O futuro em chamas: Como o legislativo sabota o Meio Ambiente

O futuro em chamas: Como o legislativo sabota o Meio Ambiente

 

O verde morre em silêncio, sufocado por discursos que prometem progresso e entregam devastação.

 

É fato que em 2023 houve uma redução no desmatamento da Amazônia. No entanto, não devemos nos iludir: isso não indica uma mudança estrutural. Na melhor das hipóteses, representa apenas uma ação temporária do Governo Federal — motivada por pressões de compromissos internacionais e pela demanda da sociedade — para conter a destruição. É um esforço meritório, mas com limitações.

Enquanto o Poder Executivo tenta fortalecer as instituições ambientais e retomar uma agenda climática responsável, o Congresso Nacional age como um entrave à preservação. Propostas de lei que anistiam invasores de terras públicas, afrouxam as exigências para o licenciamento ambiental, ameaçam os direitos dos povos indígenas e ampliam a flexibilização do uso do solo avançam com rapidez pela Câmara dos Deputados, cada vez mais subordinada ao lobby do agronegócio. É como tentar apagar um incêndio sem sequer ter acesso à água.

Nesse cenário, a imagem da floresta devastada por mãos legislativas ganha contornos poéticos e trágicos. Como cantou Vital Farias, em Saga da Amazônia:

“A mata virgem foi coberta por fumaça
E o céu ficou com uma cor de sangue vivo
E os animais fugiram espavoridos
Daquela morte sem sentido e sem razão…”

O governo menciona a importância da preservação, mas as decisões são tomadas por representantes do agronegócio, disfarçados de legisladores. Esses deputados não se importam com o futuro, focando apenas no presente, no lucro rápido, nas contribuições de campanha e nos acordos que mantêm suas posições.

O mais preocupante é que tudo isso acontece dentro de um discurso contraditório que se apresenta como avanço. Utilizam termos como “segurança alimentar”, “produtividade” e “soberania nacional”, mas, na verdade, estão negociando nossos recursos naturais à iniciativa do mercado. Estão vendendo o Brasil de forma fragmentada. E isso ocorre em um momento em que o mundo exige a proteção do meio ambiente e a equidade climática.

O governo federal busca se manifestar, mas como gerenciar uma nação quando o Legislativo age como aliado da destruição? Quando o Congresso cria leis que prejudicam o meio ambiente, os povos indígenas e a população em geral?

 

Emanuel Rocha é historiador, coautor dos livros Bacias Hidrográficas de Sergipe e Bairro América: A saga de uma comunidade. Também atua como repórter fotográfico e poeta popular.

 

 

 

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