Secretário de Saúde de Carmópolis explica falta de médicos e trabalho para ajustar a pasta

Pouco mais de dois meses à frente da Secretaria de Saúde de Carmópolis, por indicação do prefeito interino José Augusto, Cleverton Oliveira ainda tem encontrado dificuldades para ‘organizar a casa’. A Secretaria tem sido alvo de denúncias de falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde, um problema antigo no município.

Em entrevista para o Jornal da Fan, em Carmópolis, o secretário afirmou que os problemas de hoje são reflexos do que encontrou na pasta quando assumiu. “Eu encontrei um caos dentro da Saúde de Carmópolis, mas decidi assumir diante do compromisso que tinha feito com o prefeito Zé Augusto para ajustar as coisas no município. Mas haviam exames parados, medicação em falta desde o mês de março, tinha até sala sendo utilizada de depósito para medicamentos vencidos. Também faltavam luvas, máscaras cirúrgicas e insumos básicos hospitalar”, explicou.

De acordo com o secretário, a alternativa para conseguir a curto prazo reabastecer à farmácia do município foi solicitar ajuda ao Governo do Estado e municípios. “O prefeito foi até o governador para solicitar doações de medicamentos e material hospitalar, e conseguimos emprestado com outros municípios alguns medicamentos. Havia o problema ainda das diversas licitações vencidas e a falta de credibilidade com fornecedores e médicos”, frisou.

Conforme declarado pelo secretário, os médicos não têm demonstrado interesse em trabalhar no município. “Isso porque há uma falta de credibilidade enorme, por causa dos atrasos e ausência de pagamentos. Nós estamos na expectativa de poder ativar a Unidade de Saúde do conjunto Fernando França, que precisa de médicos, e de voltar a ter os plantões médicos aos sábados, a cada 15 dias”, afirmou. Para conseguir atrair os médicos, o secretário está aumentando o salário proposto aos médicos de PSS para R$ 13 mil, se comprometendo cumprir a data da folha de pagamento.

Ambulância de R$ 220 mil e contêineres da Covid-19

Outra indignação levantada durante a entrevista foi a aquisição de uma ambulância de suporte avançado, no valor de R$ 220 mil, realizado pela gestão anterior do município. Essa aquisição está no escopo das investigações da Polícia Federal que acabou culminando no afastamento do prefeito Beto Caju, em agosto deste ano.

Para Cleverton, o investimento foi equivocado. “São situações que a gente não entende. Foi comprada essa ambulância com UTI que não há necessidade para Carmópolis, porque o valor dessa ambulância poderia ser três do tipo A, ou seja, ambulâncias mais simples e que seriam mais resolutivas para o município”, analisou o secretário.

Ao assumir a pasta, Cleverton também identificou um custo de cerca de R$ 5 mil pelo aluguel diário de contêineres para uso durante a pandemia da Covid-19 – demanda que não se comprovou ao longo da pandemia. “No contrato estava esse valor, mas nós já fomos informados pela Secretaria de Finanças que nunca foi pago”, disse.

Apesar dos problemas, o secretário informou que o corpo médico do município, atualmente, é de 20 profissionais, e que serviços como odontologia e vacinação continuam normalmente nas unidades de saúde.  

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