Entenda o legado de Lampião e do cangaço para identidade do Nordeste

Foi numa semana santa

Tava o céu em oração

São Pedro estava na porta

Refazendo anotação

Daqueles santos faltosos

Quando chegou o Lampião…
– Guaipuan Vieira

 

Há exatos 83 anos morria o maior nome da história do cangaço e uma das maiores personalidades nordestinas. A famosa volante de soldados comandados pelo Tenente Arueira encurralou e fuzilou Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando na Grota do Angico, no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano.

O cangaço e o nordeste

“Se você pedir a uma criança que desenhe algo que lembre o nordeste, a maioria vai desenhar um chapéu em meia lua referente ao cangaceiro.”, afirma o pesquisador especialista em Cangaço Robério Santos, também escritor e jornalista. A herança do cangaço para a construção cultural e imagem do Nordeste é inquestionável. As músicas e vestimentas que Luiz Gonzaga popularizou em todo o país, as canções de Zé Ramalho, a contribuição do Mestre Vitalino em suas esculturas de barro, os milhares de cordéis e poemas como o de Guaipuan Vieira, destacado no início desta matéria, são lembradas por Robério Santos, que cita ainda duas obras de Cândido Portinari – Retirantes e Menino Morto -, exibidas no Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

 

Quanto às polêmicas acerca da violência praticada pelos bandos de cangaceiros, Robério complementa que a história é muito menos romântica do que imaginamos, mas concordando ou não, não se pode ignorar a importância cultural do fenômeno. “Negar a  importância cultural do fenômeno Cangaço seria como negar a existência de toda nossa história. Os acontecimentos estão aí para serem contados, vamos continuar fazendo isso em nossos livros, vídeos e batepapo diário.”, afirma o escritor. 

Lampião

Nascido Virgulino Ferreira da Silva, é natural de Serra Talhada, interior de Pernambuco, distante 423km da capital, Recife. Sua história ganhou diversas origens, muito por conta da construção do mito do Rei do Cangaço. Ele é o cangaceiro mais importante de toda história. Jesuíno Brilhante em 1872-1879 e Cabelleira, de 1770 a1786, tiveram sua relevância antes, mas a história do cangaço ganha outro significado com Lampião.

Um grande marco nessa história é o filme Rei do Cangaço (1937), do belga Benjamin Abrahão, com imagens e vídeos inéditos do bando mais famoso da história. Apesar dessa filmagem ter sido apreendida pela ditadura do governo de Getúlio Vargas, o filme foi resgatado em 1955, 17 anos após seu suicídio, e lançado nos cinemas, tornando-se um grande sucesso.

Lampião e Maria Bonita

O casal mais famoso do Nordeste tem forte impacto nas manifestações culturais. Sejam as músicas,  os poemas até artistas plásticos que usam o casal como fonte de inspiração. Robério lembra ainda que tanto na feira de Caruaru (PE), como até em São Paulo, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), duas figuras estão sempre presentes: Lampião e Maria Bonita 

Sendo a primeira a entrar no bando de Lampião como sua mulher, Maria Bonita fez também o termo “cangaceira” surgir e abriu espaço no movimento para outras mulheres como Sila, Enedina, Lídia e a parceira de Curisco, também muito conhecida, Dadá. A mulher era figura importante no movimento e mudou a forma como os bandos agiam.

Grota do Angico

“A grota foi onde tudo acabou, o cangaço acaba ali com a cabeça cortada do Rei do Cangaço e, a partir daquele ponto, houve declínio e medo dos que sobreviveram”, afirma o especialista Robério. Localizada no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano, a Grota do Angico virou um ponto turístico e até local de peregrinação religiosa, com a famosa Missa do Cangaço sendo realizada todos os anos onde Lampião morreu.

Recentemente, a jornalista e diretora Erna Barros lançou um documentário feito em Sergipe, na Grota do Angico, contando as histórias e acontecimentos da região em que o Rei do Cangaço foi encurralado e executado. “Angico de Fora a Fora” está disponível no YouTube e você confere abaixo:

Herói ou vilão

Mesmo após 83 anos, circula ainda pelo país, em especial pelo Nordeste, uma vasta quantidade de obras que registram a dualidade envolvendo a violência do movimento cangaceiro. Abrimos essa matéria com um trecho do poema de Guaipuan Vieira intitulado “A Chegada de Lampião no Céu”, mas também existe a obra de José Pacheco “A Chegada de Lampião no Inferno” que começa assim:

 

Um cabra de Lampião

De nome Pilão Deitado

Que morreu numa trincheira

Num certo tempo passado

Agora pelo sertão anda correndo visão

         Fazendo mal-assombrado…

 

                                                                          – José Pacheco

Edição de texto: Monica Pinto

 

Foi numa semana santa

Tava o céu em oração

São Pedro estava na porta

Refazendo anotação

Daqueles santos faltosos

Quando chegou o Lampião…
– Guaipuan Vieira

 

Há exatos 83 anos morria o maior nome da história do cangaço e uma das maiores personalidades nordestinas. A famosa volante de soldados comandados pelo Tenente Arueira encurralou e fuzilou Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando na Grota do Angico, no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano.

O cangaço e o nordeste

“Se você pedir a uma criança que desenhe algo que lembre o nordeste, a maioria vai desenhar um chapéu em meia lua referente ao cangaceiro.”, afirma o pesquisador especialista em Cangaço Robério Santos, também escritor e jornalista. A herança do cangaço para a construção cultural e imagem do Nordeste é inquestionável. As músicas e vestimentas que Luiz Gonzaga popularizou em todo o país, as canções de Zé Ramalho, a contribuição do Mestre Vitalino em suas esculturas de barro, os milhares de cordéis e poemas como o de Guaipuan Vieira, destacado no início desta matéria, são lembradas por Robério Santos, que cita ainda duas obras de Cândido Portinari – Retirantes e Menino Morto -, exibidas no Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

 

Quanto às polêmicas acerca da violência praticada pelos bandos de cangaceiros, Robério complementa que a história é muito menos romântica do que imaginamos, mas concordando ou não, não se pode ignorar a importância cultural do fenômeno. “Negar a  importância cultural do fenômeno Cangaço seria como negar a existência de toda nossa história. Os acontecimentos estão aí para serem contados, vamos continuar fazendo isso em nossos livros, vídeos e batepapo diário.”, afirma o escritor. 

Lampião

Nascido Virgulino Ferreira da Silva, é natural de Serra Talhada, interior de Pernambuco, distante 423km da capital, Recife. Sua história ganhou diversas origens, muito por conta da construção do mito do Rei do Cangaço. Ele é o cangaceiro mais importante de toda história. Jesuíno Brilhante em 1872-1879 e Cabelleira, de 1770 a1786, tiveram sua relevância antes, mas a história do cangaço ganha outro significado com Lampião.

Um grande marco nessa história é o filme Rei do Cangaço (1937), do belga Benjamin Abrahão, com imagens e vídeos inéditos do bando mais famoso da história. Apesar dessa filmagem ter sido apreendida pela ditadura do governo de Getúlio Vargas, o filme foi resgatado em 1955, 17 anos após seu suicídio, e lançado nos cinemas, tornando-se um grande sucesso.

Lampião e Maria Bonita

O casal mais famoso do Nordeste tem forte impacto nas manifestações culturais. Sejam as músicas,  os poemas até artistas plásticos que usam o casal como fonte de inspiração. Robério lembra ainda que tanto na feira de Caruaru (PE), como até em São Paulo, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), duas figuras estão sempre presentes: Lampião e Maria Bonita 

Sendo a primeira a entrar no bando de Lampião como sua mulher, Maria Bonita fez também o termo “cangaceira” surgir e abriu espaço no movimento para outras mulheres como Sila, Enedina, Lídia e a parceira de Curisco, também muito conhecida, Dadá. A mulher era figura importante no movimento e mudou a forma como os bandos agiam.

Grota do Angico

“A grota foi onde tudo acabou, o cangaço acaba ali com a cabeça cortada do Rei do Cangaço e, a partir daquele ponto, houve declínio e medo dos que sobreviveram”, afirma o especialista Robério. Localizada no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano, a Grota do Angico virou um ponto turístico e até local de peregrinação religiosa, com a famosa Missa do Cangaço sendo realizada todos os anos onde Lampião morreu.

Recentemente, a jornalista e diretora Erna Barros lançou um documentário feito em Sergipe, na Grota do Angico, contando as histórias e acontecimentos da região em que o Rei do Cangaço foi encurralado e executado. “Angico de Fora a Fora” está disponível no YouTube e você confere abaixo:

Herói ou vilão

Mesmo após 83 anos, circula ainda pelo país, em especial pelo Nordeste, uma vasta quantidade de obras que registram a dualidade envolvendo a violência do movimento cangaceiro. Abrimos essa matéria com um trecho do poema de Guaipuan Vieira intitulado “A Chegada de Lampião no Céu”, mas também existe a obra de José Pacheco “A Chegada de Lampião no Inferno” que começa assim:

 

Um cabra de Lampião

De nome Pilão Deitado

Que morreu numa trincheira

Num certo tempo passado

Agora pelo sertão anda correndo visão

         Fazendo mal-assombrado…

 

                                                                          – José Pacheco

Edição de texto: Monica Pinto

 

Foi numa semana santa

Tava o céu em oração

São Pedro estava na porta

Refazendo anotação

Daqueles santos faltosos

Quando chegou o Lampião…
– Guaipuan Vieira

 

Há exatos 83 anos morria o maior nome da história do cangaço e uma das maiores personalidades nordestinas. A famosa volante de soldados comandados pelo Tenente Arueira encurralou e fuzilou Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando na Grota do Angico, no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano.

O cangaço e o nordeste

“Se você pedir a uma criança que desenhe algo que lembre o nordeste, a maioria vai desenhar um chapéu em meia lua referente ao cangaceiro.”, afirma o pesquisador especialista em Cangaço Robério Santos, também escritor e jornalista. A herança do cangaço para a construção cultural e imagem do Nordeste é inquestionável. As músicas e vestimentas que Luiz Gonzaga popularizou em todo o país, as canções de Zé Ramalho, a contribuição do Mestre Vitalino em suas esculturas de barro, os milhares de cordéis e poemas como o de Guaipuan Vieira, destacado no início desta matéria, são lembradas por Robério Santos, que cita ainda duas obras de Cândido Portinari – Retirantes e Menino Morto -, exibidas no Museu de Artes de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

 

Quanto às polêmicas acerca da violência praticada pelos bandos de cangaceiros, Robério complementa que a história é muito menos romântica do que imaginamos, mas concordando ou não, não se pode ignorar a importância cultural do fenômeno. “Negar a  importância cultural do fenômeno Cangaço seria como negar a existência de toda nossa história. Os acontecimentos estão aí para serem contados, vamos continuar fazendo isso em nossos livros, vídeos e batepapo diário.”, afirma o escritor. 

Lampião

Nascido Virgulino Ferreira da Silva, é natural de Serra Talhada, interior de Pernambuco, distante 423km da capital, Recife. Sua história ganhou diversas origens, muito por conta da construção do mito do Rei do Cangaço. Ele é o cangaceiro mais importante de toda história. Jesuíno Brilhante em 1872-1879 e Cabelleira, de 1770 a1786, tiveram sua relevância antes, mas a história do cangaço ganha outro significado com Lampião.

Um grande marco nessa história é o filme Rei do Cangaço (1937), do belga Benjamin Abrahão, com imagens e vídeos inéditos do bando mais famoso da história. Apesar dessa filmagem ter sido apreendida pela ditadura do governo de Getúlio Vargas, o filme foi resgatado em 1955, 17 anos após seu suicídio, e lançado nos cinemas, tornando-se um grande sucesso.

Lampião e Maria Bonita

O casal mais famoso do Nordeste tem forte impacto nas manifestações culturais. Sejam as músicas,  os poemas até artistas plásticos que usam o casal como fonte de inspiração. Robério lembra ainda que tanto na feira de Caruaru (PE), como até em São Paulo, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), duas figuras estão sempre presentes: Lampião e Maria Bonita 

Sendo a primeira a entrar no bando de Lampião como sua mulher, Maria Bonita fez também o termo “cangaceira” surgir e abriu espaço no movimento para outras mulheres como Sila, Enedina, Lídia e a parceira de Curisco, também muito conhecida, Dadá. A mulher era figura importante no movimento e mudou a forma como os bandos agiam.

Grota do Angico

“A grota foi onde tudo acabou, o cangaço acaba ali com a cabeça cortada do Rei do Cangaço e, a partir daquele ponto, houve declínio e medo dos que sobreviveram”, afirma o especialista Robério. Localizada no município de Poço Redondo, no alto sertão sergipano, a Grota do Angico virou um ponto turístico e até local de peregrinação religiosa, com a famosa Missa do Cangaço sendo realizada todos os anos onde Lampião morreu.

Recentemente, a jornalista e diretora Erna Barros lançou um documentário feito em Sergipe, na Grota do Angico, contando as histórias e acontecimentos da região em que o Rei do Cangaço foi encurralado e executado. “Angico de Fora a Fora” está disponível no YouTube e você confere abaixo:

Herói ou vilão

Mesmo após 83 anos, circula ainda pelo país, em especial pelo Nordeste, uma vasta quantidade de obras que registram a dualidade envolvendo a violência do movimento cangaceiro. Abrimos essa matéria com um trecho do poema de Guaipuan Vieira intitulado “A Chegada de Lampião no Céu”, mas também existe a obra de José Pacheco “A Chegada de Lampião no Inferno” que começa assim:

 

Um cabra de Lampião

De nome Pilão Deitado

Que morreu numa trincheira

Num certo tempo passado

Agora pelo sertão anda correndo visão

         Fazendo mal-assombrado…

 

                                                                          – José Pacheco

Edição de texto: Monica Pinto

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