A maioria das praças de Aracaju já não oferece o conforto necessário para o convívio diário: faltam arborização adequada para sombra protetora sob o sol sergipano, bancos em bom estado e áreas de lazer seguras para crianças e famílias. Esses espaços, outrora corações pulsantes da cidade, abrigavam memórias coletivas. Tardes preguiçosas sob a sombra frondosa do passado. Nas praças periféricas da Zona Norte e Oeste da capital, gramados escassos e bancos deteriorados definem a paisagem, mas o maior problema é a ocupação irregular de vendedores ambulantes, que transformam o pouco que resta em feudos comerciais descontrolados.

A responsabilidade pelo uso e conservação dessas praças cabe à Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), por meio dos principais órgãos: a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável pela manutenção, limpeza pública, arborização e paisagismo; e a Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), encarregada da infraestrutura, construção, reforma e iluminação. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) atua na gestão ambiental e preservação de áreas verdes, mas a execução prática de manutenção e obras recai principalmente sobre Emsurb e Emurb. Em teoria, tudo é regulado: medições precisas definem os limites de cada ponto comercial, preservando o equilíbrio entre sustento individual e bem coletivo.
Na prática, porém, os permissionários iniciam suas atividades dentro de medidas autorizadas, mas, com o tempo, expandem suas áreas de forma progressiva. Erguem barracas maiores, estendem tendas e acumulam mercadorias que invadem calçadas e gramados. Se essa ampliação conta com aval oficial da PMA, só os céus o sabem. Caso contrário, e os indícios apontam para isso, trata-se de invasão por conta própria, um desrespeito flagrante às regras estabelecidas, sufocando o lazer público.
Não se trata de negar o direito ao trabalho digno, essencial para tantas famílias aracajuanas. Pelo contrário: reconhecemos o papel vital desses empreendedores na dinâmica urbana. O que questionamos é a ausência de fiscalização efetiva e investimentos em infraestrutura básica. Se Emsurb e Emurb concederam autorizações iniciais limitadas, por que permitem que esses espaços cresçam desmedidamente, agravando a falta de sombra, lazer e acessibilidade? A resposta revela uma falha sistêmica: a praça, patrimônio de todos, vira propriedade de poucos. Logo, não restará espaço para o que realmente importa. Áreas verdes revitalizadas, brincadeiras infantis e fruição coletiva pela comunidade.
Até a emblemática Praça Olímpio Campos, conhecida como Praça da Catedral, um importante ponto histórico e turístico no centro da cidade, encontra-se ao Deus-dará, precisando urgente de reforma completa e reorganização de seus espaços. A prefeitura até poderia revitalizá-la para chamar de sua. As praças periféricas da Zona Norte e Oeste, como essa no coração da capital, não podem se tornar meros entrepostos comerciais em meio ao abandono. Elas pertencem ao povo de Aracaju, herança de um urbanismo que mescla progresso e poesia sergipana. Exigimos regras claras, fiscalizações rigorosas pela Emsurb e Emurb, cadastros transparentes e ações urgentes de arborização, manutenção e obras. Prefeitura, atue! Restaure o equilíbrio: comércio legal e ordenado, mas prioridade absoluta ao lazer público e ao conforto essencial. Só assim as praças pulsarão vida, não apenas vendas.
* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor e Repórter fotográfico




