Os pesquisadores da Força Tarefa contra a Covid-19 da Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgaram na tarde desta terça-feira (23) o resultado parcial da testagem realizada em dez municípios sergipanos. O estudo apontou alta taxa de circulação do vírus e uma população mais suscetível à contaminação.
O objetivo do trabalho foi conhecer o panorama de contaminação da Covid-19 nos 10 municípios que apresentavam baixa testagem, alta mortalidade e internação hospitalar. Foram realizados testes RT-PC, considerado teste ouro para detecção do vírus, e o teste rápido de imunocromatografia para IGM IGG.
Até o momento, foram disponibilizados os resultados de 5.405 testes, entre sorológicos e RT-PCR. Desses, 1.226 pessoas confirmaram a doença, o que representa 22,6% das amostras analisadas. A equipe aguarda o processamento de outros testes já realizados.
A testagem foi realizada em Amparo do São Francisco, General Maynard, Frei Paulo, Itaporanga D´Ajuda, Malhador, Pacatuba, Pinhão, Pirambu, Salgado, São Francisco. Além desses dez municípios, também foram contabilizados os dados dos testes realizados dias antes em Laranjeiras e Maruim.
Entre os 2.279 testes sorológicos, 395 foram positivos para anticorpos do tipo IgM (infecções ativas iniciais), 115 para o tipo IgG (quando o indivíduo teve contato com a doença e já se recuperou) e 118 para os anticorpos IgG e IgM. Outras 1.651 amostras apresentaram resultado negativo.
Já os testes RT-PCR foram enviados para o estado do Ceará e processados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Do total de 3.126 testes, 598 amostras foram detectáveis para a presença do vírus e 2.528 não detectáveis.
De acordo com o coordenador da Força Tarefa da UFS, professor Lysandro Borges, os resultados obtidos até agora apontam para a alta taxa média de IMG, indicando a contaminação populacional em fase ativa. Os dados corroboram com o RT 1,33 do estado, (cada 100 pessoas infectadas podem contaminar outras 133).
“Isso mostra que o vírus está circulando nos municípios do interior sergipano e contaminando a população”, diz o pesquisador.
Lysandro explica também que o RT-PC confirmou a presença do vírus em pessoas assintomáticas e transmissores. “Qual o pior problema? O indivíduo não sente nada, recebe o resultado positivo e, por não sentir nada, continua circulando e espalhando o vírus”, alerta..
O estudo apresenta também baixa concentração do anticorpo de memória, o IGG, para a maioria dos municípios, com destaque para: Malhador 1%, Itaporanga D´Ajuda 3%, Pirambu 3% e Frei Paulo 2%.
“Os estudos mostram que a duração desse anticorpo é de cinco meses, e isso realmente aconteceu em nosso estado. É como se nós estivéssemos recomeçando a pandemia em 2021; as pessoas que tiveram o vírus ano passado não têm mais proteção, o que indica alta suscetibilidade da população em adquirir a Covid de novo”, explicou o coordenador.
O município de Itaporanga D´Ajuda também chama atenção para a alta taxa de positividade – 28% para IGM.
“Em relação à presença dos dois anticorpos IGM e IGG, indicando que o paciente já está da metade para o final da infecção, podemos contemplar que há uma média de 6% a 11%”, diz o professor Lysandro Borges, alertando que os resultados reforçam ainda mais a necessidade de se manter as medidas preventivas como o uso da máscara (a cirúrgica e a de pano, quando possível), a higiene das mãos com água e sabão ou com o álcool a 70%, e o distanciamento social.
Entre as sugestões apresentadas para conter o avanço da contaminação, os pesquisadores chamam atenção para a necessidade de ampliar e continuar a buscativa e testagem em massa da população; sensibilizar a população sobre o risco das novas cepas; aumentar a sensibilização sobre o uso correto da máscara e incentivar a não aglomeração.
“Por favor, é um pedido desesperado da Ciência, para que as pessoas parem de aglomerar, para que as pessoas não aglomerem, pelo amor de Deus, a situação é de contaminação, e não é um alarme, é um alerta para que as pessoas se cuidem e cuidem de quem ama”, disse Lysandro.
A testagem foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen) e os municípios contemplados.
Edição de texto: Monica Pinto




