Prefeitura cria Escola de Esportes com foco no desenvolvimento e na aprendizagem dos estudantes

Instalada no Complexo Esportivo Estação Cidadania, no bairro Bugio, a Escola de Esportes recebe os estudantes no contraturno das aulas regulares, com participação facultativa.

No esporte, cada movimento conta: um passe exige precisão, uma corrida pede ritmo e até uma brincadeira pode ensinar sobre estratégia, disciplina e convivência. É com essa perspectiva que a rede pública municipal de ensino de Aracaju passa a contar com a Escola de Esportes Professor Doutor Roberto Jerônimo dos Santos Silva. Criada pelo Decreto nº 8.816, de 2 de setembro de 2026, a iniciativa resulta de um acordo de cooperação técnica entre as secretarias municipais da Educação (Semed) e da Juventude e do Esporte (Sejesp).

 

Instalada no Complexo Esportivo Estação Cidadania, no bairro Bugio, a Escola de Esportes recebe os estudantes no contraturno das aulas regulares, com participação facultativa. A secretária municipal da Educação, Edna Amorim, explica que a criação da escola surgiu da necessidade de ampliar as possibilidades oferecidas aos estudantes para além do horário regular de aula, associando a prática esportiva ao processo de aprendizagem e ao fortalecimento do vínculo com a escola.

 

“A grande motivação para este acordo com a Sejesp foi a certeza de que a escola pública precisa ir além dos muros da sala de aula para transformar realidades. Nós precisávamos ampliar o tempo pedagógico dos nossos alunos dentro do contexto escolar, oferecendo um contraturno que fosse produtivo, seguro e atrativo. Unindo os nossos profissionais de Educação Física, transporte e alimentação garantidos pela Semed com a estrutura e especialização técnica da Sejesp, criamos uma rede robusta de combate à evasão escolar e de inclusão social. E agora que temos Educação Física na Educação Infantil, precisamos cada vez mais ter espaços destinados ao esporte, à prática de Educação Física que possa trazer desenvolvimento físico e mental para nossos alunos”, pontuou.

 

O secretário da Sejesp, Aquiles Silveira, também destacou a parceria. “Muito importante a criação da Escola de Esportes. Mostra que as ações estão integradas entre as secretarias do Esporte e da Educação, possibilitando o acesso e a garantia do esporte educacional. As crianças vão estudar no seu horário regular e, no contraturno, manhã ou tarde, irão fazer esportes. Com certeza, é a primeira de muitas que a Prefeitura de Aracaju vai distribuir por todas as regiões da cidade. Portanto, é um fato histórico e marcante para o esporte educacional”, ressaltou.

 

Com atividades distribuídas ao longo da semana, a Escola de Esportes atende atualmente 125 estudantes de 12 unidades de ensino de Aracaju. As aulas são realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, no contraturno, das 7h às 11h30 e das 13h30 às 17h. A programação reúne seis modalidades: handebol, badminton, ginástica artística e rítmica, karatê e atletismo, além de um circuito de atividades psicomotoras.

 

Para o coordenador de Educação Física e Esporte Escolar da Semed, Igor Souza, a criação da escola faz parte de uma proposta intersetorial que busca contribuir para a recomposição da aprendizagem e a melhoria dos índices educacionais. Nesse modelo, o esporte é utilizado como uma ferramenta pedagógica capaz de dialogar com diferentes áreas do conhecimento.

 

“O esporte, além de toda a sua parte pedagógica específica, tem o poder de levar algumas características que são do esporte para os componentes curriculares. Se a gente pega, por exemplo, a ginástica e a aprendizagem com ritmo, os estudos indicam que esse aprendizado também auxilia no processo de divisão silábica. No badminton, as crianças acabam internalizando a aprendizagem matemática dentro do próprio regramento da modalidade, que trabalha, por exemplo, com números pares e ímpares”, explicou, enfatizando que a proposta é oferecer uma maneira mais lúdica de trabalhar conteúdos e habilidades, sem transformar o espaço em um centro de treinamento.

 

De acordo com o coordenador, a iniciativa aproveita projetos já consolidados na rede e amplia o acesso às atividades. “A gente tem as modalidades que já eram desenvolvidas em algumas escolas. O que fizemos foi pegar esse potencial e trazer para dentro da Escola de Esportes, primeiro para ampliar o número de atendimentos e também aproveitar o que temos de potencialidade dos professores da rede. Todos os professores que trabalham aqui são professores efetivos da rede municipal de Aracaju, com o suporte dos nossos estagiários”, destacou.

 

Além das modalidades esportivas, o circuito psicomotor foi pensado especialmente para estudantes que apresentam alguma defasagem no desenvolvimento motor. A proposta, segundo Igor, é utilizar as atividades como mais uma possibilidade de acompanhamento pedagógico. “A gente busca trazer as crianças que estão com baixa aprendizagem para ter também uma ferramenta pedagógica que vai auxiliar nessa melhoria. O esporte é uma ferramenta a mais que a escola vai ofertar para sua criança”, explicou.

 

A relação entre a prática esportiva e a rotina escolar também está presente no projeto. Para o coordenador, o ambiente pode contribuir para fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola e estimular a frequência às aulas regulares. “Quando a gente traz essa criança, ela passa mais tempo dentro de um ambiente pedagógico, e a gente reforça tanto a importância da escola como o senso de pertencimento”, frisou Igor.

 

Prática, convivência e aprendizagem

 

Entre as modalidades oferecidas está o badminton, que reúne estudantes de diferentes escolas e faixas etárias. Segundo o professor Luis Paulo de Souza, responsável pelas atividades, os alunos podem iniciar na modalidade sem experiência e avançar gradualmente, conforme desenvolvem suas habilidades. “Os alunos frequentam aqui no contraturno, nos dias de segunda, quarta e sexta, e podem vir de qualquer escola da rede municipal. Eles recebem todo o atendimento, desde a parte mais iniciante, de conhecer o esporte e o material, até se desenvolver a ponto de participar das competições”, explicou.

 

“Essencialmente, aqui o trabalho é uma associação entre o esporte e o desenvolvimento pedagógico deles também. A gente está sempre de olho nos valores que temos passado aqui na Escola de Esportes. Nós temos, inclusive, os princípios que sempre trabalhamos com eles e lembramos todos os dias”, completou o professor, destacando que os alunos são estimulados a refletir sobre o respeito, humildade, gratidão e esforço.

 

Para os estudantes, a experiência também representa uma oportunidade de descobrir novas habilidades. Enzo Gabriel Dutra dos Santos, de 11 anos, aluno da Escola Municipal Otília de Araújo Macedo, no bairro 18 do Forte, conta que mudou sua percepção sobre o badminton. “Eu gosto muito de participar do badminton. No começo achei que era difícil, mas a gente vai praticando e ganha mais experiência”, frisou.

 

Também estudante da escola Otília de Araújo, Julia Gabriella Vieira Pinto, de 10 anos, já incorporou os treinos à rotina. “Fico ansiosa para chegar logo o dia de treinar”, disse. A estudante também participa de competições escolares.

 

Homenagem ao professor Roberto Jerônimo

 

A escola homenageia o professor e pesquisador Roberto Jerônimo dos Santos Silva, que faleceu em maio de 2025 e teve uma trajetória marcada pela Educação Física escolar, pela pesquisa e pela formação de profissionais em Sergipe. Professor de muitos educadores que hoje integram a rede municipal, ele também manteve relação próxima com a rede e participou de ações de formação continuada.

 

Segundo o coordenador, a escolha do nome representa uma forma de preservar uma referência que continua presente entre os profissionais formados por ele. “A escolha do nome do professor Roberto Jerônimo foi uma unanimidade. Ele foi professor de muitos profissionais da rede e uma referência na área da Educação Física. Ele foi muito próximo da rede, já fez formação com os professores e foi um dos pesquisadores mais conceituados da América Latina dentro da área da Educação Física Escolar. Trazer esses alunos para um espaço com o nome do professor Roberto Jerônimo é manter vivo o legado de movimento que ele sempre prezou”, destacou.

 

Para Igor, a própria concepção da escola dialoga com princípios defendidos por Jerônimo ao longo de sua trajetória. “É uma forma, talvez, não só de homenageá-lo, mas de manter viva essa ideia de que a gente precisa de mais gente ativa para reduzir problemas com sedentarismo, reduzir problemas comportamentais dentro da escola e melhorar a aprendizagem. Tudo que ele pregava e pesquisava também está vivo aqui”, concluiu.

 

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