Ainda falta cerca de um ano para as eleições de 2022, mas o mercado financeiro, que gosta de se antecipar, já começa a discutir quem seria seu candidato preferido.
Ao longo das últimas semanas, a CNN conversou com participantes influentes do mercado: dois CEOs de duas das maiores gestoras do país; o economista-chefe de um dos maiores bancos nacionais; e o presidente do Conselho de Administração de uma das maiores instituições financeiras do Brasil; além de analistas de mercado e casas de análise.

Com a eleição ainda distante, as fontes preferiram conversar com a CNN sem se identificar.
O economista-chefe de um grande banco diz que o mercado está dividido entre os que se decepcionaram com o atual presidente Jair Bolsonaro e os que têm medo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse à CNN: o que não tem hoje é o quadro de quatro anos atrás, quando o mercado não pestanejava em relação a Bolsonaro. Hoje já há um receio de que ele se torne um presidente populista.
Um ponto crucial, que pode ser o critério de desempate, é a definição do vice-presidente, que pode tanto favorecer Lula, quanto um candidato de terceira via – opção que seria o “sonho de consumo” do mercado, mas por ora parece pouco factível.
Segundo o economista-chefe, o mercado está olhando muito para o vice, porque Sergio Moro depende de um bom vice para conseguir fazer uma boa articulação política. E, no caso de Lula, um vice como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin pode simbolizar que ele será mais moderado e caminhará mais ao centro.
Especificamente sobre Lula, o economista cita uma frase muito repetida entre economistas: se será o Lula de 2022 vai ser o “Lula 1” ou “Lula 2”. Se for o “Lula 1”, a aceitação é maior, referindo-se ao primeiro mandato de Lula, em 2003, quando o ex-presidente nomeou nomes respeitados na equipe econômica e escreveu a carta ao mercado; ou se seria o Lula do segundo mandato, quando o governo foi mais intervencionista e cercado de nomes como Guido Mantega e Arno Augustin.
O presidente do conselho de uma das maiores instituições financeiras do mercado vê ressalvas sobre Lula, se entusiasma mais com o ex-juiz Sergio Moro e o governador de São Paulo, João Doria – apesar das menores intenções de voto de ambos -, mas avalia que Jair Bolsonaro tem hoje a maior rejeição no mercado.
Ele diz que o problema do Lula é o PT, uma vez que o CNPJ do ex-presidente é o partido. Mas pondera que se Lula se juntar a Alckmin, a aliança daria uma segurança grande para o mercado. Moro é um candidato forte, prossegue, mas depende de quem vai ser seu vice e sua equipe.
João Doria aparece atrás nas pesquisas, mas, segundo ele, nunca se deve duvidar de uma pessoa obstinada. E completa: a maior preocupação hoje do mercado é ter Bolsonaro na presidência em 2023, porque ele é um presidente errático e provoca muita volatilidade na Bolsa.
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1 de 12Jair Bolsonaro, atual presidente da República, se filiou em 30 de novembro de 2021 ao Partido Liberal (PL). Veja outros possíveis candidatos a presidente em 2022
Crédito: Alan Santos/PR
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2 de 12Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, governou o país entre 2003 e 2010 e deve se candidatar pelo PT
Crédito: ESTADÃO CONTEÚDO
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3 de 12Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional, provável candidato a presidente pelo PDT
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4 de 12Sergio Moro, ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, pode se candidatar pelo Podemos, partido ao qual se filiou
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5 de 12João Doria, governador de São Paulo, ganhou as prévias do PSDB para a definição de pré-candidato e concorrerá em 2022 pelo partido
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6 de 12Rodrigo Pacheco cumpre o primeiro mandato como senador por Minas, é presidente do Senado, acabou de trocar o DEM pelo PSD e pode entrar na corrida pelo Planalto
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7 de 12O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que seu nome continua à disposição do União Brasil para concorrer à Presidência da República
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8 de 12Alessandro Vieira cumpre o primeiro mandato como senador por Sergipe e pode ser candidato a presidente pelo Cidadania
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9 de 12Simone Tebet cumpre o primeiro mandato como senadora por Mato Grosso do Sul e pode entrar na corrida eleitoral pelo MDB
Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado
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10 de 12José Luiz Datena, anunciou sua migração do PSL para o PSD
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11 de 12Cabo Daciolo, pré-candidato do Brasil 35, à Presidência da República
Crédito: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
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12 de 12Felipe d’Avila, pré-candidato do Partido Novo, à Presidência da República
Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O CEO de uma das maiores gestoras do país corrobora essa visão. Segundo ele, a Faria Lima (avenida de São Paulo onde se concentram muitas empresas do mercado financeiro) tem uma decepção muito grande com Bolsonaro, apesar de Paulo Guedes ser muito conhecido no mercado. E Lula conseguiu algumas pontes com o mercado em sua gestão. Mas o caminho preferido seria uma terceira via.
A rejeição a Bolsonaro, prossegue o CEO, se explica pelo fato de que boa parte dos economistas que estão nas principais instituições financeiras do país são ex-integrantes de governos do PSDB e do PT. Segundo ele, são economistas mais de centro ou esquerda. Esse é um bom termômetro de como pensa o mercado financeiro, diz.
Outra visão difundida é que o mercado aceitou diversas medidas que contrariaram a agenda liberal prometida por Bolsonaro, mas seguiu apoiando o governo porque achava que Paulo Guedes era o fiel do teto de gastos e manteria a regra intacta.
A gota d’água foi a mudança na PEC dos Precatórios, que abriu espaço no teto para o Auxílio Brasil – o que o ministro definiu como um “waiver” na ocasião. A medida foi interpretada como o furo do teto e um claro sinal de que as contas públicas não seriam mais tão disciplinadas como antes, já que o governo ganhava uma licença para gastar.
Equipes econômicas
A definição de nomes da equipe econômica é outro fator que se discute no mercado. Participantes elogiam a definição de Affonso Pastore, apontado por Moro como seu conselheiro.
Já o time que o PSDB tenta escalar, apesar de ainda não ter respostas sobre os convites feitos, é definido como “dream team” (o time dos sonhos).
Em entrevista à CNN no dia seguinte à prévia do PSDB, João Doria afirmou que sua equipe econômica terá seis integrantes, sendo três mulheres, e não será centralizada em uma pessoa, “não terá um Posto Ipiranga”.
Entre os nomes cotados estão a economista Zeina Latif, que foi economista-chefe da XP, e Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman e uma das maiores autoridades sobre reforma administrativa. Ambos os nomes muito respeitados pelo mercado.
Uma das fontes consultadas resume de forma muito simples o cenário, dizendo que o mercado não tem preferência, simplesmente quer um presidente que siga com a agenda de reformas e seja responsável do ponto de vista fiscal.
O presidente que simbolizar isso, seja indicando um vice ou uma equipe econômica que represente essas teses, vai ganhar a preferência do mercado.




