Primeiro caso de Aids no mundo completa 40 anos; relembre o primeiro diagnóstico em Sergipe

No dia 05 de junho, completam 40 anos da descoberta do primeiro caso da Aids no mundo. Em Sergipe, o primeiro diagnóstico da doença veio 6 anos depois, em 1987, de acordo com o médico Almir Santana que é gerente do Programa IST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (SES), um nome referência na temática das ISTs no estado e no Brasil. Ele também completa 40 anos de atuação na área da saúde e relembra como foi a chegada do vírus aqui no estado.

“A temática do HIV/Aids me despertou quando eu trabalhava numa unidade de saúde que ficava no bairro Santos Dumont, lá eu comecei a realizar um trabalhdo com profissionais do sexo sobre Sifilis e, naquele período, tive conhecimento do um primeiro caso de Aids, era uma pessoa do interior de São Paulo que tinha vindo para Sergipe. Logo quando a doença surgiu, os médicos rejeitavam os pacientes. Já no começo eu imaginava que se tornaria uma epidemia mundial, por ser sexualmente transmissível, que teríamos muitos problemas futuros”, rememora o médico.

Para o gerente, o principal desafio encontrado em sua jornada foi derrubar o preconceito, esse que ainda existe na sociedade, mas em menor grau em relação ao passado. “Eu tive que intervir, pois, era habitual empresas quererem demitir os funcionários, creches que rejeitam crianças. No meu ponto de vista não adiantava aceitar forçadamente as pessoas soropositivas, não adiantaria somente judicializar, até porque na época não tinha lei, então, eu ia nas empresas e creches fazer um trabalho de educação, ou seja, orientar o que era o vírus e como acontecia a transmissão, quebrar os preconceitos construídos, além disso, eu explicava sobre os direitos que as pessoas tinham de trabalhar, estudar e conviver em sociedade”, assevera Almir Santana.

De acordo com Almir, o Brasil foi o primeiro país do mundo que adotou o tratamento contra a HIV/Aids através do Sistema Único de Saúde, o que ele diz considerar ser “a nossa maior conquista as pessoas terem esse acesso gratuito. Eu considero um grande exemplo para o mundo essa experiência do Brasil”.

Ele pontuou também que ao longo dos anos, as pessoas passaram a se previnir mais, com o uso de camisinhas e ressaltou que hoje, aqueles que não usam o preservativo não é por falta de informação, mas sim porque “essas pessoas têm a sensação de que não correm riscos de infecção, é a falta de percepção do risco, o que é um desafio modificar esse aspecto para alguns grupos”.

Outro desafio apontado por Almir Santana é a melhoria do pré-natal. Além disso, ele falou também do diagnóstico tardio do HIV como outro aspecto preocupante em relação à qualidade de vida da população. “Apesar de haver testes gratuitos pelo SUS, tem pessoas descobrindo tardiamente que possui o vírus, o que está impactando, inclusive, nos quadros da Covid-19. Porque uma pessoa com diagnóstico tardio, provavelmente, vai ter muita dificuldade de recuperação”, constata.

Apesar de tudo isso, Almir Santana tem confiança na ciência e compreende o tratamento como um grande avanço que vem se confirmando ao longo das últimas décadas. “Hoje tem pessoas que devido ao tratamento tem no resultado que o vírus está indetectável, ou seja, a carga viral é muito baixa. Isso é uma grande vitória da ciência. A esperança é a vacina, esperamos que essa experiência que tivemos com a Covid, essa mobilização mundial possa ser feita para conseguirmos uma vacina também para o HIV”, reflete.

O médico relembra que o SUS dispõe de novas tecnologias de prevenção: a PEP (Profilaxia Pós-Exposição de Risco) e a PREP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), além de contar também com postos de realização de testes rápidos e de orientação médica.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (SES)

 

 

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