Por Carlos Batalha: O carismático, alegre e divertido João Alves!

Nos últimos dias e certamente pelos próximos dias, muito já se escreveu e se escreverá, já se falou e se falará, já foi mostrado nas televisões e se exibirá a vida de João Alves. Quem foi João Alves, o engenheiro, governador por três vezes, o prefeito por duas vezes e o Ministro do Interior.

As suas centenas de obras por todo o estado de Sergipe, em especial por Aracaju, a sua audácia em construir verdadeiras obras primas, a exemplo: a Orla mais bonita do país (Orla de Atalaia) e a maior ponte urbana do Nordeste, a Ponte Aracaju – Barra, além de outras audácias como a Adutora, o Platô de Neópolis, a conclusão do Porto, marcaram e marcará por centenas de anos a sua administração na Prefeitura de Aracaju e também no Governo do Estado.

A sua preocupação com o Nordeste Brasileiro, a sua defesa pelo Rio São Francisco, a maneira com que tratava a todos, a sua atenção com o servidor público, sendo o único governante até hoje a não exonerar um só servidor em todos os mandatos que exerceu. Tudo isso já foi comentado, já foi por demais divulgado, então vamos por aqui citar algumas passagens diferentes de João Alves que era muito alegre, muito divertido, figura que dificilmente ficava contrariado. Era uma pessoa de fino trato, tratava a todos com muita discrição e sentado a uma mesa de escritório, a um gabinete de repartição pública ou na mesa de um bom restaurante o papo era agradabilíssimo.

Sem muito esforço de memória, porque as lembranças estão vivas, contarei aqui alguns causos protagonizados por João Alves no seu dia a dia.

CAUSO 1: Todos sabem que João Alves sempre zelou pela forma física, ele praticava os seus exercícios, no seu prédio tinha academia, ele praticava longas caminhadas, inclusive quando viajava não dispensava um tênis e uma bermuda para suas tradicionais caminhadas. Em um desses dias, eu fui acordado por volta das 06h para acompanhá-lo em uma caminhada na Orla de Atalaia que estava recém entregue a população, estando um verdadeiro brinco. Depois de caminharmos por aproximadamente 1 hora e meia, era por voltas das 08: 30h em um dia de domingo, João tinha um compromisso na cidade de Estância. Como não poderia se atrasar ele levou no carro uma calça e, homem simples como sempre foi, bem ali nos lagos tirou o tênis e começou a vestir a calça por cima da bermuda. Aí veio um casal que notou-se logo que era de fora e perguntou: bom dia, por favor: bom dia, onde fica localizado uma banca de revista.

 Eu apontei para uma banca de revista, já doutor João sentado no chão perguntou se o casal era do estado, quando o rapaz disse que eram de Porto Alegre. De pronto, João perguntou o que achou da Orla, recebendo a resposta de que teriam achado maravilhosa, uma beleza. Quando o Capitão Nilton que nos acompanhava disse assim: Foi ele que construiu, ele é o governador. Aí, o garotinho que acompanhava o casal na faixa de uns 10 anos caiu na gargalhada (kkk) e cochichou no ouvido do pai. João, curioso, perguntou sobre o que o garoto estava falando. O pai constrangido, olhou para João Alves que estava com aquelas roupas despojadas, e disse: Meu filho está dizendo que o senhor está parecendo mais um mendigo do que um governador. Ao ouvir, o negão deu aquela gargalhada que acho que até os hóspedes do hotel em frente acordaram. Era uma simplicidade em pessoa e nunca ostentava os títulos que possuía.

CAUSO 2: Em 2013, nós viajamos para a Europa, mais precisamente na Itália, quando a dupla sergipana Duda e Carol disputaria o mundial de vôlei de praia, dupla essa que acabou trazendo o título de campeã, então, João viajou na condição de prefeito e convidado pela Confederação Brasileira de Desportos Escolares através do Antônio Hora Filho. No dia seguinte a abertura da competição, o prefeito da Manfredônia programou um jantar especial em um local distante da cidade para recepcionar exclusivamente a delegação brasileira, que repito, tinha João Alves como presidente de honra. Todos sabem que o europeu detesta atraso. Então, ficou marcado que uma Van sairia da porta da Prefeitura exatamente às 19h para nos levarmos ao restaurante. O que aconteceu, por volta das 18: 30h, todos estavam no hall do Hotel, com exceção de João Alves.

O procuramos, cadê doutor João, cadê doutor João, de repente Antônio Hora tem um estalo e pega o carro que estava a nossa disposição. Um pouco distante, encontra doutor João naquele horário fazendo a sua tradicional caminhada na praia. Então, chegamos atrasado, por volta das 20h, o prefeito estava mal encarado, mais João logo ao sentar à frente a primeira coisa que fez, todo destrambelhado, foi bater a mão na taça de vinho e derramar tudo e deu aquela sonora gargalhada tornando o ambiente mais tranquilo, calmo e terminou tudo bem graças à Deus.

CAUSO 3: Para João Alves não existia sábado, domingo e feriado, nem 20h da noite e nem 05h da manhã quando ele queria trabalhar ou queria alguma informação. Quando nós éramos convidados a aceitar esses cargos, o primeiro aviso era este. No terceiro governo dele, já era início da nova década, já tinha celulares (que virou a grande ferramenta de todos nós) só que João ficava impaciente quando ligava e o celular estava fora de área, estava desligado ou coisa do tipo.

Aí em um belo dia fez uma reunião, em um dos seus momentos raríssimos de cara feia, de raiva e disse:  Eu não tenho nada a ver com a vida social dos meus secretários, esse aviso vale para todos (equipe composta de homens e mulheres) inclusive a Senadora Maria do Carmo, que licenciada ocupava a Secretaria de Combate à Pobreza. Eu tenho notado que procuro conversar com alguns secretários e não os tenho encontrado pelo celular. Eu não quero mais saber de celular desligado, até mesmo aqueles que gostam de fugir e escapar para motel, quando for ao motel faça o que quiser fazer mais deixem o celular ligado. Esse aviso vale todos que estão aqui. Dona Maria sentada ao lado, disse: o que é isso João, eu também sou a sua secretária e sou a sua mulher. Oh, me desculpe, eu não me lembrei que Maria estava ao meu lado e era a minha secretária. Foi uma gargalhada geral, mais o pito valeu para todos.

CAUSO 4: Para finalizar por hoje, pois em outras oportunidade contarei outros causos de João Alves, eu acompanhei João Alves para Brasília para um tour de entrevistas e ele me solicitou que marcasse, pois seria muito interessante para a exposição de nome do Estado de Sergipe na capital federal, com a divulgação de programas locais. Então, eu agendei vários deles, um deles com a jornalista Belisa Ribeiro (mãe do cantor e compositor Gabriel Pensador). Chegando no SBT, lá na capital federal, notei que antes de iniciar a entrevista ele estava com a gravata desalinhada, a gola meio troncha e eu fui arrumá-lo. No momento em que estou arrumando, abre o programa com a câmera fechada em cima da apresentadora, mais dentro do estúdio com a pessoa falando alto sai no ar. Aí quando me aproximo dele, ele simplesmente grita assim: “amigo não adianta não, eu sou feio. De prontidão, eu sair ao visualizar que a câmera abria e pegava ele falando olhando para Belisa e diz: “minha amiga eu sou casado há mais de 40 anos com Maria do Carmo e ela nunca me ajeitou pelo fato de que eu sou meio desajeitado mesmo e tudo isso, imagine, saindo no ar.

Esse era o ex-governador João Alves Filho com o seu estilo irreverente, uma figura muito carismática e muito divertida.

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