Natural de Alagoinhas, na Bahia, a dona de casa Urânia Guimarães Oliveira, 43 anos, foi assassinada em fevereiro deste ano na praia de Jatobá, zona litorânea da Barra dos Coqueiros, na Região Metropolitana de Aracaju. Ela morava em Sergipe há pouco mais de sete meses e a ossada do seu corpo só foi liberada pela família esta semana para o sepultamento. Sob as circunstâncias e a motivação do crime, ainda pairam muitos questionamentos.
Mãe de quatro filhos, Urânia deixou a cidade natal após desavenças com o marido e mudou-se para o município de São Cristóvão, também na Grande Aracaju. Lá ela vivia sozinha em uma vila e praticamente não mandava notícias para a família, exceto pelos raros contatos que ainda mantinha com uma tia. Na noite do dia 13 de fevereiro, um sábado de carnaval, teve a vida ceifada e o corpo enterrado em um terreno baldio.
Uma denúncia anônima levou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil a começar a investigar o desaparecimento de Urânia. A morte pegou os familiares de surpresa, como o F5 News revelou no começo da semana, quando o irmão dela foi ao Instituto Médico Legal (IML), na capital sergipana, para entregar a documentação necessária à identificação do corpo. “A gente não sabe o que aconteceu, não conhecemos nem a cara desse cidadão que matou ela”, disse Alberto Guimarães ao F5News.
Três pessoas estão presas suspeitas de envolvimento no crime, dentre elas Igor José dos Santos Santana, com quem Urânia teria mantido um relacionamento amoroso. Ele confessou a autoria do crime e disse ter sido motivado por ciúmes. O suspeito afirma que ela foi morta a pauladas, mas pelo avançado estado de decomposição do corpo, o laudo conclusivo da causa ainda não foi finalizado pelos legistas do IML. Há indícios de que ela também tenha sido asfixiada.
Os primeiros levantamentos levaram os investigadores a concluir que uma suposta denúncia que teria sido feita por Urânia ao Conselho Tutelar contra Adriane Ribeiro Cardoso, que também está presa, motivou o homicídio. No entanto, após a divulgação da prisão dos suspeitos, novos elementos começaram a surgir, indicando uma trama cercada de desavenças, traição e questões ainda não esclarecidas.
O F5News teve acesso ao relato de uma mulher que mora na mesma vila onde viviam Urânia e Adriane. Segundo o registro, uma terceira pessoa teria espalhado a informação falsa da suposta denúncia, o que acabou provocando o desentendimento entre as duas mulheres. “Ela teve tantos conselhos para deixar as pessoas com quem andava. Quem armou a cilada era vizinha”, narrou.
Urânia era evangélica, mas desde que se mudou para o município sergipano tinha deixado de frequentar a congregação à qual era vinculada. A investigação também já descobriu que, um dia antes do seu assassinato, a baiana preparou um jantar para um outro homem com quem também mantinha uma relação, porque seria o aniversário dele. O encontro não teria ocorrido e Urânia então decidiu aceitar o convite de Igor para ir até a casa de praia, onde sua vida teve fim.
O envolvimento do terceiro preso, Robson Chagas Ramos, ainda não foi detalhado pela Polícia. Embora já tenha localizado o corpo e efetuado a prisão de três suspeitos, o DHPP continua realizando diligências para esclarecer a morte de Urânia Guimarães. As investigações estão sob sigilo e informações podem ser passadas de forma anônima através do Disque Denúncia 181. “O que nós mais queremos é justiça. A Polícia precisa dizer o que aconteceu”, apela o irmão da vítima.
Edição de texto: Monica Pinto
Por Will Rodrigues





