Mulheres relatam vivências durante diagnóstico e tratamento do câncer de mama

“Quando eu não tinha cabelo, sobrancelha, cílios, eu encontrei meu tudo. Eu me redescobri uma nova pessoa, uma nova mulher. Eu me sentia muito mais bonita quando eu perdi meus cabelos, me sentia muito bem. Foi dolorido o processo da perda, é dolorido. Mas, eu renasci junto”, conta a publicitária Marcela Nabuco, 35 anos, ao lembrar os efeitos do tratamento com quimioterapia após ter sido diagnosticada com câncer de mama em setembro de 2017.

Ela não está sozinha. De acordo com o  Instituto Nacional de Câncer (INC) são estimados 66.280 novos casos da doença apenas em 2020, sendo este o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. 

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio de um nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor, sendo esta a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Em casos de pacientes diagnosticadas precocemente, a chance de sobrevida varia entre 93-100%, mas não passa de 72% para os casos diagnosticados tardiamente. 

“Enquanto estava tomando banho, fiz o auto exame, quando eu percebi que existia um nodulozinho e ele estava quente e doía, procurei o médico e fiz exames. O primeiro resultado deu algo benigno, só que sentia o incômodo do caroço crescendo e repeti os exames. Feita a biópsia em setembro de 2017, recebi o resultado que apontava positivo para algo maligno”, revela Marcela que mantinha uma rotina muito regular com os exames. 

A publicitária faz parte do grupo de apoio “Flores de Aço” composto por mulheres que enfrentaram o câncer – sem distinção de tipo. Após a confirmação do diagnóstico e retirada da mama, é comum que a identidade feminina seja questionada e que, acompanhadas pela incerteza sobre a vida, a possibilidade de recorrência da doença e a dúvida a respeito do sucesso do tratamento se tornem duras adversárias para as pacientes.

“Eu lembro que eu só pensava em saber quantos dias de vida eu tinha, porque eu sempre fui muito dona de mim, sempre fui mãe, de resolver meus problemas. Então, quando eu descobri que estava com câncer, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi descobrir quanto de tempo eu tinha pra poder organizar a vida, pra deixar tudo organizado”, diz Marcela. 

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