Afastado das atividades pastorais enquanto é investigado pela prática de crimes sexuais, o pastor Luiz Antônio segue enviando mensagens de fé nos cultos celebrados por outros pastores da Igreja do Evangelho Quadrangular. Em cerimônia religiosa transmitida pelas redes sociais da Igreja, um pastor avisa aos fiéis: “tenho um recado especial para vocês. Vou ler para vocês”, logo em seguida faz a leitura de um pedaço de papel.
“Um dos maiores desafios da fé é ter a certeza que Deus está agindo, mesmo quando não estamos vendo nada. Abra os olhos e veja os sinais. Perceba o cuidado Dele, escute o barulho da chuva de bençãos. Coisas grandes vão acontecer! É tempo de avivamento, todas as coisas cooperaram para o bem dos que amam a Deus”, finaliza o pastor, citando o nome de Luiz Antônio logo ao fim, como uma espécie de assinatura do recado.
Na investigação policial, Luiz Antônio e seu filho, o também pastor Lucas Abreu, são denunciados por diversas mulheres por crimes de assédio sexual e até estupro, no caso do último. Os relatos indicam que os pastores se valiam da função de líderes religiosos para abusar das mulheres. Pelo menos sete denúncias foram feitas contra Luiz Antônio, mas apenas uma delas, na ótica policial, se configura em conduta criminosa. Luiz Antônio foi indiciado e pode pegar entre 2 a 6 anos de prisão pelo crime. Já no caso do pastor Lucas Abreu, indiciado por violação sexual e estupro de vulnerável, e que já virou réu, a pena pode variar entre 8 e 15 anos de prisão.

A falta de posicionamento de líderes da Igreja, seja no âmbito estadual e nacional, sobre as denúncias que pesam contra os pastores Luiz Antônio e Lucas Abreu, tem provocado uma saída em massa de pastores que fazem parte da comunidade religiosa. Foi assim com o pastor Robson Oliveira, que fazia parte do núcleo do bairro Eduardo Gomes, na Região Metropolitana. O pastor disse ao Fan F1 que a posição do líder nacional da IEQ, que saiu em defesa do pastor Luiz Antônio, considerando as acusações como campanha de difamação contra a igreja, o incomodou.
“Desde quando as acusações surgiram, nós esperamos um posicionamento da Igreja no âmbito estadual. Depois no âmbito nacional. E quando o presidente nacional se pronunciou, na minha opinião ele foi infeliz. Então eu refleti muito e decidi deixar a Igreja”, explica. Robson tinha 19 anos de congregação na Igreja do Evangelho Quadrangular, seis deles dedicados à atividade pastoral. Ele disse que abandona a IEQ de vez.
Enquanto aguarda os desdobramentos do processo na esfera judicial e articula defesa, Luiz Antônio segue fazendo contato com os fiéis através de mensagens enviadas por outros pastores. Em pronunciamento público no mês de março, através de vídeo divulgado nos perfis sociais da Igreja do Evangelho Quadrangular, Luiz Antônio não escondeu que pretende voltar a exercer a atividade pastoral o quanto antes. “Nós não podemos nos calar quando nosso direito de cultuar o nosso Deus, que pela graça do próprio Deus, é garantido na Constituição do nosso país. Isso não pode ser afetado. E para o nosso espanto, afetado por pessoas que se dizem de Deus. Eu ainda estou me recuperando, mas estou voltando forte, para pregar a palavra de Deus e continuar alcançando milhares de vidas neste estado, que é o que eu fiz durante 25 anos de ministério no estado de Sergipe”, pontuou.




