Em janeiro de 2019, 35 imigrantes venezuelanos desembarcaram no Aeroporto Internacional de Santa Maria, em Aracaju, vindos da cidade de Boa Vista, capital de Roraima.
Eles foram acolhidos pela Cátiras Brasileira, uma organização que faz parte da confederação de 162 organizações humanitárias da Igreja Católica que atua em mais de duzentos países.
A organização, que na época tinha como presidente o Arcebispo de Aracaju, Dom João José Costa, faz parte do processo de interiorização dos imigrantes aqui no Brasil. Do grupo, 25 venezuelanos permaneceram na capital sergipana, no antigo prédio do Seminário Menor, no Bairro Industrial e em seguida foram distribuídos em casas e apartamentos. Os outros 10 foram acolhidos pela Diocese de Propriá.
Entre os venezuelanos que chegaram a Aracaju, está Leidy Navarro, uma mulher de 39 anos, natural de El Tigre, cidade do estado de Anzoátegui, localizada na região norte da Venezuela, que fica há cerca de 500km da capital Caracas. Ela vive há cerca de 3 anos no Brasil e é mais uma entre os mais de 47 mil venezuelanos que buscaram refúgio aqui no país, por conta da crise política e econômica que tem afetado a Venezuela nos últimos anos
Inicialmente, quando veio para o Brasil, Leidy ficou abrigada na cidade de Boa Vista, capital de Roraima, localizada há 1.035 de sua cidade natal. Ela e outros 7 venezuelanos que já conhecia, vieram juntos para o norte brasileiro. Por estarem em uma situação crítica, Leidy conta que ela e seus colegas realizavam qualquer trabalho que surgisse para poderem sobreviver. Dois meses depois, conseguiram alugar um quarto onde passaram a morar 20 pessoas.
“Quando encontrávamos algum venezuelano na rua a gente tentava encontrar alguma maneira de dar abrigo para eles. Já havíamos passado por aquela situação e não queria ver outras pessoas do meu país passando por isso”, relatou.
“Algum tempo depois eu voltei para a Venezuela para buscar meus filhos, pois eles eram menor de idade. De volta para o Brasil, vivemos por um tempo em uma casa que alugamos. Após 3 meses, tivemos que voltar novamente para a Venezuela porque minha irmã havia falecido e quando retornamos para o Brasil, não tínhamos condições de pagar o aluguel, então fomos colocados pra rua”, contou emocionada.
Na rua com seus dois filhos, Leidy encontrou apoio na Cáritas Brasil. Na época, ela foi consultada pela organização e inserida no processo de interiorização dos imigrantes, momento em que Leidy e outros 34 venezuelanos vieram até a capital sergipana em uma aeronave cedida pelo Exército Brasileiro.

Já aqui na capital sergipana, ela conta que conseguiu um emprego de doméstica na casa de uma família e passou a viver com seus filhos em uma casa alugada no bairro 18 do Forte, na zona norte da cidade.
“Pouco depois de chegar em Aracaju consegui um trabalho como doméstica. Aluguei uma casa onde passei a morar com meus filhos. Eles foram matriculados na escola do bairro e além disso consegui me inscrever nos programas de assistência social do governo brasileiro. Trabalhei por cerca de 1 ano e meio e fui visitar meu marido na Venezuela. Quando voltei para o Aracaju, a pandemia do coronavírus já havia começado e eu fui dispensada do serviço”.
Leidy conta que ficou 3 meses desempregada. Com apoio da Arquidiocese, ela não precisou pagar o aluguel e as contas da casa, enquanto não conseguia um emprego por conta das medidas de distanciamento social que surgiram com a chegada da Covid-19. O dinheiro que recebia dos benefícios era utilizado apenas para conseguir se alimentar e sustentar seus filhos.
Há três meses, uma nova oportunidade surgiu para a venezuelana. Ela começou a trabalhar como cozinheira em uma padaria do próprio bairro onde permanece até hoje.
“No começo eu não queria vir para Aracaju. Em Boa Vista eu estava mais perto de casa. Era mais fácil pra mim ir e voltar da Venezuela. Aqui em Sergipe estou muito mais longe, mas fui muito bem recebida pelas pessoas da cidade. A vida na Venezuela estava insustentável. A inflação subia todos os dias. Eu trabalhava em uma fábrica, mas o que recebia não dava para comer por uma semana. Não podíamos ficar doentes porque não tínhamos dinheiro nem para comprar remédios”, lamentou a cozinheira.
Hoje Leidy vive em Aracaju com seu marido, seus dois filhos, um enteado e um sobrinho que chegou recentemente, também refugiado, vindo de Santa Catarina. Além disso, outro filho da venezuelana, o mais velho, de 21 anos, também veio morar na capital sergipana e trouxe junto sua esposa. Eles vivem em outra casa e o primogênito trabalha na cidade como barbeiro.
De acordo com a Cúria Metropolitana, atualmente cerca de 42 venezuelanos vivem refugiados em Sergipe. Neste período de pandemia de Covid-19, os imigrantes que estão com dificuldades financeiras recebem ajuda da Arquidiocese que tem auxiliado com moradia e doação de cestas básicas, até que a situação se normalize e eles consigam encontrar algum emprego.
As pessoas que queiram colaborar com a doação de cestas básicas, roupas, utensílios domésticos e demais contribuições, podem entrar em contato com a Cúria Metropolitana através do telefone (79) 3216-3000 ou levar sua doação diretamente no endereço Praça Olímpio Campos, 228 – Centro, Aracaju.




