Sergipe já registra mais de 3,5 mil adolescentes grávidas este ano

De janeiro a agosto deste ano, 3.740 adolescentes de 10 a 19 anos ficaram grávidas em Sergipe, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde. Esse número representa 17,25% da população feminina em idade fértil no estado, que são mulheres entre 10 e 49 anos de idade.

De acordo com a enfermeira da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Estadual de Saúde, Luciana Boaventura, “nessa fase da vida, a gravidez pode provocar profundas alterações com relação ao planejamento do futuro, pois o que se desejaria, não poderá acontecer como pensado”.

A psicóloga e psicanalista, Petruska Passos, explicou que uma das causas da gravidez na adolescência é a crença desses jovens de que esse tipo de caso não vai acontecer com eles, mesmo que tenham relações sexuais sem o uso de preservativos ou de anticoncepcionais. “A adolescência é um período da vida em que o corpo já está pronto para determinadas situações, como a gravidez, mas a mente ainda está em processo de desenvolvimento. Faz parte da vida do adolescente ter esse tipo de impulso inconsequente”, afirmou.

Petruska Passos – Psicóloga e Psicanalista / Foto: Arquivo Pessoal

A adolescência é um período de descobertas, de buscas de novidades, aprendizados e da criação de uma identidade. Uma gravidez nesse período da vida pode trazer a reprovação pessoal e da família, o abandono da mesma, além da evasão escolar e da chegada precoce ao mercado de trabalho sem qualificação adequada, o que faz com que a adolescente assuma responsabilidades sem preparo.

A gravidez na adolescência sempre será considerada de risco, já que o corpo de uma adolescente nem sempre está preparado fisicamente para a gestação. “Esse tipo de gravidez pode representar risco, tanto à menina, quanto ao bebê, no que se refere ao desenvolvimento fetal e suporte corporal como nutrição e estrutura física adequados”, comentou Luciana.

Luciana Boaventura – Enfermeira da Área Técnica de Saúde da Mulher / Foto: Arquivo Pessoal

A coordenadora contou que os principais riscos da gravidez na adolescência são:

  • Pré-eclâmpsia e eclâmpsia (condição da pessão arterial elevanda e exesso de proteína na urina);
  • Parto prematuro (pela formação corporal já que pelo peso para a idade da adolescente é proporcional a um quadril pequeno);
  • Bebê com baixo peso ou subnutrido para a idade gestacional;
  • Complicações no parto que podem levar à uma cesária;
  • Infecção urinária ou vaginal;
  • Aborto espontâneo;
  • Alterações no desenvolvimento do bebê;
  • Má formação fetal;
  • Anemia;
  • Risco de óbito da gestante;
  • Risco de depressão pós-parto e rejeição ao bebê. 

A coordenadora orienta que para evitar a gravidez indesejada e não planejada é essencial a utilização de preservativo. A camisinha, em todo contato íntimo, previne não só a gravidez, mas também a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis. “O parceiro deve ser contribuinte nesse planejamento, já que a segurança do ato sexual será para ambos. A busca por um serviço de saúde para obter informações de cuidados é necessário ao iniciarem a vida sexual. No caso das meninas, é importante buscar no serviço de saúde o melhor método contraceptivo para ser utilizado e ter os cuidados adequados nessa fase da vida para evitar uma gestação não planejada”.

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