Por Narcizo Machado
Alguma lição precisa fluir do combate à pandemia até aqui executado. Não adianta esperar consenso na sociedade para adoção de novas medidas restritivas. Se implantadas, elas ficarão apenas no papel, a desobediência será generalizada. Aliás, desobediência às regras sanitárias foi a tônica, se tornou instrumento de suicídio, numa espécie de ‘lacração coletiva’.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, ajudou a complicar e criar confusões que se desdobraram num fortalecimento da descrença na ciência. O debate está perdido e estraçalhado. Escândalos de corrupção com recursos que deveriam ser empregados no combate à pandemia ajudaram a fortalecer o discurso de uma grande ‘armação’, nem o fato de outros países também enfrentarem a proliferação e mortes em escala freou os negacionistas.
Sendo assim, talvez fazer o que não se fez seja uma medida simples e urgente. E o que não houve de fato foi fiscalização dos infectados e padrão no atendimento médico. Um policial militar que desenvolveu sintomas recentemente, relata que não houve um padrão nas orientações a ele passadas. “No Ipes me orientaram 10 dias de isolamento, já no HPM orientaram 14, no Ipes não queriam nem fazer o exame, após muita insistência é que uma médica fez, hoje sem sintomas, estou retomando a vida”, relatou o PM que não quis se identificar.
O paciente revelou ainda, que durante o período de isolamento, não recebeu ligações de monitoramento. Uma pergunta que cabe: será que não há um fluxo de informações entre os órgãos de Saúde para monitorar os pacientes que aguardam resultados? Com as informações do PM, a impressão é de que não há uma organização e um trabalho em conjunto. A falha no monitoramento é um incentivo para proliferação da doença. Esse é um exemplo, há vários compartilhados nas redes sociais nas últimas semanas.
As prefeituras precisam entrar neste processo, não com combate fictício, mas efetivamente agindo em prol da diminuição dos índices de proliferação da covid-19, que até esse sábado, 9, já vitimou 2.563 pessoas em Sergipe.
As gestões municipais precisam contratar pessoas temporariamente para execução de um monitoramento nas residências, notificar pacientes e empresas caso sejam empregados, testagem em massa, um procedimento infinitamente aconselhado e não implantado em todas as cidades. Uma comunicação eficaz, visto que, não é admissível em um mundo de diversas tecnologias, a permanência de falhas na integração dos poderes. Ou será falta de vontade política para encontrar solução?
E a sociedade, qual o mínimo gesto para colaborar? Um pouco mais de empatia, isso já seria um bom começo. Aquilo que todos sabem e poucos fazem, o distanciamento, a máscara, higiene das mãos, objetos e superfícies e respeito aos limites para realização de eventos. Seria o mínimo e de grande impacto.
Há outras questões que precisam ser resolvidas, como o funcionamento de estabelecimentos comerciais e Igrejas que perderam o controle, os ônibus lotados, unidades públicas e privadas de saúde que expõem funcionários e pacientes sem a observância dos protocolos. Há muito por se fazer.
E a vacina? A receita é amor ao próximo – parece discurso utópico – e menos debate com intereses políticos. O debate da política de vacinação pode, mas o jogo de poder em torno dele deve ser expurgado, urgentemente. Belivaldo e os 75 prefeitos e prefeitas, devem se unir em prol da vacinação dos sergipanos, esperar o Ministério da Saúde, é nos impor uma demora sem precedentes.
Será que conseguiremos?




