Dia dos Pais marcado por lembranças e saudades

À medida que as datas comemorativas se aproximam, é natural que voltem à imaginação os momentos mais marcantes vividos com pessoas importantes em nossa trajetória. O dia dos pais, por exemplo, é uma dessas datas, que regida por um sentimento familiar se perpetua entre gerações e movimenta celebrações calorosas todos os anos.

No entanto, a conjuntura atual é atípica, com a iminência da Covid-19 e a perda de várias vidas. Computar com precisão quantos pais estarão em luto nesta data é uma tarefa impossível, mas, justamente por isso, é preciso se desprender das estatísticas e escutar as histórias que ultrapassam os números.

Esta realidade pode ser exposta com a narrativa de Marcos Santana, pai de Marco Antônio Costa, médico radioncologista que, na vivacidade dos 35 anos,  perdeu a vida para o vírus, logo após ter  experimentado o rigor da paternidade pela primeira vez. Em suas palavras, Marcos ressalta a importância de valorizar pessoas e momentos, principalmente durante o período de crise.

“Este dia dos pais vai ser um dia de muita tristeza para mim, pois perdi um filho que tinha se tornado pai recentemente e foi uma coisa chocante, ainda é uma dor latejante. São em dias como este que ficamos bastante entristecidos, mas temos outros filhos que merecem atenção também. Tem a dor, mas também a felicidade de ter filhos vivos ainda”, contou o pai.

Pai e filho: amor incondicional

Este depoimento condiz com a  visão da psicóloga sergipana Vanessa Ramalho Strauch, psicodramatista e sanitarista que pesquisa sobre o luto, na sua visão o momento coletivo “pandêmico” reforçou ainda mais nas datas a função de ciclo e marco para celebrar as relações e encontros vividos.

“Nos demos conta do quanto a vida é verossímil, passageira, fugaz, e como apenas juntos temos potência de cuidado uns dos outros. Pais que perderam filhos, ou vice-versa, são sempre emocionalmente mexidos nas datas comemorativas, que geralmente representam momentos de encontros familiares. O desafio é encontrar uma forma de homenagem ou expressão criativa, sincera e singular, do seu amor”, explicou a especialista. 

UM ÍDOLO AINDA VIVO NA MEMÓRIA

Esta foi a descrição usada pelo pai do médico para descrever a humanidade e caráter do seu filho, de quem afirma ser o fã número um até hoje. Da experiência traumática e surpreendente, Marcos Santana relata o que aprendeu com seu filho e que procurará viver profundamente o dia presente com ele sempre em sua mente.

“Os pacientes ainda nos falam como ele era um cara muito humano, inteligente e 24 horas dedicado ao que fazia. Aprendi com ele a ser compreensivo, amoroso, familiar e dedicado à amizade. Ele valorizava as artes, era uma pessoa admirável, e eu era fã dele, ele era um ídolo, eu que consultava ele várias vezes por conta do amor, da paixão e admiração que tinha”, finalizou o pai. 

É sobre reconfigurar sentimentos 

Para enfrentar essa adversidade, a psicóloga Marina pontua que uma possibilidade é alimentar a capacidade de esperançar e não desistir de continuar a amar através da  ressignificação da perda e a busca por uma alimentação criativa da dor e da saudade.

“Temos que repensar diferentes dimensões do cuidado: de si, do outro, do coletivo e do ambiente ao seu redor. Rever nossos diferentes papéis. Resgatar uma visão ampliada sobre o ciclo vida-morte-vida. Vamos nos reinventar nessa nova produção coletiva de intra e inter subjetividades. Vamos respeitar as singularidades enxergando a importância do senso de coletividade”, finalizou a psicóloga.

https://fanf1.com.br/cidades/2021/08/22529/dia-dos-pais-marcado-por-lembrancas-e-saudades.html

 

 

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