Opinião: A eleição de 2022 em Sergipe será decidida pela liderança de Lula e Rogério

Por Camilo Daniel – Sociólogo e mestre em Desenvolvimento Territorial

Durante as últimas semanas o tema das eleições estaduais de 2022 tomaram conta do debate político nos blogs, programas de rádio e rodas de conversas dos mais variados políticos e analistas da política sergipana. Aparentemente há 4 candidatos preferenciais do grupo que atualmente governa o estado de Sergipe, sendo Fábio Mitidieri, Edvaldo Nogueira, Laércio Oliveira e Ulices Andrade.

Uma questão que chamou minha atenção é o fato do PT e Rogério Carvalho não serem lembrados como prioridades na sucessão estadual pelo chamado ‘bloco governista’, apesar do governador não falar publicamente a sua posição nessa sucessão.

Duas questões muito importantes devem ser bem pontuadas nesse debate. A primeira é a tese que não se sustenta de que o PT abandonou o bloco governista depois da candidatura a prefeito de Márcio Macedo em Aracaju. Diferentemente das eleições de 2016 em que o PSB e Valadares se afastaram do bloco político liderado por Jackson Barreto quando se aproximaram de Eduardo Amorim, o PT construiu uma candidatura própria em 2020 num momento em que o cenário nacional exigia candidaturas do PT nas capitais e nas grandes cidades para se defender das acusações da lava jato e das candidaturas bolsonaristas e, ao mesmo tempo, apresentar um novo programa político de gestão para as cidades; em segundo lugar, o PT não se alinhou a nenhuma força política que faz oposição ao projeto liderado pelo governador Belivaldo Chagas.

Além disso, a tese que o PT rompeu com o bloco governista cai por terra, principalmente porque a  a aliança de Edvaldo com Laércio Oliveira e André Moura impossibilitava uma defesa mais contundente no programa de governo de temas como a democracia e direitos trabalhistas, visto que os novos aliados de Edvaldo representam exatamente o contrário do que o PT defende no seu programa político.

Opinião: A eleição de 2022 em Sergipe será decidida pela liderança de Lula e Rogério

É importante perceber o que representa a candidatura de Rogério ao Governo de Sergipe em 2022. O senador, além de ter uma marca importante na gestão pública, também demonstra ser um político extremamente articulado, em Brasília e Sergipe. Representa muito bem o Estado de Sergipe no Senado, sendo inclusive, um dos principais responsáveis pela liberação de recursos para recuperar as rodovias sergipanas e tem feito um importante papel na CPI da Covid, fato que o coloca inclusive em projeção nacional.

Se Rogério já representava um vigor político por conta do seu bom relacionamento, compromisso e capacidade de articulação política, a certeza da presença de Lula no pleito eleitoral como candidato a presidente da república garante ainda mais força ao palanque do PT em Sergipe. Lula faz história e é um fenômeno que desarticula, inclusive, os acordos firmados nos Gabinetes.

O fato é que a política sergipana passou a se movimentar com mais intensidade após a decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou as condenações de Lula decorrentes da operação Lava Jato. E talvez, essa pressa em conformar a chapa majoritária das eleições de 2022 seja decorrente da força eleitoral que o PT passaria a ter com a presença de Lula nessa disputa. Ainda estamos em Maio de 2021 e tudo leva a crer que chegaremos na eleição em 2022 com um cenário extremamente polarizado por conta do debate nacional, e esse fator vai reverberar nas eleições estaduais. Quem apostava que a esquerda não voltaria a ter protagonismo após o golpe de 2016 e preferiu sair da esquerda para se movimentar pelo centro, provavelmente não imaginaria, uma reviravolta dessa natureza.

O fator Lula movimentou a sociedade política sergipana, porque antes disso movimentou o interesse popular. As bases da sociedade já manifestaram o desejo de votar em Lula e no PT e, mesmo os que acham que exercem poder de liderança na política local, não devem nem podem negar que o PT além de ter papel decisivo para a sucessão estadual também tem o candidato com maior articulação política e densidade eleitoral dessa disputa.

Se é verdade que as eleições de 2022 estão na ordem do dia da sociedade política sergipana, também é verdade que alguns pré-candidatos vem adiantando os passos devido o protagonismo de Lula e do PT. E, mesmo não impondo ao bloco governista, a candidatura de Rogério que já se desenhava com muita força, ganha novos elementos que mexem com as estruturas da sociedade política sergipana. O PT volta a ter protagonismo e força decisiva.

 

 

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