Após um ano de pandemia da covid-19, o vírus continua em circulação e apresentando novas variantes, o que fez com que o perfil dos infectados e os sintomas apresentados mudassem com o tempo. Nos últimos meses, conforme apontam especialistas, os jovens têm sido os mais acometidos pela doença e a atenção deve se manter também sobre alguns sintomas atípicos. Tudo isso tem gerado dúvidas nas pessoas sobre qual o momento ideal para procurar ajuda médica.
Em 2020, com a confirmação dos primeiros casos da doença no Brasil, os principais sintomas eram tosse, espirro, além daqueles associados à síndrome gripal, como coriza e ardência nos olhos, conforme aponta a médica infectologista Mariela Cometki. Entrevistada por F5News, no início do ano passado, os especialistas acreditavam que a doença seria eminentemente respiratória, porém, após um ano, a covid-19 se apresenta de maneira muito sistêmica.
“É lógico que os principais sintomas estão associados a uma síndrome gripal. Mas agora pode ter também um quadro de dor de cabeça importante, dor no corpo que é a mialgia, uma fraqueza, assim como a dispneia, que é a falta de ar nos casos mais graves, associado a outros sintomas atípicos, como soluço, dor abdominal, e principalmente febre que não se consiga determinar o foco”, explica a infectologista Mariela Cometki.
Além disso, a especialista reitera que pacientes com comorbidades que apresentarem descompensação da doença pré-existente devem ficar atentos para a possibilidade de ser covid-19. “Por exemplo, um paciente com uma arritmia controlada e que começa a ter palpitações novamente pode estar com o quadro da covid. Outro exemplo é o paciente que teve a diabetes descontrolada, ele precisa ser avaliado pelo médico para saber se essa descompensação não tem a ver com quadro viral agudo”, alerta.
Segundo a infectologista, nenhum paciente apresenta sintomas graves logo nos primeiros momentos, por isso, é necessário ter uma atenção especial desde o surgimento dos primeiros sintomas.
“A doença leve deve ser questionada pelo paciente, por menores que sejam os sintomas, e deve ser levantada a hipótese da covid e deve ser feita a avaliação médica minuciosa. Porque a gente sabe que a condução da doença é que faz uma menor taxa de letalidade. Se o paciente for assistido de maneira correta, diminui muito a chance dele evoluir para o caso grave e morrer”, disse ao F5 News.
A orientação da infectologista é que o paciente que apresentar sintomas deve procurar o serviço de saúde entre o terceiro e quinto dia, para ser testado. Uma opção, segundo ela, é que aqueles que suspeitam da doença e estão com sintomas leves se isolem no primeiro momento, se assim for possível, e optem por uma teleconsulta.
“Esses pacientes com doença leve podem ser conduzidos pela teleconsulta, que foi liberada pelo Conselho de Medicina, onde ele terá a orientação sobre quais insumos e aparelhos deve ter em casa durante o período de doença. Isso é muito importante, porque vai diagnosticar qualquer alteração que poderia ser silenciosa, e fazer com que a gente tome condutas precocemente para a melhoria desses pacientes”, acrescenta.
Edição de texto: Monica Pinto





