“Empresas de ônibus praticam maldade com rodoviários”, diz Adriano Taxista

Uma nova paralisação no transporte público da Grande Aracaju está encaminhada para a próxima segunda-feira, 1º. Os trabalhadores do setor vão se reunir no próximo domingo, 28, para deliberar novas ações contra as empresas de ônibus que, segundo os trabalhadores, têm promovidos cortes profundos nos direitos da categoria.

Os detalhes foram explanados em entrevista de Adriano Taxista ao programa Sergipe Verdade, na SIM FM. Adriano é um dos líderes da mobilização que vem sendo a articulada pelos rodoviários. “A revolta da categoria é que nos últimos 12 meses as empresas de ônibus aproveitaram a pandemia e fizeram coisas absurdas. A primeira foi excluir a função dos cobradores, fazendo com motoristas trabalhem com dupla função, depois retiraram ticket alimentação que era uma conquista de 30 anos”, relata Adriano.

De acordo com Adriano, os problemas começaram ainda no mês de março deste ano, no início da pandemia da Covid-19. “Quando o Governo começou a fechar o comércio, as empresas de ônibus também começaram a praticar a maldade e desde lá não pagam o ticket alimentação, o que vem gerando uma insatisfação enorme. Tem empresa que paga o salário do trabalhador de forma parcelada. A gente questiona porque elas não abrem mão do serviço? ”, questiona Adriano.

Para ele, é o momento da gestão municipal intervir na situação. Temos hoje a 3ª maior tarifa do Nordeste. A gestão municipal precisa intervir. Esses problemas não envolvem só os rodoviários, mas também todos os usuários do transporte público. As empresas são privadas, mas é bom lembrar que elas prestam um serviço público.

Se confirmado uma nova paralisação, é possível que os ônibus não consigam sair das garagens das empresas na próxima segunda-feira, causando transtorno para passageiros de toda região metropolitana. No protesto mais recente dos rodoviários, vários ônibus foram impedidos de circular nas vias e tiveram pneus esvaziados por manifestantes em plena via pública.

Em nota enviada na sexta-feira passada, o Setransp informou que “não existe nenhuma pendência junto à categoria e que a data base da Convenção Coletiva é 1º de março”, e acrescentou que “o setor de transporte tem lidado com um grande déficit econômico há alguns anos, agravado pela pandemia da Covid-19. Só em 2020, o setor sofreu uma queda no número de passageiros de aproximadamente 45,9% resultando em uma perda de quase R$ 100 milhões. Somado a isso, ainda há o novo aumento nos custos do serviço com a alta do preço do diesel superior a 15%”, pontou.

Nossa reportagem voltou a procurar o Sindicato que representa as empresas de ônibus para saber sobre a possibilidade de nova paralisação dos trabalhadores. A entidade respondeu que “como as negociações estão em andamento, o Setransp espera que elas sigam avançando, sem que hajam paralisações.”

 

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