Penumbra Esportiva: Refletores apagados, promessas vencidas e um futebol cada vez mais no escuro

Por Emanuel Rocha

O futebol sergipano vive uma de suas fases mais preocupantes. A crise na infraestrutura dos estádios, sobretudo no que diz respeito à iluminação, expõe o abandono do poder público e a complacência de parte da imprensa local. Da Arena Batistão aos campos do interior, a escuridão não é apenas física — é também simbólica de uma gestão que falha em oferecer o mínimo necessário para a prática esportiva digna.
A situação da Arena Batistão — principal palco do futebol no estado — é emblemática: diversos refletores queimados comprometem a visibilidade em campo, a qualidade das transmissões e a segurança dos atletas. No interior, o cenário é ainda mais alarmante. Em um dos estádios, a precariedade obrigou a mudança do horário das partidas para o início da tarde, sob sol escaldante, devido à completa impossibilidade de realizar jogos noturnos. O que deveria ser uma medida emergencial tornou-se rotina — um retrato fiel do retrocesso esportivo.

Penumbra Esportiva: Refletores apagados, promessas vencidas e um futebol cada vez mais no escuro

As consequências são evidentes. Jogadores arriscam lesões em lances disputados sob iluminação deficiente. Torcedores — que mantêm vivo o espetáculo — são submetidos a experiências cada vez piores. Profissionais da imprensa enfrentam sérias dificuldades técnicas: fotografias granuladas, vídeos com ruído visual e transmissões abaixo dos padrões mínimos de qualidade.
O governador, amplamente conhecido como um desportista e apelidado por muitos como “o governador do esporte”, não pode — ou não deveria — deixar a comunidade futebolística sergipana à própria sorte. Está mais do que na hora de transformar o discurso em prática: olhar com atenção para os nossos estádios e cobrar da Secretaria de Esportes uma atuação mais enérgica, técnica e competente. O que parece um problema pequeno aos olhos da gestão, tornou-se um entrave enorme para o futebol sergipano — e exige ação imediata.

É inadmissível que, em 2025, Sergipe ainda enfrente um problema tão elementar. É urgente que a Secretaria de Esportes:

• Reconheça publicamente a gravidade da situação;

• Apresente um plano emergencial de modernização da iluminação;

• Estabeleça prazos concretos para a resolução do problema.

Não é segredo que muitos gestores se incomodam com críticas. No entanto, já se passaram quase três anos de mandato — e quase nada avançou quando o assunto é a modernização dos estádios. O tempo da espera já deveria ter acabado. É urgente realizar as reformas necessárias, especialmente na iluminação, item básico para a prática esportiva em condições adequadas.
Um exemplo emblemático é o Estádio Etelvino Mendonça, em Itabaiana: embora tenha recebido melhorias significativas em sua estrutura física, a iluminação foi deixada de lado. Um erro estratégico, pois luz também é jogo, é segurança, é dignidade para atletas, torcedores e profissionais do futebol.
Chegamos ao ponto em que um balde de água fria é necessário para acordar quem deveria trabalhar em favor do esporte — ou, no mínimo, para despertar quem está dormindo no ponto. O futebol sergipano não pode mais esperar por promessas nem tolerar justificativas que não se sustentam.

Os torcedores sergipanos, que sustentam o futebol com sua paixão e recursos, não merecem mais promessas vazias e estádios às escuras. O futebol do estado clama por luz — nos refletores e na gestão.
Ao fim, quem mais perde é o próprio futebol sergipano. Com a realização de jogos de campeonatos nacionais em solo sergipano, clubes de outras regiões têm se deparado com uma estrutura precária, especialmente no que diz respeito à iluminação dos estádios — e saem levando uma péssima impressão do que encontram por aqui. A credibilidade do nosso futebol está em xeque, e o prejuízo já ultrapassa as quatro linhas: atinge a imagem do estado, afasta investimentos e compromete o futuro do esporte local.
Com certeza o governador vai ler nossa matéria — e esperamos que, em breve, cobre ações concretas e anuncie o início da substituição e modernização dos refletores dos nossos estádios. E, já que estará com a mão na massa, que aproveite para trocar também os placares eletrônicos, que já não suportam mais tanta manutenção.

*Emanuel Rocha, é historiador, autor do livro de fotografias Bacias Histerográficas de Sergipe, coautor do Livro Bairro América: A saga de uma comunidade, é Repórter fotográfico e poeta popular.

Crédito da foto: Marx Dantas

 

 

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