Qual é o tempo de vida de tudo que existe? Esse é um questionamento que em meio a uma crise sanitária tornou-se ainda mais distante de uma resposta clara. A concepção do senso comum da vida “como um sopro” parece ser entendida com mais frequência, em respeito a vidas humanas e também tudo o que ela produz (ou se livra) ao longo de sua vida.
Para entender bem esta realidade é possível pontuar as mudanças no padrão de geração e descarte de resíduos durante a pandemia Covid-19, com uma maior permanência nos domicílios e uma grande ocupação na rede de saúde, que fez crescer em grande proporção o volume de lixo produzido, entre resíduos residenciais e hospitalares, bem como os gastos com estes materiais.

Esta afirmação ganha respaldo no estado de Sergipe, pois de acordo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), que é a responsável pelos resíduos provenientes da coleta domiciliar, o fechamento de comércio para atendimento ao público culminou no aumento da geração de descartáveis e embalagens.
Em âmbito nacional, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) estima que as medidas de distanciamento social geraram um aumento de 15% a 25%, se aproximando de uma ascensão de 10 a 20 vezes para os hospitalares.
Só uma das maiores unidades de saúde em Sergipe, o Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), afirma que o consumo semanal de ferramentas descartáveis chega 27 mil com relação a seringas, 43,5 mil para máscaras, 1200 em caixas de luvas, 10 mil toucas e 25 mil aventais, ou seja, um grande volume que principalmente na pandemia entra em desuso rapidamente.
Pouco uso para alguns, vida longa para outros
Levando-se em conta o tempo de permanência do vírus nas superfícies diversas, apesar de se tornarem obsoletos rapidamente nas mãos humanas, as consequências deixadas por estes produtos no meio ambiente podem se comparar à eternidade.
E para o mestre em desenvolvimento sustentável e meio ambiente, Roberio Satyro, os impactos dessa problemática a longo prazo vão desde contaminação de corpos de água, rios, lençóis freáticos, solo e animais, até problemas de saúde na população.
“Por ser um material que apresenta um nível de periculosidade alta, o descarte específico dos resíduos utilizados em pacientes ou contaminados com a Covid-19, se dispostos de forma incorreta pode acabar contaminando mais pessoas, principalmente porque no período pandêmico, a coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos apresentou uma queda significativa, principalmente no período de março a abril de 2020”, explicou o especialista.
Descartáveis recicláveis, mas não reciclados
Outra problemática reside no fato de que apesar da maioria dos materiais serem recicláveis, o descarte inadequado impediu um aumento da reciclagem na mesma proporção, pois de acordo com a Abrelpe, o país não se utiliza de seu grande potencial, dada a possibilidade de se reaproveitar 30% desses insumos, taxa que não chega a 3% do total.
Segundo o especialista ambiental, caso se vislumbre uma transformação positiva é necessária a cooperação do setor público, privado e sociedade, que devem repensar modelos de produção e consumo para promover redução, uma vez que os próprios aterros sanitários possuem uma capacidade limitada.
Nesse sentido, Roberio ressalta a essencialidade da atuação de profissionais como os catadores: “Estes representam um elo de extrema importância na gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos, pois fazem a triagem e comercialização dos resíduos gerados para indústrias de reciclagem. Há o incentivo para a organização em associações e cooperativas que valorizem e proporcionem melhores condições de trabalho para esses profissionais que antes trabalhavam sem qualquer tipo de proteção ou estrutura para triagem dos resíduos”.
Sei de onde vem, mas para onde vão?
Segundo a Emsurb, todo o lixo domiciliar coletado em Aracaju é direcionado para uma estação de transbordo localizado em Socorro, de onde o resíduo é transferido para carretas e transportadas para a destinação final em Aterro Sanitário localizado em Rosário do Catete. E já com relação ao material reciclável coletado no programa Coleta Seletiva, é feito o encaminhamento à sede da cooperativa CARE e COORES, para a triagem de resíduos recicláveis e comercialização.
Para o descarte de resíduos hospitalares, o Huse ratifica que é seguido um procedimento rigoroso que segue recomendações técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de todo o lixo, que são encaminhados para tratamento adequado e destinados a empresas de higienização específicas, que fazem o recolhimento e transporte.
https://fanf1.com.br/cidades/2021/08/22675/pandemia-faz-aumentar-a-producao-de-lixo-residencial-e-hospi.html




