas polêmicos, como a descriminalização do aborto, marco temporal das terras indígenas, possibilidade do juiz de garantias, e ainda o indulto concedido por Jair Bolsonaro ao deputado federal Daniel Silveira.

Na prática, a pauta pode mudar, de acordo com termas considerados de urgência que surgirem no semestre. Atualmente, o Supremo tem 623 processos liberados para julgamento colegiado no Plenário da Corte, sendo 257 para sessão presencial e 366 para sessão virtual. O levantamento foi feito pela CNN no sistema da Corte.

Destes, 67 têm repercussão geral reconhecida. Ou seja, o que for decidido deverá ser seguido por instâncias inferiores. Além disso, há 463 processos liberados para julgamento colegiado nas Turmas, sendo 44 para sessão presencial e 549 para sessão virtual.

STF deixa julgamentos de temas polêmicos de fora da pauta no primeiro semestre

Entre os temas previstos estão uma ação que pode corrigir os valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir de um índice de correção monetária medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), outra que questiona o bloqueio de cidadãos em perfis de redes sociais do presidente e de autoridades do governo e a ação que vai definir se mãe não gestante em relação homoafetiva pode ter direito à licença maternidade.

O Supremo também deve julgar o recurso que discute a constitucionalidade da contribuição ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) devida pelo produtor rural pessoa jurídica.

Também está na pauta uma ação apresentada pelo Democratas e PSDB que questionam decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a redistribuição dos votos ganhos por candidato que teve registro cassado após as eleições. No caso, é questionada ação que cassou o diploma do candidato Targino Machado Pedreira Filho.

Na pauta consta também uma ação apresentada pelo PT contra artigo do Código de Processo Civil que possibilita a tomada de medidas como apreensão de CNH, passaporte.

Há também o julgamento de recursos que pedem a suspensão da inconstitucionalidade da norma que permitia a extração, a industrialização, a comercialização e a distribuição do amianto crisotila no país.

O Tribunal pautou também uma ação que vai discutir se acesso a dados de celular encontrado no local do crime viola sigilo telefônico. Outra ação apresentada questiona dispositivos de norma que regulamenta visitas íntimas em penitenciárias federais.

O STF retoma as atividades no dia 1º de fevereiro com sessão de reabertura do Ano Judiciário às 10h.

O STF também pautou duas ações que questionam o artigo 3º da Lei Federal 9.296/1996, que regulamenta a interceptação das comunicações telefônicas para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.

Após um pedido de destaque do ministro Nunes Marques, o plenário deve analisar decisão do ministro aposentado Marco Aurélio, que suspendeu em 23 de março de 2020 o corte no Bolsa Família promovido pelo governo federal, que suspendeu 158.452 bolsas em todo o país.

Há também o julgamento que vai discutir e o ex-presidente Jair Bolsonaro pode bloquear usuários em suas redes sociais. Em uma das ações, um advogado foi bloqueado. Em outra, o cidadão.

 

 

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