As diferenças em grupos prioritários e na disponibilidade de imunizantes estão levando milhões de brasileiros a viajar em busca de vacina contra a Covid-19. É o que aponta um levantamento divulgado hoje (29) pelo portal Metrópoles, parceiro do F5 News, com base em microdados do Ministério da Saúde.
Segundo a publicação, quase 5,5 milhões de doses foram aplicadas em pessoas que não moram na cidade em que a aplicação do imunizante foi feita. Isso representa 16,4% do montante registrado no banco de dados no momento da análise. Do total de doses aplicadas, 1,1 milhão contemplou pessoas que não moram na unidade federativa (UF) em que a vacina foi dada. Confira os dados detalhados.
As informações compiladas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, revelam que 12,8 mil pessoas com domicílio em Sergipe foram vacinadas em outros estados, enquanto 14,1 mil moradores de outras unidades da federação receberam o imunizante em algum dos pontos de vacinação do território sergipano, o que corresponde a 3% das 458 mil doses já aplicadas no estado.
As doses são distribuídas por unidade federativa, levando em consideração dados do Censo 2010 sobre o público-alvo de cada etapa do plano de imunização. Isso faz com que, em muitos casos, os quantitativos sejam revisados quando chegam para distribuição na Secretaria de Estado da Saúde (SES). Dessa forma, o “turismo da vacina” acaba sendo mais grave quando envolve entes da Federação diferentes.
Em nota, o Ministério da Saúde declarou que “a distribuição das doses é feita em etapas e segue critérios técnicos de proporcionalidade do público-alvo a ser imunizado em cada Unidade Federada (UF)”. Isso é feito “de acordo com a estimativa de população dos grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 (PNO) e com base na quantidade de doses entregues pelos laboratórios”.
Com a escassez de novas doses, especialmente da Coronavac, que tem gerado problemas na aplicação da segunda dose em várias partes do país, incluindo Aracaju, municípios vêm reclamando de pessoas que estão se vacinando fora do seu local de origem.
Ao F5 News, a SES informou não ter controle sobre o domicílio das pessoas que são vacinadas no Estado, já que a aplicação é feita pelos municípios, também responsáveis pela comunicação direta ao Ministério da Saúde sobre as doses aplicadas. A pasta reforçou, no entanto, que orienta e cobra das cidades a exigência de comprovação do local de residência das pessoas que estão sendo vacinadas.
Em Aracaju, onde mais de 11,8 mil pessoas aguardam a chegada de novas doses da Coronavac para completar o esquema vacinal, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disse que “quem realiza o cadastro no site precisa anexar o comprovante de residência para receber a vacina contra covid. No caso de idosos, público que estava recebendo a vacina contra covid nas UBS, o comprovante é solicitado na recepção, na conferência de dados”.
Apesar da disputa, o Ministério da Saúde aponta que “o acesso aos serviços de saúde, incluindo a vacinação contra a Covid-19, deve ser garantido a toda a população brasileira, sem discriminação, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Edição de texto: Monica Pinto





