Se tornaram comuns os pontos de bloqueio por problemas de infraestrutura na avenida Anísio Azevedo, em Aracaju. Até esta quinta-feira (16) ao menos dois trechos estavam interditados para reparos. Na quarta-feira (16), mais uma cratera se abriu na via, fazendo com que a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) isolasse uma parte dela.
Quem transita diariamente pela área fica refém dos desvios. “Tem que entrar pelo estacionamento da biblioteca (Epifânio Dória) para poder voltar para a avenida. Se não tivesse aquele estacionamento, ia ter que dar uma volta muito maior. Em horários de pico, é um transtorno”, relata o motorista de aplicativo Adeilton de Oliveira.
O taxista Jonata Vinicius estaciona o veículo próximo à Biblioteca Pública Epifânio Dória diariamente para aguardar passageiros e conta que rotineiramente enfrenta engarrafamentos no trecho do cruzamento entre Anísio Azevedo, avenida Prof. Acrísio Cruz e rua Cedro.
“Essa parte aqui mais próxima da biblioteca não tem tanto congestionamento, mas quando chega no semáforo, que sempre tem um engarrafamento, fica bem bloqueado, principalmente em horário de pico. Vira e mexe abre um buraco aqui, por conta própria”, disse ao F5News.
Na análise do professor Waldson Costa, especialista em Trânsito e Geografia, o problema da região é originário e só poderá melhorar quando houver um amplo planejamento, com projeto de engenharia para compactação do solo, além da melhoria da qualidade de água, acompanhado de um processo de requalificação urbana da área.
“Além de ser uma área de mangue, naturalmente alagadiço, sofre de falta de projetos desde a origem, que garantisse a possibilidade de drenagem. Por isso ocorrem tantas áreas de instabilidade. Afinal, os projetos de esgotamento sanitário feitos na região acabam tendo inconformidades voltadas para terraplanagem”, explica o profissional.
Ainda conforme Waldson, a urbanização em área de mangue é um dos principais problemas da avenida Anísio Azevedo. O grande fluxo de veículos acaba gerando um processo de acomodação do solo, que entra em contato com as tubulações e favorece vazamentos.
“Ali não deveria nem existir originalmente. Aquela povoação próximo ao canal, no trecho todo, não deveria nem existir. Porque ali é uma área de leito de rio que foi canalizando, tomado como área preferencial, e acabou tendo esses problemas que, vez ou outra, volta. É tanto que são várias deformidades da estrutura do solo, porque está dentro de uma área de mangue. E por isso deve ser feito um projeto de engenharia muito bem feito de compactação de solo”, ressalta Waldson.
O especialista cita que para solucionar este problema que há muito tempo se mantém presente na avenida, é necessário que haja um processo de requalificação urbana para melhoria da qualidade hídrica.
“Poderia ser feito o que chamamos de corredores verdes e criar uma política de mobilidade diferente no local, fazendo com que o espaço do rio possa reduzir a ocupação humana. Para isso, primeiro era necessário um projeto muito forte para melhorar a qualidade da água e tirar a canalização do rio. Reestruturar o canal para a capacidade hídrica do local, junto com um processo de melhoria e criação de áreas de lazer, retirando o espaço dos automóveis, aumentando o tamanho das calçadas e áreas verdes”, cita o profissional.
Apesar de acreditar neste caminho como sendo a melhor forma de equacionar os problemas da região, Waldson avalia que, além de ser algo que dependeria de um grande aporte financeiro, também poderia esbarrar em polêmica com a sociedade. “Não estão ainda preparados para tirar uma rua e colocar uma área verde no local. É um desafio fazer com que o poder público faça a população se conscientizar disso e aceitar novas formas de convívio”, disse.
F5News procurou a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), para esclarecer sobre os problemas recorrentes na região, no entanto, a Assessoria de Comunicação não atendeu, nem retornou o contato até o horário de fechamento desta matéria.
A reportagem também procurou a Empresa Municipal de Obras e Urbanização de Aracaju (Emurb), para saber se acompanha a situação e se há algum projeto de infraestrutura para a área, no entanto, a Comunicação apenas respondeu que se trata da rede de esgoto da Deso e pontuou que, em caso de abertura de crateras, a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) atua no suporte de trânsito para que a Deso possa fazer os reparos.
https://www.f5news.com.br/cotidiano/problemas-no-solo-da-av-anisio-azevedo-em-aracaju-sao-recorrentes.html






