Começou nesta quinta-feira (30) a audiência de instrução do processo envolvendo a morte do designer de interiores Clautenis Santos, atingido durante abordagem da Polícia Civil na zona norte de Aracaju, no dia 08 de abril de 2019. O policial civil José Humberto dos Santos foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O processo tramita na 4ª Vara Criminal de Aracaju.
O caso corre na justiça há cerca de dois anos. Na época, a Corregedoria da Polícia Civil classificou a ação do policial como imprudente. No entanto, a defesa da vítima contestou o inquérito e pediu o indiciamento de Humberto por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de cometer o crime.
Nesta quinta, estão sendo ouvidas testemunhas e também o réu.
F5News tentou participar da audiência remota e chegou a ter acesso à sala, mas o acesso foi bloqueado instantes antes do início. Em uma mensagem pelo aplicativo, informaram que estavam realizando outra audiência e, no momento oportuno, admitiriam outros convidados, o que porém não ocorreu.
Um amigo próximo do designer Clautenis, Charliton Rebert Travassos Santos, informou ao F5News que também não foi admitido na audiência.
Relembre o caso
Clautenis Santos seguia do conjunto Bugio para a Barra dos Coqueiros (SE) em um transporte por aplicativo e foi morto na ação de três agentes da Polícia Civil que realizavam um plantão extraordinário da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, de acordo com o corregedor Júlio Flávio Prado, que conduziu o inquérito. “Eles tinham ido verificar uma denúncia de roubo de um Corolla e voltavam para a 3ª Delegacia Metropolitana”, disse à época.
Por volta de 22h, na altura da ponte entre o Bugio e o bairro Santos Dumont, a equipe policial deu ordem de parada e fez um cerco ao Gol preto. Neste momento, conforme a investigação, o motorista Eduardo Andrade desceu do veículo e se identificou, já Clautenis e o amigo Leandro Santos, que estavam no banco de trás, teriam aguardado dentro do carro por um período de tempo, calados. “Isso levou o policial a acreditar que estava em risco”, afirmou Prado.
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Os policiais suspeitaram dos dois rapazes que estavam no banco traseiro e ao dar ordem para que eles descessem, segundo consta nos relatos dos envolvidos, o policial José Humberto efetuou um disparo na hora em que Clautenis abria a porta traseira esquerda. O tiro atingiu o ombro do designer, que ficou caído no banco. Já o policial se desequilibrou e, do chão, efetuou mais um disparo que acertou a porta do Gol.
A investigação demonstrou que Clautenis não estava armado e nem esboçou qualquer reação abrupta à abordagem, como chegou a ser ventilado inicialmente. O depoimento de Leandro, amigo do designer, apontou que a princípio eles teriam suspeitado se tratar de um assalto, o que para a Polícia, poderia justificar a demora deles em sair do carro. Leandro foi o primeiro a descer do Gol e se deitou no chão com o rosto para baixo, por isso não viu toda ação, segundo o inquérito.
*Colaborou Will Rodriguez
https://www.f5news.com.br/cotidiano/justica-comeca-audiencia-de-instrucao-sobre-morte-de-clautenis-santos.html
Edição de texto: Will Rodriguez




