Se a memória não me falha, o ano era 1975. Trabalhando na Rádio Liberdade como repórter esportivo, fazia cobertura de uma partida decisiva do campeonato sergipano entre Sergipe e Confiança.

À época vivíamos sob forte regime militar no país. A ditadura iniciada em 1964 vivia um dos seus períodos mais nebulosos. Em todos os setores o pulso forte das forças armadas se fazia presente, e com o futebol, a grande paixão dos brasileiros, a situação não seria diferente.
Ganhamos copa de 70 no México, estádios foram construídos pelo país afora, tudo para demonstrar uma proximidade do poder militar com o povo.
Aqui em Sergipe, a antiga Federação Sergipana de Desportos era administrada pelo General Djenaj Queiroz, e tinha muitos outros militares no seu quadro, principalmente no departamento de árbitros que era comandado por uma alta patente militar e com muito poder no 28 BC.
Pois bem. Esse diretor de árbitros tinha a mania de não escalar os juízes para a partida, selecionava quatro e minutos antes do jogo, no vestiário, fazia o sorteio de quem apitaria.

Nesse jogo aconteceu que o juiz sorteado era o mais fraco dentre eles. Não precisa dizer que a arbitragem foi péssima, com muita confusão. O repórter aqui, cheio de entusiasmo, gritava a plenos pulmões no microfone da Rádio Liberdade. ” O responsável por essa palhaçada é o diretor de árbitros que não se assume.” E toquei a falar.
Quase ao final da partida, sentado à beira do gramado, sinto uma mão forte no meu ombro, e aos gritos, ouço “depois do jogo você vai dizer quem é palhaço”. Quando olhei para o túnel, estava o coronel diretor de arbitragem, e acompanhando ele uns sete ou oito soldados, todos fardados.
Um colega de outra emissora me pegou, me levou por outro túnel e fui tentar me refugiar nas cabines. Quando lá estava, pensando que havia me livrado, eis que vejo subindo as escadas em minha direção, o coronel e seus soldados.

Foi quando o diretor artístico da rádio, Fernando Souza, barrou a subida deles, outro colega, Andrade Lima, pegou a chave de meu carro e me orientou a sair por outro portão, o que fiz imediatamente.
Só que havia um detalhe. Para sair pelo outro portão eu tinha que pular dois ALAMBRADOS para sair pelo lado da torcida do Sergipe, o que acabei fazendo, mesmo tendo o prejuízo de perder um sapato, e rasgar a calça.
Para finalizar. Passei 03 dias sem ir trabalhar, até que o dono da emissora, até hoje meu querido amigo Aerton Silva, fosse no quartel acalmar os ânimos.
Mais um causo da minha vida nesse querido estado que tanto amo.
Até o próximo domingo!
Se a memória não me falha, o ano era 1975. Trabalhando na Rádio Liberdade como repórter esportivo, fazia cobertura de uma partida decisiva do campeonato sergipano entre Sergipe e Confiança.
À época vivíamos sob forte regime militar no país. A ditadura iniciada em 1964 vivia um dos seus períodos mais nebulosos. Em todos os setores o pulso forte das forças armadas se fazia presente, e com o futebol, a grande paixão dos brasileiros, a situação não seria diferente.
Ganhamos copa de 70 no México, estádios foram construídos pelo país afora, tudo para demonstrar uma proximidade do poder militar com o povo.
Aqui em Sergipe, a antiga Federação Sergipana de Desportos era administrada pelo General Djenaj Queiroz, e tinha muitos outros militares no seu quadro, principalmente no departamento de árbitros que era comandado por uma alta patente militar e com muito poder no 28 BC.

Pois bem. Esse diretor de árbitros tinha a mania de não escalar os juízes para a partida, selecionava quatro e minutos antes do jogo, no vestiário, fazia o sorteio de quem apitaria.
Nesse jogo aconteceu que o juiz sorteado era o mais fraco dentre eles. Não precisa dizer que a arbitragem foi péssima, com muita confusão. O repórter aqui, cheio de entusiasmo, gritava a plenos pulmões no microfone da Rádio Liberdade. ” O responsável por essa palhaçada é o diretor de árbitros que não se assume.” E toquei a falar.
Quase ao final da partida, sentado à beira do gramado, sinto uma mão forte no meu ombro, e aos gritos, ouço “depois do jogo você vai dizer quem é palhaço”. Quando olhei para o túnel, estava o coronel diretor de arbitragem, e acompanhando ele uns sete ou oito soldados, todos fardados.
Um colega de outra emissora me pegou, me levou por outro túnel e fui tentar me refugiar nas cabines. Quando lá estava, pensando que havia me livrado, eis que vejo subindo as escadas em minha direção, o coronel e seus soldados.
Foi quando o diretor artístico da rádio, Fernando Souza, barrou a subida deles, outro colega, Andrade Lima, pegou a chave de meu carro e me orientou a sair por outro portão, o que fiz imediatamente.
Só que havia um detalhe. Para sair pelo outro portão eu tinha que pular dois ALAMBRADOS para sair pelo lado da torcida do Sergipe, o que acabei fazendo, mesmo tendo o prejuízo de perder um sapato, e rasgar a calça.
Para finalizar. Passei 03 dias sem ir trabalhar, até que o dono da emissora, até hoje meu querido amigo Aerton Silva, fosse no quartel acalmar os ânimos.
Mais um causo da minha vida nesse querido estado que tanto amo.
Até o próximo domingo!





Uma resposta
“Pular dois ALAMBRADOS para sair pelo lado da torcida do Sergipe, o que acabei fazendo, mesmo tendo o prejuízo de perder um sapato, e rasgar a calça”. Jesus rsrsrsrs.