Dez meses após ter sido resgatada na Serra da Miaba, em Sergipe, a jovem universitária de Salvador, Joana Gabriela Coutinho, ainda realiza sessões diárias de fisioterapia para tentar se recuperar das sequelas que carrega após ter desaparecido por cinco dias e ter sido encontrada sozinha, ferida e desorientada.
No final de setembro de 2020, Joana veio para Aracaju visitar a irmã e o sobrinho que vivem na cidade. Durante sua estadia na capital sergipana, a universitária acabou indo até a cidade de São Domingos com um jovem que havia conhecido nas redes sociais para acamparem na Serra da Miaba, onde a jovem acabou desaparecendo.
As investigações da Polícia Civil apontaram o envolvimento de seis suspeitos no caso, dois deles foram presos e outros quatro responderam pelo crime de sequestro e tentativa de homicídio. Entre os suspeitos, estão um sergipano, um piauiense, o dono de uma mercearia localizada no pé da serra, além de três argentinos, um deles suspeito de tráfico de drogas.
De acordo com a polícia, Joana foi encontrada com ferimento no couro cabeludo, rompimento no tímpano, hematomas na mandíbula, na lombar e na genitália, além da presença de larvas que denotavam pelo menos cinco dias de lesão.

Em entrevista ao Jornal Fan F1, a mãe de Joana, Roseli Coutinho, falou sobre a rotina de cuidados que a filha tem seguido, permanecendo de segunda a sexta-feira no Hospital Sarah Kubitschek em Salvador, referência em reabilitação.
“Ela anda pouco, faz tudo acompanhada, mas tem melhorado, graças a Deus. O tratamento não tem prazo para ser encerrado, depende da melhora que ela vá apresentando, mas vai ter algum tipo de acompanhamento pelo resto da vida. Ela começou a fazer a fisioterapia desde janeiro e fevereiro, quando paguei pelas sessões, depois consegui vaga em hospital público”, disse.
Segundo Roseli, Joana já passou por alguns procedimentos cirúrgicos nos quais foram colocados oito pinos na região da coluna e duas hastes. Além disso, a jovem praticamente perdeu uma das vértebras, o que compromete alguns movimentos e até mesmo a locomoção.
“Psicologicamente, ela tem se encaminhando bem, pois a família tem dado suporte e eu sempre digo a ela que o que passou, passou. Ninguém vai poder mudar o passado, agora temos que melhorar o presente. Tem momentos bem difíceis, mas eu, como mãe, tenho me dedicado intensivamente para a recuperação dela”, disse Roseli.
Meses depois do caso, a mãe de Joana ainda sente revolta com o episódio ocorrido com a filha.
“Até hoje eu fico sem entender porque tanta maldade com o ser humano que você mal conhece. Eu fico tentando entender, sabe? Ela praticamente é deficiente hoje, porque até agora não sabemos se ela pode melhorar. Aquela situação aparentemente acabou para todo mundo, mas para nós ainda continua, principalmente para mim que sou a mãe”, finalizou.
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