Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teste de anticorpos neutralizantes, que serve para dosar e qualificar a capacidade dos anticorpos e da resposta imune dos pacientes que testaram positivo para covid-19 e também para quem recebeu as duas doses da vacina contra o vírus. Diante disto, muitos pacientes já vacinados estão com dúvidas a respeito do exame.
De acordo com a médica infectologista Mariela Cometki, esse procedimento é diferente do teste de sorologia de IgG e IgM, pois a dosagem é em porcentagem e avalia o anticorpo que bloqueia a ligação da proteína espícula viral, e alguns receptores existentes nas células humanas para identificar se o indivíduo está imune ao vírus.
“Mesmo aprovada pela Anvisa e pela agência americana FDA, esse teste não está aprovado pela Agência Nacional da Saúde e, com isso, os planos de saúde ainda não estão o disponibilizando. Ele é feito pela coleta de sangue, diferente do PCR, que é pela secreção do nariz, e não pode ser feito na fase aguda, somente 20 dias depois da pessoa ter os sintomas da covid”, explica a médica.
É preciso que o resultado do exame apresente mais de 20% de percentual, de acordo com a infectologista, para indicar a presença dos anticorpos neutralizantes no organismo do paciente. Ainda conforme Mariela Cometki, esse exame está disponível há pouco tempo no mercado.
“As principais diferenças entre os exames sorológicos já existentes e o teste de Anticorpos Neutralizantes são que os exames de IgM, IgG e anticorpos totais possuem sensibilidade para detectar se houve contato prévio com o vírus, mas não são específicos para a neutralização do SARS-CoV-2. Já o teste de Anticorpos Neutralizantes bloqueia a ligação entre o Receptor Binding Domain, RBD, e a proteína Spike e ACE2 na célula humana, impedindo a entrada do vírus no organismo humano”, acrescenta a infectologista.
Edição de texto: Monica Pinto





