Reduzir o tempo de tela é um dos maiores desafios das famílias. Segundo estudo do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), 44% dos bebês de até 2 anos e 71% das crianças de 3 a 5 anos já tinham acesso à internet em dezembro de 2025. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam, no máximo, uma hora de telas por dia dos 2 aos 5 anos, duas horas dos 6 aos 10 anos e três horas a partir dos 11 anos.
Para menores de 2 anos, a orientação é evitar a exposição. “Estabelecer limites familiares claros e manter períodos e ambientes livres de telas, aliados à supervisão e ao controle do tempo, é importante para o desenvolvimento infantil saudável”, afirma a psicopedagoga Nathalie Galiza, especialista em neuropsicopedagogia.
A profissional alerta que o excesso de telas pode prejudicar o sono, diminuir a atividade física, dificultar a atenção e a autorregulação e reduzir as oportunidades de interação social, além de fazer a criança perder o interesse por brincar, atividade fundamental para o desenvolvimento infantil. “Enquanto a criança está entretida com o mundo digital, o tempo destinado ao sono, às brincadeiras, ao esporte, à interação com outras pessoas e às experiências concretas com o ambiente fica prejudicado”, explica.
Atividades lúdicas favorecem o desenvolvimento infantil
Nathalie Galiza recomenda atenção ao que o uso de telas está substituindo no dia a dia. Brincar, lembra a especialista, é a forma primordial para a criança aprender e se desenvolver integralmente. Durante a brincadeira, ela experimenta, cria hipóteses, resolve problemas, desenvolve a linguagem, a coordenação motora, a criatividade e a capacidade de lidar com emoções e frustrações. Nas brincadeiras compartilhadas, aprende a respeitar regras, esperar a vez, cooperar, comunicar desejos, lidar com conflitos e criar vínculos. “O brincar vai de brinquedos e jogos simples aos mais elaborados, mas a essência da ação lúdica permanece em todas as formas de brincar”, completa.
Mãe de Vicente, 5 anos, e Dom, 2 anos, a aracajuana Thyssila Dala vive esse equilíbrio na prática. “Sempre fui do analógico, pois acredito na criatividade, no compor, no construir e no criar algo com as próprias mãos. Tento seguir isso proporcionando tardes de criatividade, com sucatas, tintas, folhas, colas, construindo e criando juntos”, conta. Ela também procura levar os filhos a praticar esportes, ter contato com a natureza e ler. “Mais do que coisas, quero proporcionar experiências, descobertas e memórias que eles levem para a vida”, completa.
Aproveitar o Dia das Crianças para oferecer presentes que devolvam o tempo do brincar pode ser o primeiro passo para reduzir o tempo de tela. Em um passeio pelo Shopping Jardins, a psicopedagoga selecionou alguns brinquedos e atividades que vão muito além da diversão. Mais importante que a escolha, porém, é a companhia: brincar junto é o que transforma um simples presente em memória afetiva. Confira a seleção da especialista:
Jogos de tabuleiro e cartas (UNO disponível na loja Ri Happy, Damas, Xadrez, Ludo, Batalha Naval, Jogo da Vida, Dominó, Jogo da Memória, Banco Imobiliário): trabalham regras, estratégia, atenção, raciocínio lógico e interação social.
Blocos de construção e peças de montar (blocos de montar Fundo do Mar, disponível na FMA Store, LEGO, blocos magnéticos, Pequeno Construtor): estimulam criatividade, planejamento e raciocínio espacial.
Quebra-cabeças (Hora do Rush, Cilada, Quatro em Linha e convencionais como Arca de Noé disponível na Le Biscuit): favorecem concentração e resolução de problemas.
Massinha de modelar, materiais de desenho e pintura (Baby Dino Park disponível na Le Biscuit): permitem expressão criativa e exploração sensorial.
Brinquedos simbólicos, como bonecos, carrinhos, casinhas, fantasias e objetos de faz-de-conta (Peixe Mero de Pelúcia, disponível na FMA Store): estimulam linguagem e imaginação.
Bolas, cordas, patins, patinete, bicicleta e frescobol (Bola na Rede, disponível na Lojas Americanas): associam brincadeira e movimento.
Para os pequenos, blocos de encaixe e livros (“Histórias Incríveis para Crianças”, “A Casa Na Árvore com 130 Andares” e “O Menino de Vidro”, disponíveis na Livraria Escariz) são ótimas opções, com histórias que unem humor, emoções e autoconhecimento.
Foto: Divulgação – Lotti+Caldas Comunicação




