Expectativa de vida dos sergipanos deve cair 2 anos com Covid-19, diz estudo

Para além das consequências sanitárias e econômicas, a pandemia da covid-19 também deve se refletir no tempo de vida dos brasileiros. Em Sergipe, a expectativa de vida da população pode retrair 2,21 anos por causa do impacto da doença nos índices de mortalidade.

Os dados estão em estudo liderado pela pesquisadora brasileira Marcia Castro, do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. O trabalho foi submetido para publicação na MedRxiv, da Universidade de Yale.

Esta será a primeira redução nesse indicador nacional desde 1940, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em média, a redução da expectativa de vida em todo o Brasil será de praticamente dois anos (1,94).

A pesquisa mostra que Sergipe deve ser a 9ª unidade da federação mais afetada, com a expectativa de vida saindo de 73,64 anos para 71,43. O estado já acumula quase 4 mil vidas perdidas desde o começo da pandemia e ocupa o primeiro lugar do Nordeste no ranking do impacto demográfico da covid-19.

 

 

Embora apontado como esperado em situações de crises sanitárias, esse declínio na expectativa de vida não deve ser pontual, conforme a demógrafa Márcia Castro, ouvida pelo jornal O Estado de São Paulo.

“Estamos vendo que 2021 vai ser pior que o ano passado. Existem Estados que somam mais mortes agora do que ao longo de todo 2020, como Amazonas e Rondônia. Além disso, existe uma demanda represada por atenção primária e procedimentos de rotina”, disse.

A análise também constatou a discrepância entre as expectativas de vida nas diferentes regiões do país que, segundo Márcia, reflete as desigualdades no que diz respeito ao número de médicos, de leitos hospitalares e infraestrutura. No Sul, por exemplo, as estimativas de perda de expectativa de vida estão abaixo dos dois anos para os três estados.

“A Região Nordeste, a despeito de ter desigualdades comparáveis às da Região Norte, não teve uma perda de expectativa de vida tão grande, porque os governos adotaram mais medidas de prevenção. São vários fatores. Desigualdades importam, decisões políticas importam; é um mosaico complicadíssimo”, afirmou Márcia Castro ao Estadão.

Edição de texto: Monica Pinto

Por F5 News

 

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