Há mais de cinco meses após o início da campanha de imunização contra a Covid-19 em todo o país, praticamente toda a população que atua na linha de frente do combate à doença em Sergipe já foi imunizada contra o vírus que há mais de um ano tem infectado a população aqui no estado.
Médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem bem como agentes da segurança pública e também trabalhadores da educação já entraram nos grupos prioritários, além dos idosos com comorbidades. A campanha de imunização, em alguns municípios do país, já começa a contemplar a população geral e segue vacinando as pessoas por ordem de idade.
Até o momento, o Governo Federal já distribuiu mais de 100 milhões de doses de vacinas em todo o país, entre os imunizantes da Astrazeneca, Coronavac e Pfizer.
Em Sergipe, um grupo de trabalhadores lida diariamente com situações de risco diante da exposição aos casos de pessoas infectadas pelo vírus, mas ainda assim não foram inseridos em grupos prioritários para que possam ser imunizados.
Eles não atuam propriamente na linha de frente no combate à doença, mas acompanharam as despedidas das mais de 5.200 vidas sergipanas que foram encerradas em virtude da infecção pela Covid-1, em casos que entram nas estatísticas dia após dia, desde o início da pandemia.
Estamos falando dos coveiros, que após mais de um ano enterrando vítimas e mais vítimas, já choraram as mesmas lágrimas das famílias que perderam parentes para a Covid-19, que também já foram infectados pelo vírus, alguns mais de uma vez, e temeram que a mesma realidade fosse vivida dentro de suas casas.
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Coveiros trabalhando sem o uso de EPI’s
Em entrevista ao Jornal Fan F1, um coveiro que trabalha há pouco mais de um ano em um cemitério da capital sergipana, que preferiu não se identificar, comentou como tem sido a rotina de angústia e medo diante dos corpos já enterrados, vítimas da doença.
“Ninguém disse pra gente sobre a previsão de chegada da vacina e eu já peguei duas vezes a Covid. Já enterrei uma galera e me senti mal com isso. Vejo a hora de meu estado psicológico quebrar. A gente tem que endurecer o coração, mas tem dias que eu choro calado. Me perguntam por que eu tô chorando e eu digo que é porque dói. Essa situação dói”, comentou o trabalhador.
Ele ainda continuou: “eu tenho um filho de 15 anos e já enterrei um adolescente de 16 anos, vítima da doença. Você precisava ver o desespero da mãe. Eu estava vendo aquilo como se fosse comigo. Quando eu cheguei aqui, fiquei uns três meses muito abalado. Já chegamos a enterrar cerca de 30 pessoas por dia aqui no cemitério, só de casos de Covid. Praticamente um corpo enterrado a cada meia hora. Eu entreguei a Deus, sabe? Vou fazer o que?”.
A prefeitura de Aracaju informou que o calendário de vacinação é definido pelo Governo Federal e que enquanto os coveiros não são vacinados, eles fazem uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs). A equipe de reportagem do Jornal Fan F1 esteve no cemitério São João Batista em Aracaju e constatou outra situação. Coveiros trabalhavam e sepultavam mais um corpo sem o uso dos equipamentos.




