Atividade realizada no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência destacou o esporte adaptado como ferramenta de inclusão e participação social
Em alusão ao Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre os direitos e a inclusão das pessoas com deficiência, a Prefeitura de Aracaju promoveu, nesta segunda-feira, 21, a palestra “Iniciação ao Paradesporto”. Realizada no auditório do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mariana Moura, no bairro 17 de Março, a atividade reuniu participantes para um momento de conhecimento, troca de experiências e diálogo sobre o esporte adaptado.
A palestra foi ministrada pelo professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Felipe José Aidar Martins e integrou a programação conjunta da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Semdef), da Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (Sejesp) e da Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog), por meio da Escola de Governo e Administração Pública (Esgap).
Realizada no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a iniciativa reforçou a importância da garantia de direitos, da acessibilidade, da inclusão e da participação social. Durante a atividade, foram apresentadas informações sobre o paradesporto e as possibilidades de iniciação em diferentes modalidades esportivas adaptadas.
Para a secretária da Semdef, Camilla Feitosa, aproximar a discussão sobre inclusão da prática esportiva amplia as possibilidades de participação das pessoas com deficiência.
“Falar sobre paradesporto é também falar sobre inclusão, autonomia e oportunidades. O esporte tem o poder de transformar vidas e mostrar que a pessoa com deficiência pode ocupar todos os espaços. No Setembro Verde, trazer esse debate para perto da população é reafirmar que acessibilidade e participação precisam estar presentes em todas as áreas”, destacou.
De acordo com a proposta da ação, o esporte é uma importante ferramenta para ampliar a autonomia, a participação social e o protagonismo das pessoas com deficiência, além de contribuir para a ocupação dos espaços públicos e para o acesso às práticas esportivas.
O secretário da Sejesp, Aquiles Silveira, que também é professor, ressaltou a importância da atuação conjunta das secretarias na construção de iniciativas voltadas às pessoas com deficiência.
“Não temos dúvida de que o esporte pode ser fundamental para mudar a vida das pessoas. Muitas estão deprimidas e podem, um dia, se tornar atletas nacionais. A secretária Camilla é um exemplo: uma pessoa com nanismo, baixa visão e atleta de halterofilismo paralímpico, levantando o triplo do seu peso”, afirmou.
Após a palestra, o professor Felipe Aidar, que também é treinador da equipe paralímpica de halterofilismo, realizou uma demonstração da modalidade para os participantes.
Durante a atividade, ele destacou a importância da preparação e da capacitação para que as pessoas com deficiência estejam aptas a aproveitar oportunidades no esporte e em outras áreas.
“O que a gente sempre tem falado para todas as pessoas que estão com a gente lá na universidade é que existem várias possibilidades de elas mudarem de vida, mas elas têm que estar preparadas para quando chegar a oportunidade. Como é que a pessoa com deficiência vai se preparar? Se capacitando, seja no âmbito esportivo, no âmbito acadêmico ou seja o que for. É isso que a gente tem sempre pregado para os nossos atletas, para os nossos alunos: que eles realmente se dediquem para que consigam mudar a realidade atual e possam ter uma vida melhor, com mais qualidade e, principalmente, uma sociedade mais inclusiva”, enfatizou.
A programação também proporcionou um espaço de troca de experiências entre os participantes, que puderam conhecer mais sobre o paradesporto e refletir sobre a importância de ampliar o acesso às atividades esportivas.
A atleta Wilma Costa Gonçalves, do município de Rosário do Catete, conheceu o esporte em 2021, por meio de um amigo que também é pessoa com deficiência. Desde então, passou a competir no halterofilismo paralímpico.
“Com o incentivo dele, que me apresentou o halterofilismo paralímpico, já participei de várias competições. Ultimamente, sou a terceira mulher mais forte na categoria até 86 quilos no ranking brasileiro. E não tenho como agradecer ao professor Felipe Aidar. Sei que, nessa palestra de hoje, as pessoas podem abrir a mente para participar também, não só do halterofilismo, mas da natação, do judô, do badminton. Então, venham participar, principalmente as mulheres, porque temos poucas na nossa equipe”, detalhou.
O atleta Michel Andrade, que também é aluno e atleta de halterofilismo, compartilhou a experiência de participar da primeira competição e a evolução alcançada desde então.
“Eu fiquei bem nervoso, mas depois fui me acostumando. Aí foi só alegria. Comecei a ganhar medalhas, ganhei uma aqui, outra em Recife e agora estou correndo atrás para ganhar mais outras medalhas”, contou.




