Recebi atenção que não encontrava antes, destaca acolhido durante roda de conversa com população em situação de rua

Com o objetivo de fortalecer o diálogo e promover uma escuta sensível e qualificada à população em situação de rua, a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) realizou, nesta sexta-feira, 18, uma roda de conversa intitulada “A rede dialogando com os assistidos”. O encontro aconteceu na Casa de Passagem Freitas Brandão e teve como foco ouvir as histórias, vivências e demandas desse grupo populacional atendido pela rede socioassistencial de Aracaju.

Estiveram presentes representantes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Consultório na Rua, Programa de Redução de Danos e da Defensoria Pública do Estado. A coordenadora da Casa de Passagem Freitas Brandão, Kelly Teles, destacou que o momento foi pensado como uma oportunidade de fortalecimento da escuta ativa e da integração entre as diversas unidades da rede socioassistencial.

“O objetivo é ouvir diretamente dos acolhidos, quais são suas demandas e também refletir sobre os avanços alcançados nos últimos meses, a partir das ações da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social. Esse diálogo é fundamental para aprimorar o atendimento e garantir que as políticas públicas estejam, de fato, conectadas às necessidades reais da população em situação de rua”, destacou Kelly.

Representando os acolhidos da Casa de Passagem, Carlos Alberto Vieira Lopes compartilhou a sua trajetória e destacou a importância do espaço de diálogo para quem vive em situação de rua.

“Já passei por várias cidades, como São Paulo e Brasília, sempre em situação de rua e enfrentando rejeição. Em Aracaju, fui acolhido e recebi atenção que não encontrava antes. Estava em situação de vulnerabilidade, fazendo uso de drogas, e hoje estou reconstruindo minha vida. Recebo acompanhamento, tomo minha medicação corretamente, me alimento bem e consegui até comprar minhas roupas. Me sinto respeitado e valorizado. Essa troca com os profissionais é muito importante porque mostra que temos voz e que estamos sendo ouvidos”, relatou Carlos.

A psicóloga do Consultório na Rua, Jainatan Rocha da Silva, ressaltou como a articulação entre os diversos setores da rede de proteção fortalecem o atendimento a públicos vulneráveis.“Essa roda de conversa é de suma importância porque visa não somente o olhar fragmentado, o olhar apenas do usuário em si, mas de toda a rede, visando o bem-estar de uma forma biopsicossocial, a questão da integralidade, do cuidado. A pessoa em situação de rua necessita desse olhar não apenas da saúde mental, mas também da educação, da justiça, da cultura. Esses vários olhares, de forma integralizada, vêm para somar e reforçar a importância do autocuidado dentro de uma rede ampliada e contextualizada”, afirmou Jainatan.

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