Entenda o caso de bebê que nasceu com anticorpos contra Covid-19

O primeiro caso de um bebê que nasceu com anticorpos contra a Covid-19, registrado no Estado de Santa Catarina, gerou diferentes questionamentos sobre a imunidade do recém-nascido Enrico. A questão não é unânime entre os especialistas, mas todos afirmam que o coronavírus não tem como foco as crianças, e a existência ou não de anticorpos em bebês não modifica o cenário da pandemia no Brasil. As informações são do NSC Total.

 

A mãe, Talita Mengali Izidoro, tomou a primeira dose da vacina com 34 semanas de gestação, e 15 dias depois tomou a segunda. Desta forma, o bebê recebeu através da placenta imunoglobulinas específicas para combater o SARS-Cov-2.

 

A presença de anticorpos no bebê não é questionada, já que foi atestada pelo exame neutralizante feito em laboratório catarinense, mas a imunidade é. “Até o momento presente, não temos dados sobre o que chamamos de ‘correlato de proteção’. Não sabemos qual é a porcentagem de anticorpos neutralizantes no sangue considerada suficiente para garantir que o indivíduo esteja imune”, diz Bárbara Simionato, médica do Controle de Infecção de Infectologia Pediátrica da Santa Casa de Misericórdia, de Porto Alegre.

Por quanto tempo o anticorpo permanece no bebê?

Os especialistas explicam que durante o terceiro trimestre de gestação, a mãe transmite para o bebê pela placenta diferentes anticorpos do tipo IgG. A pediatra Bárbara Simionato diz que a quantidade de anticorpos passado pela mãe vai diminuindo aos poucos.

Se os anticorpos contra a Covid seguirem o mesmo padrão dos demais, em alguns meses o bebê vai “perder a imunidade” e só conseguirá produzir novos anticorpos caso seja vacinado ou contaminado.

Ter anticorpos significa ter imunidade?

Tanto para criança e bebê, quanto para adulto é preciso saber o correlato de proteção para dimensionar a quantidade de anticorpos necessária para garantir a proteção do indivíduo. Ainda não há esse dado quando se trata da Covid-19. Ou seja, pessoas com anticorpos podem não estar imunizadas, visto que ainda não se sabe a quantidade necessária para fazer a proteção.

Notícia Promissora

Embora seja considerada uma notícia promissora, os especialistas lembram que a Covid-19 se manifesta com casos leves em bebês e crianças, já que esses não são o foco do coronavírus, ao contrário da H1N1. “O significado clínico para o bebê é menos relevante do que para suas mães. As gestantes, sim, é muito importante que sejam vacinadas, pois ter Covid na gestação aumenta o risco de mortalidade da gestante em 20 vezes em relação à gestante sem Covid”, alerta a pediatra.

 

 

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